A decisão do COPOM mantendo a taxa SELIC em 7,25% veio em linha com a convicção consensual predominante em todos os setores da economia brasileira e, aumentou a percepção de que esta taxa predominará ao longo de todo o ano de 2013.
No nosso entendimento esta será a taxa até o final de 2013, por ser um marco do governo da Presidenta Dilma que quebrou paradigmas e “dogmas” predominantes no mercado financeiro brasileiro de que a queda acentuada do juro no país provocaria explosão dos índices inflacionários. Portanto, sendo uma conquista deste governo, acreditamos que se a inflação vier a apresentar aquecimento será administrada com medidas prudenciais.
No mercado de câmbio, como o preço do dólar se revela sustentável no intervalo de R$ 2,09/2,10, nos parece certo que o BC deixe ocorrer a liquidação no vencimento, 3 de dezembro, dos 30.000 contratos de “swaps cambiais reversos”, o que determinará uma queda neste preço à partir daquela data, colocando o preço no entorno de R$ 2,07/2,08 ao inicio da 1ª semana de dezembro.
O fluxo cambial deste mês de novembro, até o dia 23 suposto 21 face à estatística focar a liquidação das transações e estas ocorrerem predominantemente D+2, revela saldo positivo de US$ 3,5 Bi, porém merece citação de que na ultima semana só alcançou US$ 24,0 M positivos, retomando, portanto, um contexto muito apertado de liquidez.
É importante relembrar que outubro registrou fluxo cambial negativo de US$ 3,8 Bi e este fato conduziu os bancos autorizados a operar em câmbio a ficar com suas posições no mercado à vista “vendidas” pouco mais de US$ 3,6 Bi.
O fluxo positivo de novembro de US$ 3,5 Bi, portanto, promoveu a redução das posições vendidas dos bancos de em torno de US$ 3,6 Bi para algo próximo de US$ 100,0 M, não representando, desta forma, fato com potencial de repor liquidez confortável para o mercado.
Se a liquidez é estreita sustenta o preço da moeda americana e pode até conduzi-la a alta por si só, mas também por pressionar o mercado de cupom cambial-DDI na sua formação de juro em dólar.
Deste contexto emanou a pressão altista a partir do próprio mercado, que o BC habilmente soube utilizar não promovendo a liquidação antecipada de posições vincendas de “swaps cambiais reversos” até que o preço do dólar atingisse R$ 2,10, novo topo alto da banda, e o fez no momento em que este patamar de preço foi suplantado, na semana passada.
Com a ocorrência da liquidação da posição remanescente de 30.000 contratos de “swaps cambiais reversos” na virada do mês, haverá um efeito venda no mercado de derivativos e isto impactará também no preço do mercado à vista, que assim irá para R$ 2,07/2,08 na próxima semana.
Contudo, dezembro sugere que precisará ser bem monitorado pelo BC na sua administração da taxa cambial, visto que o fluxo cambial é tendente a ficar negativo e com os bancos praticamente nivelados em suas posições no mercado a vista isto exercerá pressão altista sobre o preço da moeda.
Não se pode descartar que em dezembro o BC venha a realizar leilão de venda de dólares à vista no mercado interbancário de câmbio, para suprir liquidez.
É relevante entender que tanto o juro quanto o câmbio estão “sob a administração direta do governo”, focando interesses nacionais já que a conquista do crescimento do PIB brasileiro em 2013 é um grande desafio, muito maior do que se pode imaginar, a despeito das inúmeras projeções de crescimento em torno de 4%, que podem ser muito mais anseios do que tendência realista e fundamentada. Desta forma, juro e câmbio estão imunes às influencias externas e à mercê da gestão a partir de Brasília.
