Câmbio News

BC mais incisivo como autoridade e menos “trader” inverte viés de alta do dólar!

Fala mais incisiva e contundente do Presidente do BC sobre o câmbio e sobre as reservas cambiais, além de um leilão extra de swaps cambiais no momento em que o preço já tinha viés de baixa, deixaram a evidente impressão de que o BC assume efetivamente postura maior de autoridade com capacidade intervencionista e menos de “trader” somente atuando profilaticamente e deixando a formação do preço à deriva e vontade dos especuladores, relegando-se a suprir a liquidez.

Evidentemente, os tempos são desfavoráveis em termos de fluxos cambiais para o país, mas, como oportunamente destacado por Campos Neto ontem, o país tem reservas cambiais suficientes para enfrentar este momento adverso, então não há porque apostar contra o país utilizando este ativo que é muito sensível.

Alardear que o BC poderá utilizar destas reservas é um de forte impacto e mais seria se houvesse uma “pitada” ousada de mencionar que a SELIC poderá ser elevada se houver reflexos inflacionários decorrentes desta distorção no preço da moeda americana, que por enquanto se pontifica somente no IGP-M, visto que o IPCA está acomodado pela inércia da atividade econômica.

Promover excesso de liquidez no mercado à vista com oferta de leilões em volume maior certamente deprimiriam as pressões de alta do mercado, ainda que não fossem totalmente absorvidas. Aliás, em dado momento o Presidente do BC salientou que é melhor a percepção de excesso de liquidez do que de falta, e este é um bom sinal.

Atitude, firmeza e determinação incisiva na atuação servirão de alerta aos movimentos especulativos desgastantes para a formação do preço da moeda americana no nosso mercado.

É fundamental, imprescindível mesmo que o governo coíba deteriorações excessivas em ativos relevantes na economia e que podem ser evitadas/administradas e agir pontualmente deixando de se esquivar com o argumento de que “o câmbio é flutuante”, quando sabidamente na grande maioria das vezes é fundamentalmente de especulação, consequente do fato da alta liquidez do real no mercado de derivativos no exterior.

O Brasil tem perturbações/conturbações e dificuldades que decorrem da grandiosidade da crise, da inércia da atividade econômica, da falta de coesão política com foco no interesse maior do país, da interferência impertinente entre os poderes, etc… mas, deve mitigar de forma precisa e pontual problemas que pode impedir que ocorram por razões intempestivas forjadas em artificialismos que prosperam pelo consentimento passivo.

Câmbio alto não estimula negócios como enganosamente é acreditado, o que promove efetivamente é câmbio equilibrado e equânime com a efetiva situação do país, e o Brasil que tem inúmeros problemas, contraditoriamente tem uma situação de relativo conforto na questão cambial.

O BC divulgou o fluxo cambial até o dia 3 de abril último. Até o encerramento de março o fluxo foi negativo líquido de US$ 6,560 Bi, resultante de negativo expressivo financeiro de US$ 14,862 Bi menos positivo comercial de US$ 8,302 Bi, e, no período de 1º a 3 de abril o fluxo está negativo em US$ 1,725 Bi, com negativo financeiro de US$ 3,231 Bi e positivo comercial de US$ 1,506 Bi.

Até o dia 3 último os bancos registravam montante de posições vendidas de US$ 35,2 Bi que estavam ancoradas em financiamentos concedidos pelo BC (linhas, recompras de títulos soberanos) no total de US$ 21,5 Bi que foram substantivamente aumentadas em março devido a ação da autoridade monetária focando dar suporte à liquidez dos bancos brasileiros na demanda de recursos de curto prazo, abruptamente elevados nos seus custos devido a expressiva alta do CDS Brazil que quase quadruplicou no período de 30 dias, além da natural escassez devido à seletividade dos bancos estrangeiros na concessão das linhas, que representam no momento algo em torno de US$ 14,0 Bi.

No mercado à vista o BC vendeu aos bancos durante o mês de março US$ 10,674 Bi e já em abril até o dia 3 US$ 2,025 Bi.

As reservas cambiais até o dia 3 evidenciam montante de US$ 340,9 Bi.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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