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Câmbio: Especulação, receios em torno do FED e tendência fundamentada

Para quem imaginou que o aumento da oferta de contratos de “swaps cambiais” seria a solução para a apreciação da moeda americana no nosso mercado de câmbio, naturalmente houve uma surpresa quando ontem, dia seguinte da queda de 1,2%, ocorreu alta de mais do que 1,9%, com grande destaque no mercado internacional antes as demais moedas emergentes, ao atingir a cotação de quase R$ 2,43.

O BC certamente não desejaria ter esta forte depreciação do real no centro do debate político quando faltam 10 dias para as eleições, mas o fato já impôs à Presidenta Dilma declaração de não há crise cambial e nem desequilíbrio.

Efetivamente não há crise cambial, até porque o país tem US$ 376,0 Bi de reservas cambiais, mas há, sem duvida, um movimento especulativo a partir do mercado de derivativos que não responde ao aumento de oferta de contratos de swaps cambiais, o que só ocorreria se houvesse demanda efetiva por “hedge”.

O “status quo” do Brasil tem um ambiente desfavorável frente ao setor externo e a visão prospectiva no curto/curtíssimo prazo é de piora. Isto é que pesa e está colocando o preço da moeda nacional no seu preço de coerência, e ainda nem começou o agravamento dos fluxos negativos dos recursos que estão presentemente no Brasil, em especial de natureza especulativa.

O BC certamente não havia se manifestado com oferta de contratos de swaps cambiais, acreditamos, por saber da sua ineficácia no atual quadro, mas uma parte do mercado imaginava que com isto a autoridade monetária pudesse conter a tendência de alta. Também entendemos que o BC não deve entrar oferecendo linhas de financiamentos para os bancos, já que estes continuam tendo acesso às linhas externas para ancorar suas posições vendidas. Na realidade deve utilizar até quando e quanto possível os bancos para gerar liquidez quando a demanda por moeda efetiva se acentuar no mercado à vista, evitando ser o autor de leilões de venda de divisas ao mercado, pois poderia acentuar o crescimento de movimentos especulativos.

Há também um ambiente externo que, apesar de todos os comentários atenuantes dos impactos e ainda postergar a perspectiva de mudança de atitude do FED, convive com um “receio intenso marginal” de que possa ocorrer mudança de “timming” por parte da autoridade monetária americana que na realidade impactará fortemente no mercado internacional, com ênfase nos países emergentes, em especial os mais frágeis e vulneráveis.

Já ocorre um deslocamento de recursos para os T-Bills americanos, razão pela qual o dólar é demandado no mercado global e se valoriza, ao mesmo tempo em que, reagindo à pressão de compra estes títulos se valorizam e reduzem seus yelds.

Tudo indica que grande parte dos investidores está se antecipando, até porque o juro na zona do euro está muito baixo e nos emergentes oferecem riscos em perspectiva.

Ficou bem claro que em determinadas situações a eficácia destes instrumentos financeiros swaps cambiais é bastante baixa, pois na essência visa dar proteção a posições/passivos em moeda estrangeira expostas à variação cambial, objetiva garantir preço da moeda, quando há perda de credibilidade. Porém, atualmente, o mercado de câmbio futuro/derivativos tem “em ser” estoque de US$ 95,0 Bi destes instrumentos, montante que sugere ter exterminado a maior parte da demanda efetiva e agora o que resta é um movimento especulativo oportuníssimo pelo contexto presente no Brasil e no mercado global.

O dólar permanece forte ante as moedas rivais diretamente com seu preço internacional perto das maiores altas em quatro anos.

A rigor se a economia americana ainda não está plenamente recuperada é inquestionável que está melhor do que as demais, fato que fortalece o dólar e fomenta a expectativa de que o FED possa vir a surpreender antecipando a mudança em sua  política monetária, que afetará a taxa de juro americana e provocará atração muito forte para o mercado financeiro internacional, com maior impacto generalizado e principalmente nos mercados emergentes de países considerados frágeis e vulneráveis.

Acreditamos que a moeda americana continuará sua escalada de apreciação no nosso mercado de câmbio, até por conta do movimento especulativo no mercado de derivativos à medida que a data das eleições se aproxime, sem que se considere que o ambiente externo seja fato indutor de importância menor, assim como as perspectivas de saída de recursos do país, não em função deste ou aquele candidato, mas porque os nossos fundamentos econômicos são frágeis para retê-los por aqui.

 

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