Nos Estados Unidos, o Senado deverá aprovar hoje ao meio dia, após aprovação ontem na Câmara, o “acordo possível” que “atenua mas não cura” os problemas presentes no país, e, acaba dando sustentação ao forte viés de desconfiança sobre a…
Nos Estados Unidos, o Senado deverá aprovar hoje ao meio dia, após aprovação ontem na Câmara, o “acordo possível” que “atenua mas não cura” os problemas presentes no país, e, acaba dando sustentação ao forte viés de desconfiança sobre a capacidade de cumprimento do mesmo e, deixa de resto, uma preocupação adicional de risco de recessão na maior economia mundial.
Autoriza um aumento de US$ 2,1 Tri sobre os US$ 14,3 Tri de endividamento atual até 2013, sem permitir o restabelecimento dos impostos sobre as grandes fortunas retirado pelo Presidente antecessor, republicano, Bush, e impondo cortes imediatos da ordem de US$ 900,0 Bi e mais US$ 1,5 Tri em 10 anos, com base em definições que deverão ser adotadas por um comitê bi-partidário a partir de novembro próximo, quando se espera nova rodada de confrontos.
Restou o consolo ao presidente Obama de ter conseguido preservar os programas sociais essenciais.
O Presidente Obama não conseguiu alcançar seus objetivos de reestabelecer os tributos para os mais ricos, com isto criar fonte adicional de recursos, e, teve que aceitar um acordo distante do objetivado, já que não tem maioria na Câmara, e a disputa entre republicanos e democratas assumiu características basicamente políticas com foco na eleição presidencial do próximo ano, em detrimento dos interesses maiores da nação americana, que foi levada a um desgaste forte no mercado global, deixando evidente que o país tem grande dificuldade em gerir seu expressivo déficit.
O fato em si e a forma com que se desenvolveu e no que resultou pode sugerir para as agências de rating um “downgrade” para os Estados Unidos, mas é possível que isto não venha a ocorrer, pois seria tumultuar mais ainda um cenário que está precisando de fatos que o fortaleçam, o que não seria o caso.
Afinal, todo o cenário convivido pela comunidade mundial deixou claro o fato de que a economia americana terá maiores dificuldades na recuperação, e, que este fato repercutirá em todas as demais economias.
A rigor, pouco ou quase nada há a comemorar, simplesmente o fato de que poderia ser pior sem o acordo, mas não cabem reações otimistas e entusiasmadas.
Nos mercados futuros as bolsas americanas sinalizavam abertura em tendência de queda, com os T-Bills indicando valorização e consequente fechamento das curvas de juros “yeld” e com o ouro em alta, denotando postura de precaução por parte dos investidores.
Com a Europa tendente ao agravamento da sua crise, com economias importantes como Espanha e Itália tendo que pagar juros mais elevados para a colocação dos seus papéis, e, a Grécia tendo repetidos rebaixamentos num sinal claro de descrédito em torno do acordo formalizado pelos ministros europeus para resgatá-la da possibilidade de “default”, com reflexos imediatos em cadeia contaminando as demais economias fragilizadas da região e comprometendo a credibilidade do Euro e até passando o risco de rupturas de alguns países com a euro-zona, não há clareza sobre quem esta pior, os Estados Unidos ou o Velho Continente.
Mas, na busca do melhor risco ainda predomina a opção dos T-Bills americanos, e, assim o dólar abriu hoje sinalizando valorização ante o Euro.
O contexto no geral não sugere que a moeda americana naufrague, como ocorreu anteriormente, tornando as “commodities” alternativa para os investidores, visto que a debilidade das economias americanas e européias, em tese, devem determinar queda dos preços da “commodities”, pois a China isoladamente, sem ter a ponta de exportação incrementada, certamente não será suficiente para sustentar os preços deste segmento.
Em momentos de incerteza, os investidores tendem a buscar a segurança em detrimento da rentabilidade, por isso, acreditamos que não devemos ter fortes expectativas de deslocamentos de recursos para o Brasil, provavelmente, ocorra exatamente o inverso, tenhamos um movimento de saída, pois a cautela e precaução sugere que a liquidez nestes momentos seja priorizada pelos grandes investidores, até porque, o governo americano não terá condições de retomar a distribuição das benesses, como fez desde a crise iniciada em 2008 e cujo programa foi encerrado em junho ultimo.
Há um ponto de interrogação que poderá ser desvendado nas próximas semanas, por ora tudo será conjectura e não certeza ou tendência sustentável.
No Brasil, o governo de forma tardia e, certamente, percebendo que os “ventos estão mudando” anunciará um plano de estímulos a indústria nacional em forte processo de desindustrialização, visando recompor sua competitividade e capacidade exportadora e sua defesa.
As medidas deverão alcançar setores como o automotivo, têxtil, calçados, máquinas, químico e de inovação, além de incentivos a produtos industrializados para exportações e uma política de defesa comercial.
Não se espera nada magnânimo, visto que o governo é sagaz para onerar e tímido para desonerar.
O relevante grau de desindustrialização ocorre não somente pela substituição do produto de consumo nacional pelo importado, mas principalmente pelo valor agregado dos produtos nacionais, que perderam muito do “made in Brazil”, visto que a mensuração do crescimento da produção da indústria nacional tem servido para encobrir a desindustrialização, mas é importante ressaltar que não é uma questão quantitativa mas sim qualitativa.
A performance dos preços das “commodities” encobriu o “desaparecimento” da indústria não agrícola na pauta exportadora, pois o aumento do volume e preço da primeira compensou a queda da segunda. Hoje somos quase que um país exportador “colonial”, pois prepondera a exportação de matérias primas.
Cenário externo eivado de incertezas e dúvidas agravadas sugere cautela no mercado de câmbio, e, consideramos que há riscos relevantes no mercado de derivativos, o que pode levar a um melhor entendimento agora das medidas recentes do governo, prudenciais quanto ao aspecto de riscos presentes, amparadas por imposição de tributos desincentivadores a expansão e que, na margem, “recomendavam” a diminuição das exposições a variação cambial, principalmente as apostas excessivas na apreciação do real.
Num cenário macro-econômico mundial desfavorável não há como os emergentes, por melhor que pareçam estar, permanecerem imunes as trepidações e volatilidades, e, desta vez, com certeza, os Estados Unidos não “inundarão” o mercado financeiro mundial com fartos recursos, que acabam por fomentar os mercados dos emergentes.
Como temos dito, é preciso fortalecer a sensatez e a cautela, pois efetivamente “há perigos na esquina”!
