Análise do Mercado – 28/09/2011

Há uma notória pressão de agentes do mercado buscando a reversão da norma que estabeleceu a incidência do IOF sobre as operações de derivativos.
Neste embate percebe-se um forte “lobby” colocando nas matérias da…

Há uma notória pressão de agentes do mercado buscando a reversão da norma que estabeleceu a incidência do IOF sobre as operações de derivativos.

Neste embate percebe-se um forte “lobby” colocando nas matérias da imprensa especializada pontos de destaque, que vão desde conclamar que o governo permita o retorno dos especuladores para gerar a liquidez faltante nos mercados futuros até transitar pelo contexto de “fofocas”, que vislumbram divergências entre o BC e o Ministério da Fazenda sobre a continuidade ou não do imposto, algo que na prática não demonstra desalinhamento entre as partes, muito pelo contrário.

Desta forma, é compreensível ter normas diferentes para estes momentos diferentes.

Nestes momentos faz-se absolutamente necessária a presença mais constante da autoridade monetária na geração de liquidez, quando esta decorrer de demandas legítimas e fundamentadas, de forma a evitar distorções nos preços indicativos dos ativos envolvidos no mercado de derivativos e que acabam, por inevitável, contaminando o mercado real de divisas afetando seus preços.

O mercado de derivativos brasileiro que foi focado pelo governo ao estabelecer a tributação com o IOF, tem sido ao longo dos últimos anos, o determinante da taxa cambial prevalecente nos negócios, contaminando diretamente a taxa cambial do mercado à vista, que se revelou inquestionavelmente com o real excessivamente apreciado, como consequência da especulação sempre presente em torno do real, conduzindo-o ao destaque de ser a segunda moeda em giro no mercado global.

A medida foi pontual, porém deixou posicionamentos desfavoráveis no mercado de derivativos a alguns “players” e dependentes de liquidez para poder reequacioná-las, e esta, após a criação do IOF de 1% sobre as posições vendidas na forma estabelecida pelo normativo, praticamente desapareceu deste mercado, o que provocou a elevação do preço da moeda americana, que passou a ser pressionada pelos “players” em desconforto e sob risco de relevante prejuízo.

Estes “players” estavam especulando contra o dólar, portanto, “vendidos”, e ficaram carentes de cobertura, o que proporcionou aos bancos um “domínio” sobre a formação do preço da moeda americana e assim rapidamente aviltaram seu preço, e, já “comprados” no mercado à vista e no mercado de “cupom cambial-DDI”, passaram a dar liquidez no mercado de dólar futuro a preços em constante elevação.

Este comportamento, pontual e local, provocou a elevada alta do preço da moeda americana no nosso mercado de câmbio.

Houve por bem, então, o BC em inibir este crescente movimento que poderia exacerbar demasiadamente o preço do dólar, contaminando os preços da economia, ao oferecer liquidez no mercado de derivativos, com a não rolagem de posição vincenda de “swaps cambiais reversos” e oferta de “swap cambial”, medida certeira na causa da elevação, que desta forma retrocedeu rapidamente.

Ainda há um bom montante a ser defendido pelos “players” mal posicionados, e que estão dando sustentação do dólar ao preço em torno de R$ 1,80.

Os bancos, por sua vez, construíram exuberante posição de US$ 12,0 B no mercado de dólar futuro e aguardam, com convicção, a depreciação da moeda americana, já que foram os gestores conscientes da apreciação, sabendo-a insustentável.

Se o BC não fizer outra rodada de oferta de “swap cambial” a moeda terá sustentação no piso de R$ 1,80, mantendo-se volátil em razão dos bancos agirem elevando o preço da moeda americana.

Num ambiente em que cerceou a liquidez, o BC deveria fazer nova rodada de oferta de “swap cambial”, promovendo desta forma um novo ajuste no preço da moeda americana que tenderia a R$ 1,70, preservando assim efeitos nocivos a nossa economia e ao processo inflacionário.

Não estaria beneficiando os especuladores, pois a taxa não cederá antes que seja efetivada a oferta pela autoridade monetária.

Os bancos naturalmente com a taxa cambial retornando a R$ 1,70, procurarão realizar o expressivo lucro, revertendo suas posições “vendidas” no mercado de derivativos

O fluxo cambial da semana já se mostrou negativo em US$ 431,0 M, embora positivo no mês em R$ 8,084 Bi.

O fluxo comercial é que vem dando suporte ao fluxo ao revelar-se positivo em US$ 7,789 Bi o mês enquanto o financeiro responde por tão somente US$ 295,0 M.

O volume de ingressos de exportações reflete saldos já existentes no exterior e que estavam sendo represados pelos exportadores e que, agora, com a taxa cambial elevada tiveram motivação para a internação.

Porém, em perspectiva, vemos o fluxo cambial tornando-se negativo para o Brasil, tanto no comercial quanto no financeiro.

Pelos dados disponíveis, os bancos estão “comprados” no mercado físico de câmbio em torno de US$ 1,5 Bi, assim como no “cupom cambial-DDI” líquidos em US$ 7,0 Bi e “vendidos” líquidos especulativamente no mercado futuro de dólar em US$ 12,2 Bi.

Por outro lado, os “hedge funds” estão “vendidos” líquidos em “cupom cambial-DDI” em US$ 13,4 Bi, posição com que especulavam, e, “comprados” líquidos no mercado futuro de dólar em US$ 10,0 Bi, posição de construíram defensivamente a exposição “vendida” em “cupom cambial” na ponta do dólar.

Continuamos vislumbrando que a moeda americana tende a R$ 1,70 logo após o fechamento do mês, assim como, esperamos que o BC faça oferta de “swap cambial” antes do final do mês.

 

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