Não há clareza sobre o que o BC deseja no mercado de câmbio, pois, embora tenha adotado estratégia com diversidade de ações intervencionistas, na ponta parece que deseja objetivamente manter a moeda estável no entorno de R$ 1,67, sendo o…
Não há clareza sobre o que o BC deseja no mercado de câmbio, pois, embora tenha adotado estratégia com diversidade de ações intervencionistas, na ponta parece que deseja objetivamente manter a moeda estável no entorno de R$ 1,67, sendo o propósito imediato evitar a apreciação do real, mas sem foco na apreciação da moeda americana.
No mercado de câmbio físico à vista, o BC continua com mais do mesmo, ou seja, após uma breve alteração de conduta em janeiro, quando comprou com seus leilões à vista volume menor do que o saldo positivo do fluxo cambial, o que proporcionou que os bancos reduzissem bem suas posições “vendidas”, ficando no entorno de US$ 11,0 Bi, próximo ao objetivado pela autoridade com a imposição de depósitos compulsórios sobre excedentes destas posições a parâmetros definidos a partir de 4 de abril, que seria de US$ 10,0 Bi, retomou, logo na 1ª semana de fevereiro a velha rotina de retirar do mercado mais dólares do que o fluxo positivo evidencia. Assim, com um saldo positivo de fluxo cambial de tão somente US$ 39,0 MM, retirou US$ 2,832 Bi, promovendo assim nova ampliação das posições “vendidas” dos bancos a proximidade de US$ 14,0 Bi.
Esta prática, velha e típica do governo passado, é indutora de movimento de apreciação do real por parte dos bancos.
Nas operações no mercado físico, mas a termo, têm sido muito discreto nos prazos destas operações, praticamente todas de curto prazo, antecedidas por ofertas de “swaps cambiais reversos” no mercado da BM&F que afetam o mercado de cupom cambial e otimizam as bases para que realize as operações de compra física a termo. Mas, como as operações a termo vencem bem antes dos instrumentos financeiros denominados “swaps cambiais reversos”, na ponta vai ficando um estoque acumulativo destes instrumentos financeiros no mercado, que detém forte poder de sustentar movimentos especulativos de apreciação do real, contrariando as expectativas teóricas de formulação destes instrumentos.
Claro nos parece que o objetivo é a estabilidade do preço da moeda no entorno de R$ 1,67, ponto em que ainda é contributivo para o controle das pressões inflacionárias. Volatilidade? Nenhuma, visto que as variações para cima do preço da moeda americana previam as efetivações dos leilões no mercado de câmbio físico com compras a termo ou no mercado futuro com os “swaps cambiais reversos”, são típicas e conhecidas por parte dos bancos para otimizar a formatação de preços destas transações, mas que não se sustentam e posteriormente recuam para o ponto próximo de R$ 1,67. Por ocasião dos vencimentos destas transações, sem que ocorra a concomitância de rolagem, os bancos forçam a apreciação do real para ampliar seus ganhos.
O Boletim FOCUS evidencia esta percepção, ainda que de forma discreta, ao reduzir a projeção do preço da moeda americana para o final do ano, de R$ 1,73 para R$ 1,72, deixando transparecer que não vê nas intervenções do BC potencial para apreciar o preço do dólar. Acreditamos que, gradativamente, salvo movimento mutante mais intenso dos investidores saindo do país, esta projeção deve ser revista para baixo.
Por outro lado, vê menor crescimento ao reduzir a projeção para o PIB de 4,6% para 4,5% e maior inflação ao elevar a projeção de 5,66% para 5,75%, denotando baixa sensibilização, por parte das instituições financeiras, com as medidas mais recentes anunciadas pelo governo, complementando a estratégia de contenção das pressões inflacionárias.
Pura rotina já assimilada. O problema não se resolve com quantidade de intervenções, que acaba causando ruídos negativos, e nem com força, é só uma questão de jeito, de estratégia de ação pontual, não sistêmica, não previsível, caso contrário vira “muita transpiração e pouca ação efetiva resultante”.
Hoje mesmo já marcou duas intervenções com leilões de compra a termo e um “spot”, a moeda tem discreta alta de 0,15%, num dia em que o dólar se fortalece no exterior ante o euro.
O nosso mercado de câmbio físico está precisando de atitude revisional por parte da autoridade monetária, bem como das práticas correlatas ao mesmo.
O grande paradoxo é que temos um mercado de câmbio físico de país subdesenvolvido em sua liberação operacional, confrontando um mercado de derivativos de país desenvolvido, enquanto somos emergentes. Urge que seja feito uma equalização firme com alinhamentos efetivos, caso contrário continuará “fragilizado” operacionalmente no mercado de câmbio físico e teremos que ficar mutilando com normas restritivas o mercado de derivativos, uma formação de preço da moeda imperfeita e intervenções onerosas para o erário por parte do governo, sem atingir os objetivos.
Esta dúvida parece predominar também nos “players”, pois na última semana, nem os bancos e nem os “hedge funds” alteraram suas posições líquidas nos mercados de cupom cambial-DDI e dólar futuro. Bancos tinham no cupom cambial-DDI posição líquida comprada de US$ 4,8 Bi e no dólar futuro, também comprado de US$ 2,8 Bi, e assim permanecem há uma semana. “Hedge funds” tinha no cupom cambial-DDI posição líquida vendida de US$ 5,2 Bi e no futuro de dólar vendido de US$ 6,5 Bi, e assim permanecem, também, há uma semana.
Nossa balança comercial registrou superávit de US$ 548,0 MM na segunda semana de fevereiro, acumulando no mês US$ 980,0 MM.
É preciso atentar para um movimento de saída de investidores em renda variável do país, não se deixando enganar com a expressividade do saldo do fluxo cambial de janeiro, que foi construído com recursos de captações externas por parte de empresas. A melhora das perspectivas nos países desenvolvidos parece estar atraindo os investidores, em detrimento dos países emergentes, que enfrentam agora problemas com a inflação decorrente do ritmo de crescimento no período imediato após crise de 2008.
A China assumiu a condição de 2ª maior economia mundial, com o Japão tendo crescido somente 3,9% em 2010.
Os Estados Unidos prenunciam corte substantivo no déficit já a partir de 2012, quando objetiva reduzi-lo de US$ 1,645 Tri no ano fiscal de 2011 para US$ 1,1 Tri e num plano para o decênio reduzi-lo no total em US$ 1,1 Tri. Isto pode sinalizar fim de inúmeras benesses governamentais.
Passado o efeito EGITO que fez com que as bolsas, inclusive a nossa Bovespa, reagissem com fortes altas, como se todos os problemas globais tivessem ali encontrado solução, hoje ocorre a volta à realidade, com a BOVESPA volátil com viés de baixa, enquanto Wall Street também opera sem tendências claras.
Os T-Bills de 10 anos apontam rentabilidade de 3,65% aa. O petróleo está sendo cotado a US$ 85,56 o barril na Nymex. O euro é cotado a US$ 1,3455.
