Houve uma melhora acentuada no fluxo cambial comercial divulgado pelo BC ontem. No mês de abril registrou ingresso líquido de US$ 6,7 Bi, o que compensou o resultado negativo do fluxo cambial financeiro que apontou saída líquida de US$ 3,2 Bi, indicando então um fluxo total líquido positivo de US$ 3,5 Bi.
A melhora do fluxo cambial comercial era esperada como resultante das exportações das safras agrícolas nesta época do ano, por isso é pontual e não tendência sustentável. Não muda as perspectivas de que o resultado líquido total da balança comercial este ano fique no entorno dos US$ 10,0 Bi.
Houve uma melhora acentuada no fluxo cambial comercial divulgado pelo BC ontem. No mês de abril registrou ingresso líquido de US$ 6,7 Bi, o que compensou o resultado negativo do fluxo cambial financeiro que apontou saída líquida de US$ 3,2 Bi, indicando então um fluxo total líquido positivo de US$ 3,5 Bi.
A melhora do fluxo cambial comercial era esperada como resultante das exportações das safras agrícolas nesta época do ano, por isso é pontual e não tendência sustentável. Não muda as perspectivas de que o resultado líquido total da balança comercial este ano fique no entorno dos US$ 10,0 Bi.
Na comparação dos números do fluxo de 2013 com 2012 até o dia 3 de maio último podemos constatar:
Exportações: 2013 volume menor 12,7% em relação a 2012 (US$ 76,9 Bi/US$ 88,1 Bi)
Importações: 2013 volume maior 2,7% em relação a 2012 (US$ 72,1 Bi/US$ 70,2 Bi)
Saldo comercial: 2013 menor 73,0% em relação a 2012 (US$ 4,8 Bi/US$ 17,9 Bi)
Fin. Ingressos: 2013 menor 7,0% em relação a 2012 (US$ 130,6 Bi/US$ 140,4 Bi)
Fin. Saídas: 2013 menor 0,3% em relação a 2012 (US$ 133,2 Bi/US$ 133,6 Bi)
Saldo Financeiro: 2013 menos 139% em relação à 2012 (-US$ 2,6 Bi/US$ 6,8 Bi)
Houve redução no fluxo cambial comercial de US$ 13,1 Bi e no financeiro de US$ 9,5 Bi.
Em 2013 temos um fluxo líquido total de US$ 2,1 Bi e em 2012 US$ 24,7 Bi.
Portanto, o fluxo cambial líquido em 2013 é menor US$ 22,5 Bi em relação a 2012.
Os bancos viraram o ano (2012/2013) com posições “vendidas” no mercado à vista de US$ 6,0 Bi e as reduziram para US$ 5,1 Bi no final de abril deste ano, estimando-se que estivessem em US$ 4,4 Bi em 3 de maio último.
O fluxo cambial líquido de US$ 2,1 até 3 de maio último foi insuficiente para promover a cobertura daquele montante de posições “vendidas” pelos bancos de US$ 6,0 Bi no final do ano de 2012.
Por isso, o fato do mês de abril ter apresentado um fluxo cambial comercial de considerável montante, não desfaz as preocupações em relação ao ritmo de ingresso de divisas estrangeiras no país, por ter sido claramente pontual em decorrência das safras agrícolas e não revelar tendência sustentável. O saldo da balança comercial este ano será fraco.
O fluxo financeiro, a despeito dos anúncios de captações feitos por inúmeras empresas brasileiras, tem uma tendência ao negativo neste ano, mantido o “status quo” atual por parte do governo, e este fato se constituirá em mudança radical, visto que este sempre foi nos tempos mais recentes o canal de ingresso substantivo de recursos com saldos generosos positivos no fluxo cambial do país.
À margem destes números presentes, devemos considerar que o país pode não consolidar sua projeção de ingressos de IED´s da ordem de US$ 60,0 Bi este ano.
Por outro lado, as perspectivas para o déficit em transações correntes é de viés de alta, podendo, portanto, superar os US$ 70,0 Bi que vem sendo projetados pelo mercado financeiro.
Estes são fatores que dão fundamento à propensão de alta da taxa do dólar, considerando que temos um mercado de câmbio flutuante.
Como já salientamos em comentários anteriores, o governo poderá intervir para conter o preço do dólar dentro de parâmetro em que não contribua para as pressões inflacionárias presentes em nossa economia, mas, certamente, precisará fazer mais do que oferecer tão somente “swaps cambiais”, pois o que está em pauta é insuficiência de fluxo de divisas efetivas.
É preciso que tenhamos um olhar com maior seriedade sobre o comportamento do fluxo e as perspectivas, afinal, nos parece, que o sinal “amarelo” está aceso emitindo alerta pelos números, e como costumamos afirmar, os números “falam” e precisamos “ouvi-los”.
Por isso, entendemos que o preço de R$ 2,00, como teto ou no entorno, seja “tentativo” por parte do governo, mas torna-lo factível e sustentável vai impor em breve intervenções operacionais firmes do BC ou flexibilização de normas inibidoras ao ingresso de recursos externos de curto prazo.
