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Economia americana justifica temores em torno de mudanças pelo FED

O PIB revisto do 2º trimestre americano atingiu 4,6% anualizado, dentro da expectativa e acima da informação antecedente que foi de 4,2%.

Mas não foi somente isto. Houve também a indicação que o consumo cresceu a uma taxa anualizada de 2,5%, o que é relevante já que o mercado interno americano responde por 2/3 do PIB dos Estados Unidos.

E de quebra a Universidade de Michigan divulgou o índice de sentimento do consumidor americano em 84,6 pontos, após 82,5 pontos em agosto, maior patamar desde julho de 2013.

O dólar renovou rodada de valorização ante quase todas as moedas globais. O Dollar Index Spot mostrou alta acentuada frente a uma cesta de moedas.

Os “yelds” dos T-Bills de 10 anos apresentaram discreta melhora.

E, só para contrariar e deixar evidente que há um movimento especulativo no mercado futuro/derivativos que envolve o dólar, o real praticamente numa posição solitária foi a moeda que apresentou movimento contraditório e oportunista valorizando em torno de 0,50%, quando na realidade é uma das que tem potencial para maior desvalorização.

As preocupações do Brasil em relação a possibilidade de um encurtamento de prazo para que sejam implementadas as mudanças de política monetária por parte do FED americana são consideráveis pois pode ter efeitos/impactos relevantes no Brasil e em especial no preço da moeda americana no nosso mercado de câmbio.

São relevantes também os fundamentos da economia brasileira bastante fragilizada, praticamente sem capacidade para reter capitais estrangeiros, principalmente de natureza especulativa, que tendem a bater em retirada do país em razão das mudanças nos Estados Unidos, já que os investidores buscam rentabilidade, mas não gostam de riscos.

Tudo então sugere que o real seja depreciado com base nos frágeis fundamentos e uma perspectiva preocupante que deve impactar na formação do preço da moeda,

O fato concreto é que há instalado no mercado futuro/derivativos posições compradas especulativas que sabem que os instrumentos financeiros “swaps cambiais” utilizados pelo Banco Central do Brasil têm, nesta fase, baixo poder de alcance no controle e monitoramento da formação da taxa cambial, tendo em vista que a demanda efetiva por “hedge” é muitíssimo baixa ou nenhuma já que os US$ 95,0 Bi “em ser” colocados pelo BC praticamente exterminaram esta demanda.

O BC sabe que o instrumento swap cambial está com baixo poder de fogo contra a apreciação da moeda americana num ambiente satisfeito com o volume ofertado anteriormente de “hedge”, por isso não atende aos reclamos do mercado que imagina que os swaps cambiais tem um poder ilimitado para interferir na formação do preço da moeda americana. Naturalmente tem quando se destina dar proteção ao preço da moeda nacional colocada em posição de descrédito, mas neste momento está questão já está acomodada.

Mas sem a entrada do BC no mercado, por incrível e contraditório que pareça, não ocorre volatilidade e somente se acentua a apreciação da moeda americana com base nos frágeis dados da economia brasileira que não tem apelo para reter por muito mais tempo a intensificação de saída de recursos do país, que a bem da verdade ainda não se intensificaram tanto quanto se espera, e as perspectivas cada vez mais intensas de possibilidade de mudança da política monetária americana.

Desta forma, este movimento especulativo utiliza como “pano de fundo” para geração de volatilidade a questão das pesquisas eleitorais e suas tendências mutantes, forjando assim oportunidades para ganhos e ocasionando comportamentos atípicos da moeda americana no Brasil em relação ao comportamento externo.

As crenças de que quando a taxa cambial sofre valorização o mercado está desafiando o BC, etc, parece tema sem fundamento, há efetivas razões para que o dólar alcance maior cotação no Brasil, visto que vinha sendo comprimido pela intervenção do BC com o instrumento financeiro “swap cambial”, que agora tem sua capacidade de interferência fragilizada pela queda deste instrumento para “hedge” e tenha o mercado futuro de dólar/derivativos entrado no radar dos especuladores.

Da mesma forma que não é racional admitir-se que uma eventual mudança de governantes possa imputar no curto prazo mudanças profundas na política cambial, já que há inúmeros fatores condicionantes a viabilização do desmonte da intervenção do BC neste mercado, que envolve reverter a expressiva posição de contratos de swaps cambiais “em ser” e cobertura das posições vendidas dos bancos que se prestam a geração de liquidez no mercado à vista.

Naturalmente que isto demandará um longo período ainda, independente de quem quer que seja eleito, pois o Brasil precisará antes de tudo ser redirecionado para o crescimento, ter sinais deste fato e então começar a recuperar credibilidade e atratividade que estimularão a intensificação de fluxos de ingressos de recursos externos, após o que poderá gradualmente alterar a política cambial.

Como dissemos, no momento, pesquisas eleitorais, boatos, etc… só se prestam para justificar movimentos mutantes especulativos que nada tem a ver com o resultado eleitoral em si, mas com a oportunidade que geram para especuladores auferirem lucros.

O viés de alta do preço da moeda americana permanece com suporte no cenário externo e propensão ao encurtamento de prazo de mudanças na política monetária por parte do FED americano e na fragilidade da nossa economia.

 

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