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Política fiscal sob foco intenso e isto passa pelo câmbio

O resultado fiscal de setembro acendeu a “luz vermelha” sob os estímulos à economia concedidos pelo governo com baixos resultados, diga-se de passagem,  quando não direcionados equivocadamente, e que não conseguiram dar o impulso objetivado no crescimento do PIB.

Nestes ajustes entra o BNDES que terá redução de aportes e que deverá reduzir os créditos subsidiados. A recomposição do IPI sobre bens duráveis, etc., etc., enfim a revisão deve focar a realidade de estarmos concedendo o que não temos para conceder e cujos reflexos ficam latentes nos resultados da politica fiscal.

Enfim, a politica fiscal deteriorada compromete o conceito do país e há reflexos que podem inclusive custar uma redução conceitual de “rating” por parte das empresas especializadas, e coloca em pauta o risco de perda do “investment grade”, o que poderia precipitar saída abrupta de recursos externos aqui alocados por impedimentos normativos dos fundos de investimentos estrangeiros.

E, naturalmente isto passa pelo câmbio, que ao ser induzido à apreciação do real causa reflexos sobre o saldo em reais das reservas cambiais, que é um ativo financeiro, e ao deprimir o seu valor promove ao aumento da divida publica liquida.

Não é sem causa que houve a correção da taxa cambial bem ao final do mês de outubro recompondo parte do seu preço à realidade que o país enfrenta nas suas contas externas e mitigando assim os efeitos negativos observados em setembro.

Este é outro detalhe que motiva a taxa cambial a retomar preço compatível com os fundamentos presentes, que por si só sugerem a taxa cambial mais próxima de R$ 2,25 do que de R$ 2,17, algo como 3,6% acima que já ameniza parcialmente os efeitos de quase 6% de apreciação do real ocorrida em setembro.

Há razões de sobra para dar evidência da irrealidade com que estava convivendo o mercado de câmbio ao praticar taxa cambial em torno de R$ 2,17. A rigor, só há fatores adversos nos números das contas externas brasileiras e baixas perspectivas de recomposição ainda este ano, e que justificam plenamente a projeção mínima de preço em torno de R$ 2,30 ao final do ano.

Não há em nosso entendimento condições para que o BC continuasse estimulando a apreciação do real visando fazê-lo ancora coadjuvante da politica de juro para contenção das pressões inflacionárias.

O Brasil precisa resgatar-se perante os investidores estrangeiros e agências de “rating” e isto impõe revisão rigorosa dos dispêndios com estímulos à economia e seus próprios gastos excessivos, pois há evidências claras de recuo por parte dos investidores e efetivo risco do país ser reclassificado para pior.

Dados do jornal Valor de hoje evidenciam que a América Latina atrai investidor global e impulsiona ofertas de ações, com excepcional crescimento de 75% em relação ao observado no mesmo período do ano passado. A matéria ressalta que países com bom desempenho econômico e regras estáveis como México, Chile, Colômbia e Peru passaram a disputar com o Brasil o fluxo destes recursos.

O Brasil tem histórico de representar de 70% a 80% do volume captado pela região em renda fixa e este ano tem uma participação de tão somente 47%. E este número pode ter um viés de baixa, visto que os países concorrentes têm dinâmicas macro e microeconômicas interessantes, com empresários empreendedores e uma base de investidores que está se diversificando, segundo analistas.

O Brasil precisa sinalizar forte e rápido que está focando correções diversas objetivando recuperar sua politica fiscal, a tempo de evitar consequências mais danosas ao país, por a perda do “investment grade” poderá ser muito mais nefasto do que o inicio da redução do programa de incentivos monetários por parte do FED.

Neste ano de 2013 há uma enorme disponibilidade de dados do setor externo que deixam evidente a perda de atratividade do país, números de difícil superação,  pois carentes de incrementos de fluxos de recursos para o país que parece não se consolidarão, por isso é importante que o país reveja o seu próprio perfil perante os investidores estrangeiros, para que 2014 não seja pior.

Temos de forma exaustiva evidenciado os números das contas externas do país e aspectos como necessidade de financiamento externo, carência de fluxos que determinam as posições “vendidas” dos bancos no mercado à vista, etc……

Portanto, antes de observarmos o comportamento da moeda americana no exterior para identificarmos simetrias com o desempenho do seu preço no nosso mercado de câmbio, devemos observar o “status quo” Brasil, que certamente nos proporcionará com mais clareza as razões e fundamentos do preço local.

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