Análise do Mercado – 04/12/2012

O mercado de câmbio está pedindo um leilão de venda à vista no interbancário por parte do Banco Central do Brasil. Este é o diagnóstico que já estava evidente e que se fortaleceu após a bateria de leilões promovidos ontem pela autoridade monetária, mas não exatamente nesta modalidade, por isso não conseguiu a retração da taxa cambial para abaixo dos R$ 2,10.

 

Ao todo o mercado futuro/derivativos teve um impacto de venda, que absorveu, da ordem de US$ 3,59 Bi, o que não é pouco, mas ainda assim o preço da moeda americana que até insinuou uma baixa mais intensa, acabou tendo sustentabilidade e resistência um pouco acima de R$ 2,11.

Como não obteve sucesso no intento de promover a retração da taxa cambial a R$ 2,10, realizou por último um leilão no mercado de câmbio interbancário, moeda efetiva, conjugando venda à vista com compra a prazo, segundo consta na mídia ofertando até US$ 5,0 Bi, mas isto também não foi suficiente e não evitou que o dólar encerrasse o dia cotado a R$ 2,12.

Tudo indica que, se o BC desejar, a taxa dentro da banda cambial entre R$ 2,05 a R$ 2,10, terá que, suplementarmente, realizar leilão de venda de divisas efetivas no mercado de câmbio interbancário a vista, e logo.

Os bancos até o dia 23, com base nos dados do BC, estavam discretamente vendidos no mercado de câmbio à vista pouco acima de US$ 100,0 M. Os números do fluxo cambial foram muito ruins no mês de outubro com US$ 3,8 Bi negativo, e a melhora havida em novembro com fluxo positivo em torno de US$ 3,6 Bi, não foi bastante para suprir com liquidez o segmento à vista do mercado, tão somente neutralizou a perda havida em outubro.

A queda da liquidez no mercado à vista, consequente da queda do fluxo cambial, acaba por influenciar o mercado futuro/derivativos de dólar, que passa a operar taxa de juro dólar muito desfavorável à dinâmica dos negócios.

Parece que há certo constrangimento por parte do BC em realizar leilão de venda à vista no mercado interbancário, que deixaria absolutamente evidente que o país já está convivendo com uma queda no ingresso de divisas, que é a realidade, mas poderia deixar um certo desconforto, primeiro porque alardeamos a dita “guerra cambial” e o “tsunami” e está ocorrendo o contrário e segundo, porque poderia ser precipitadamente posto como consequência do PIB desapontador do 3º trimestre e a nova perspectiva de crescimento de 1% neste ano e algo como 2,5% no ano de 2013.

Desde outubro temos mencionado a absoluta necessidade do BC e MF rever algumas “amarras” impostas e que promoveram a contração do fluxo cambial, e que as autoridades precisavam ser proativas para que não tivéssemos a consolidação da tendência de fluxo cambial negativo avançando para 2013.

Mencionamos e sugerimos a liberação do prazo dos pagamentos antecipados dos 360 dias para 540 dias ou 720 dias, tendo em vista que este é um canal de forte ingresso de divisas que em grande parte é utilizada para antecipação de recursos como financiamento aos fornecedores das “commodities” para as grandes empresas exportadoras multinacionais.

O BC hoje através a Circular 3.617 desta data divulgou o relaxamento desta amarra, indo além das nossas expectativas, permitindo que atinjam até 1.800 dias, ou seja, 5 anos, sendo necessário que para os prazos acima de 360 dias sejam realizados os RDE-ROF junto ao BC.

Mudança importante que deve melhorar o fluxo de ingressos de recursos para o país e que tende a melhorar a liquidez no mercado a vista de câmbio.

Esperamos ainda que o BC/MF reduzam o prazo para os empréstimos sujeitos ao IOF de 6% de 2 anos para 1 ano ou menos, pois esta é uma época de definição da tomada destes recursos pelas empresas nos seus planejamentos para 2013. Se não o fizer agora poderá ter que tomar esta decisão mais adiante de forma tardia, comprometendo o interesse das empresas.

É fundamental que o BC foque com rigor medidas de recomposição do fluxo cambial ao perfil positivo, aliviando estes obstáculos, que, no nosso entender, já não viriam para o país com características especulativas, até porque grande parte da atratividade que o Brasil despertava num passado recente já não desperta neste momento.

Deve manter vigilância sobre os derivativos, centro nervoso da especulação, que hoje também oferece menores possibilidades de ganho fácil, os juros são bem menores e o dólar tem seu preço administrado pelo governo.

Em novembro, a balança comercial revelou déficit de US$ 186,0 M. Este é o pior resultado para os meses de novembro desde 2000 e o segundo resultado negativo no ano.

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