Câmbio News

Análise do Mercado – 14/01/2013

O cenário para a economia brasileira surpreende ao tornar-se complexo logo ao início do ano, quebrando o largo otimismo que predominava nas projeções prospectivas formuladas por inúmeros analistas ao final do ano.

E o mais preocupante é que estamos chegando tão somente à 1ª quinzena do ano.

A inflação fechou o ano de 2012 em nível bastante elevado de 5,84% e, enquanto o governo vislumbra um cenário que pode convergi-la para tendente ao centro da meta, o mercado financeiro através o Boletim FOCUS em sua mais recente edição, dia 11, a projeta em 5,53% e já há inúmeros economistas projetando-a em torno de 6%.

A despeito deste contexto de agravamento da pressão inflacionária, perdura a convicção de que o COPOM manterá a taxa SELIC de 7,25% ao longo deste ano, o que sugere que o preço da moeda americana seja transformado em “ancora quase principal” da ação de contenção da inflação.

Espera-se então ação de monitoramento contundente do BC sobre o preço da moeda americana, visando fazê-la cumprir esta finalidade.

Contudo, não será tarefa fácil. Os fluxos de recursos externos para o país começam a sinalizar que poderão não ser confortáveis para que a autoridade monetária execute com tranquilidade este objetivo.

Com a economia tendo crescido abaixo de 1% em 2012 e já com um viés acentuado de revisão das projeções realizadas para este ano de 2013, os níveis de IED´s esperados podem sofrer retração.

Há inúmeros países que representam oportunidade de investimentos e que oferecem condições mais atraentes e menos riscos intervencionistas do que o Brasil. A convicção de que o Brasil tem risco de racionamento de energia é real e pode estar subestimado e, embora o governo venha negando, as evidências são fortes e algumas até bastante visíveis.

Matéria de hoje na FSP, assinada por Érica Fraga, destaca que o Brasil perde fundos para outros emergentes, com larga exposição de motivos, em linha com o que temos salientado a respeito da nossa expectativa pouco favorável de fluxos para renda fixa e ações.

Nada sugere que sejamos otimistas em relação a nossa balança comercial. Não conquistamos competitividade nos produtos industrializados e, continuamos dependentes das exportações de “commodities agrícolas e metálicas”, que estão à mercê do comportamento da economia da China, que por sua vez, depende da Europa e dos Estados Unidos.

Como a nossa indústria não investe para aumentar a oferta, devemos continuar importando para complementar a demanda interna.

O Boletim FOCUS do dia 11 indica projeção do preço do US$ para o final do ano em R$ 2,07, porém matéria sobre economia e projeções divulgadas na Revista Época de 31/12/2012, coloca média geral do mercado R$ 2,08, mas ao divulgar projeções isoladas temos Bradesco com R$ 2,10; HSBC com R$ 2,30; Itaú BBA com R$ 2,15; MB Associados com R$ 2,00; MCM Consultores com R$ 2,20; Santander com R$ 2,25 e Tendências Consultoria com R$ 2,20.

Em meados de dezembro divulgamos que a nossa projeção para o US$-2013 é de R$ 2,30 e para o PIB 2,50%.

Como já destacamos anteriormente não vemos um cenário tranquilo para o mercado de câmbio ao longo do ano.

Vemos o BC com grande atividade de intervenções no mercado tentando balizar preço da moeda americana ao longo do ano e, se o fluxo trouxer o desconforto que vislumbramos certamente haverá pressão altista forte sobre a formação do preço, como visto recentemente em dezembro e, será até mais relevante, visto que já não existirão algumas “amarras” que foram revertidas pelo BC ao final do ano de 2012.

 


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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