Análise do Mercado – 12/07/2011

Um acirramento no conjunto de contextos ruins na economia mundial elevou muito e ao mesmo momento o grau de incertezas, e como consequência as bolsas mundiais “derreteram os preços das ações” e as “commodities” repercutiram negativamente…

Um acirramento no conjunto de contextos ruins na economia mundial elevou muito e ao mesmo momento o grau de incertezas, e como consequência as bolsas mundiais “derreteram os preços das ações” e as “commodities” repercutiram negativamente, enquanto, os T-Bills americanos sofreram valorização e fecharam suas curvas de juros “yeld” e o Euro deu um forte “mergulho” ante a moeda americana. O ouro permaneceu relativamente estável, porém o futuro para agosto registrou alta de US$ 2,80 cotado a US$ 1,552.00 a onça troy.

Não faltaram motivos!

A crise européia parece cada vez mais distanciar-se de uma solução que recomponha situação de conforto, pois ainda nem bem amenizada a situação da Grécia, pois solução é algo improvável, com Portugal e Irlanda na “fila do ambulatório”, ressurge a insegurança sobre a solvência da Espanha e, surgem preocupações novas envolvendo a capacidade de liquidez da Itália, 3ª maior economia da Europa.

Consequência, um desajuste geral no comportamento das bolsas européias e nos juros dos títulos destes países, exportando intranquilidade para todos os demais mercados mundiais.

Todos sabem que a Itália não é a Grécia, mas na mesma medida em que consideram a sua capacidade de superação, consideram também que um “default” dela teria muito maior repercussão.

Em termos de rendimento oferecido nos papéis, a Itália já está sendo exigida e se aproximando dos ofertados por Espanha, Portugal e Irlanda. Ontem, a Itália fez um leilão de Euros 6,75 Bi, que foi tomado pelo mercado mediante um “yeld” de 3,67% ante 2,147% do leilão anterior. A dívida pública da Itália equivale a 120% do PIB, sendo menor somente em relação à da Grécia que equivale a 150% do PIB.

Já há rumores também a respeito da Bélgica.

A reunião dos Ministros de Finanças da zona do euro realizada ontem em Bruxelas não alcançou avanços com relação ao segundo pacote de resgate à Grécia, propondo contudo uma série de medidas para evitar um possível contágio, que estão sendo vistas de forma reticente pelo mercado, o que pode levar o euro a não sustentar preço frente a moeda americana.

Há um “sentimento” crescente no mercado e até expressado por autoridades que é a possibilidade da crise da dívida na Europa se espalhar pelo mundo afora, não poupando nem os países emergentes.

Nos Estados Unidos, tempos difíceis de negociação do teto de endividamento, com o Partido Republicano “jogando pesado” com o Partido Democrata e, por conseguinte, com o Governo Obama. O risco de uma moratória americana traria abalos mais intensos ainda a economia mundial, muito embora se acredite que os republicanos estejam tirando o melhor proveito da situação para ter atendidas as reivindicações de contenção de gastos, e que, na proximidade do final do mês, para evitar o colapso as partes se entenderão cedendo cada lado um pouco, ou definindo uma postergação por acordo temporário.

O Presidente Obama se comprometeu a reunir-se diariamente com os congressistas visando obter um acordo.

Embora a economia americana não consiga dar sinais promissores de reabilitação e o governo esteja pressionado pela oposição colocando-o em risco de “default”, fica evidente que o mundo ainda não descobriu sucedâneo mais confiável do que o dólar e os T-Bills como reserva de valor nos momentos de crise aguda.

O dólar caiu a US$ 1,39 ante o euro ontem, e a rentabilidade dos T-Bills de 10 anos, dada a valorização ocorrida, caiu até 2,87%, com a valorização dos títulos.

Hoje foi anunciado que o déficit comercial americano cresceu 15,1% em maio ao registrar US$ 50,2 Bi ante abril, quando registrou US$ 43,6 Bi. A projeção dos analistas era de déficit de US$ 44,0 Bi.

