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Análise do Mercado – 01/08/2011

Nos Estados Unidos, tudo caminha para um acordo obtido com forte característica de “chantagem política”, onde, inquestionavelmente, o Presidente Obama sai derrotado, mas não se pode ainda afirmar que os republicanos sejam efetivos…

Nos Estados Unidos, tudo caminha para um acordo obtido com forte característica de “chantagem política”, onde, inquestionavelmente, o Presidente Obama sai derrotado, mas não se pode ainda afirmar que os republicanos sejam efetivos ganhadores, pois pode ter sido uma vitória de “pirro”, já que os reflexos negativos que devem colher politicamente, ao expor os Estados Unidos a um choque de descrédito e quase “default”, demonstraram insensatez altamente comprometedora ao pais.

Posterga, mas não resolve. Afinal, após 25 meses de intensa política monetária focando a recuperação econômica do país sem sucesso, os dirigentes políticos deveriam estar unidos para buscar formas de viabilização do soerguimento econômico do país, que necessariamente precisa re-estimular a atividade produtiva a investir, gerando emprego e renda, sem o que tudo o mais será absolutamente inócuo.

Ao que tudo indica para atender os cortes orçamentários deverá ocorrer um forte aperto fiscal, o que, certamente, deverá impactar na capacidade de incentivar a sua economia e mercado interno e na demanda mundial do país, e neste ambiente de contração, ainda reduzir os programas sociais.

Se os Estados Unidos continuarem seguindo debilitados, inevitável que este fato vai repercutir na economia mundial como um todo, desde nas tidas como desenvolvidas quanto nas emergentes.

Comprar menos e vender mais ao exterior, esta será a receita da saída, agora uma necessidade agravada, o que pode determinar uma apreciação mais intensa da moeda americana que, mais do que nunca, será o seu instrumento de fomento a sua atividade econômica.

E, certamente, a pressão sobre a China será intensificada nas discussões sobre a relação paritária entre dólar e Yuan.

E, poderá ficar pior, caso as agências de ratings decidam aplicar um “downgrade” aos Estados Unidos.

Os mercados mundiais tiveram hoje uma reação “emocional” pelo alívio do acordo possível, mas nos Estados Unidos, a reação positiva durou poucos minutos, pois entre a realidade do acordo e a realidade da economia do pais, ficou a sensação de que o primeiro é insatisfatório e a segunda, que já estava capengante, agora poderá encontrar maiores dificuldades.

O Dow Jones oscilou 200 pontos em 30 minutos e subiu quase 140 pontos para depois desabar quase 60 pontos, no exato momento em que, quebrando o encanto do acordo, foi divulgado o ISM, importante índice de produção, caindo de 55,3 pontos em junho para 50,9 pontos em julho, ante uma projeção de 54,0 pontos.

E como a Europa parece aprofundar-se na percepção de que acordos de sustentação das economias debilitadas pelos desmandos fiscais não são suficientes para restabelecer a normalidade, já que há um clima de absoluta desconfiança na capacidade gestora dos países em dificuldades, já com sinais de que Espanha e Itália, além de Portugal e Irlanda já na mira e Grécia, problema concreto, acentuam os problemas, convive com um ambiente decadente na credibilidade dos integrantes da comunidade, reavivando os receios de agravamentos que possam conspirar sobre a continuidade do Euro.

De quebra, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) para a indústria de transformação da zona do euro atingiu o nível mais baixo em julho desde outubro de 2009, quando ocorreram os primeiros sinais de recuperação. O indicador caiu de 52,0 pontos em junho para 50,4 pontos em julho.

Como tanto Estados Unidos quanto Europa estão em situação preocupante, o dólar até sinalizou uma tendência de queda ante o Euro, mas já reverteu, e, por mais contraditório que possa parecer, os T-Bills americanos que deram uma “relaxada” no inicio dos negócios, já se valorizam e fecham suas curvas de juros “yeld”.

Enfim, o mercado global que teve uma reação positiva “emocional”, já caiu na real e opera no campo negativo.

No Brasil, a BOVESPA reagiu em linha com o comportamento das bolsas americanas, operando, agora, em baixa.

No mercado de câmbio, após uma bem sucedida estratégia dos “vendidos” no mercado de derivativos na ultima sexta-feira, quando a despeito das limitações de espaços operacionais lograram sucesso e impuseram apreciação de 0,76% ao real, após dois dias seguidos de depreciação decorrentes das recentes medidas adotadas pelo governo focando o mercado de derivativos.

“Vendidos”, em especial os “hedge funds”, mantiveram suas posições líquidas em torno de US$ 20,64 Bi, porém é importante observar-se também a resultante de hoje, pois a aparente pouca disposição a reduzi-las pode ser reflexo, também, da falta de liquidez que viabilize esta possibilidade. Afinal, para a zeragem precisam “comprar” de alguém, e aos preços atuais pode não ser tarefa fácil.

O cenário global e a reação do mercado americano pós-sinalização do acordo possível sugerem cautela, portanto, as perspectivas podem ser forte indutor a tomada de decisão de forçarem um movimento de reversão destas posições.

Pode ser enganosa a hipótese de que com o quadro externo das principais economias deterioradas, os emergentes sejam opção para os investidores, pois num ambiente global com predominância de incertezas agravadas, impossibilidade do governo americano praticar benesses, muito pelo contrário, a opção dos investidores pode ser pela segurança e não pela rentabilidade ou mesmo podem optar pela liquidez de caixa, e isto pode provocar saída de investimentos de risco nos países emergentes.

Reflexos negativos sobre os preços das “commodities” poderão ocorrer como fato normal num ambiente recessivo.

Portanto, poderemos ter riscos efetivos para os “players” posicionados vendidos no mercado de derivativos, e dependente da reação no movimento reversivo, a taxa cambial poderá ser impactada com o real sendo depreciado, com reflexos no mercado a vista.

Não devemos descuidar, “há perigo na esquina!”.

 

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