Na China a concessão de empréstimos cresceu 15% em junho em relação a maio e pode determinar novas medidas de política monetária. O mundo começa a analisar mais detidamente as empresas chinesas e detecta fraqueza em governança corporativa, má qualidade dos lucros, estratégias de rápido crescimento de negócios e modelos de negócios opacos.

No Japão, o governo manteve a taxa de juro inalterada entre zero e 0,1%, procedendo a uma revisão para o desempenho da economia em 2011 de 0,6% para 0,4%.

As bolsas asiáticas e européias operaram e operam no negativo, enquanto as bolsas americanas abriram com volatilidade, mas com viés tendente a retomar o negativo, até porque o nível de preocupação persiste, visto que os T-Bills tinham previsão de abertura com rentabilidade “yeld” de 2,92% e já recuaram para 2,89%. O dólar é cotado a US$ 1,3984 frente ao euro e US$ 1,5865 frente a libra esterlina. O petróleo abriu cotado a US$ 94,43 o barril na Nymex. E agora sobe a USD 95,85.

E no Brasil?

A Bovespa reagiu em linha direta com o exterior e desabou junto e hoje, estando na linha dos 60.000 pontos, com papéis com preços baixos e atraentes insinua uma discreta recuperação, podendo até ficar descolada do exterior, mas com volatilidade.

Tendo em vista a “fartura” de noticias ruins oriundas do exterior, fica difícil estabelecer-se um grau de impacto da medida do BC, divulgada na ultima sexta-feira, impondo aos bancos a redução das posições “vendidas” por instituição de US$ 3,0 Bi para US$ 1,0 Bi.

Contudo, não se deve ao não identificar-se com clareza o impacto, minimiza-la, pois pode se revelar um equívoco.

A consequência visível e consistente foi a repercussão no juro do cupom cambial-DDI. A volatilidade levou o juro em dólar a oscilar de 2,2% a 6,2%, para depois recuar a 5,0%, nos contratos curtíssimos para final do mês, enquanto no FRA abriu a 3,52% e chegou a 5,0%.

Esta é uma evidência de que o mercado sentiu e repercutiu.

O giro no interbancário se elevou atingindo US$ 2,2 Bi, elevado para os tempos atuais e distante dos US$ 4,0 ou pouco mais composto em grande parte por giro manipulado para afetar a formação da PTax de um passado recente.

Não se pode considerar baixo um ajuste de redução de posições “vendidas” que pode implicar em até US$ 5,0 Bi numa única semana, como estimado pelo BC.

O fluxo cambial conhecido mais recente é negativo e com o BC persistindo nos leilões de compra diários, mesmo que não consiga grandes valores, reduzir US$ 5,0 Bi em 5 dias é uma tarefa desafiadora.

Observamos que, ontem, inicialmente houve como uma certa paralisia nos negócios, como se os “players” estivessem estudando “por onde começar”. No que forçaram a busca de cobertura no mercado físico e encontraram baixa liquidez, o juro em dólar do cupom cambial subiu imediatamente e o preço da moeda subui.

Ficou claro, que será necessário praticar o jogo da paciência, pois várias “pedras do tabuleiro” desde o mercado físico até o derivativos vão ser mexidas, e qualquer precipitação poderá precipitar o “cheque-mate”.

Nos parece que os bancos estão atuando cautelosos e esperam que com a alta do juro do cupom os exportadores se sintam atraídos para arbitrar, como fizeram em abril, e compareçam ao mercado gerando a oferta e liquidez necessária para que reacomodem suas posições “vendidas” nos novos parâmetros.

Do sucesso ou insucesso desta estratégia deverá ocorrer ou não maior pressão também na taxa cambial, além da maior elevação do juro do cupom cambial.

A alteração do cálculo da taxa Ptax e a redução dos limites das posições “vendidas” para US$ 1,0 Bi por instituição nos parecem intervenções técnicas normativas de boa qualidade por parte do BC e com impacto certo no mercado de câmbio e formação de preço da moeda americana, neutralizando parte importante da manipulação e retirando liquidez no mercado físico com repercussões no mercado de derivativos.

 

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