Os dados da China frustrando expectativas sobre o dinamismo do seu crescimento acentuaram a preocupação de que a economia mundial esteja desacelerando.
A este fato, se agregou os Estados Unidos com o fraco numero de geração de emprego (payroll) de sexta-feira, induzindo raciocínio na mesma direção.
Da Europa também surgiram dados desapontadores.
Os preços das “commodities” caíram fortemente, e isto afeta o Brasil. O destaque entre os metais foi o ouro que despencou 9,3%, maior queda percentual desde 1983.
Neste ambiente desapontador e que era repercutido pelo comportamento dos inúmeros segmentos do mercado global, ocorreu a explosão das bombas em Boston, criando os temores inerentes e causando os efeitos imediatos consequentes, sempre com um conteúdo especulativo.
No todo, fica aquela sensação de que ainda estamos afundando. Após quase sete anos que a crise financeira assolou o mundo, os países ditos desenvolvidos continuam mal e, isto passa a afetar até o melhor dos emergentes na sua performance, se bem que parte vem sendo atribuída a austeridade excessiva imposta por seu governo.
A China é o maior comprador de “commodities” do Brasil e um recuo repercute na BM&FBovespa e, nas expectativas de fluxo cambial oriundo das exportações brasileiras.
Num ano em que até a segunda semana de abril, a nossa balança comercial revela déficit de US$ 4,21 Bi e o nosso fluxo cambial segue a mesma linha negativa totalizando até a primeira semana de abril US$ 2,16 Bi, enquanto os bancos vêm operando com posições “vendidas” no mercado à vista em torno de US$ 8,4 Bi, tudo que comprometa mais a perspectiva de ingresso de recursos externos deve ser preocupante.
Por isso, temos insistido no ponto de vista que o BC/MF devesse eliminar as barreiras tarifárias impostas com o IOF para o ingresso de recursos estrangeiros para aplicação em renda fixa e variável e, também, reduzir o prazo dos empréstimos que os submete à tributação, deixando o país apto a receber os recursos oriundos do programa do Japão que está motivando expressiva liquidez no mercado internacional.
A captação de recursos de médio/longo prazo está se acentuando por parte de empresas brasileiras, valendo-se da liquidez farta e da queda do juro no mercado internacional.
Mas, acreditamos, deveríamos ser mais agressivos buscando usufruir esta oportunidade para dinamizar a nossa BM&FBovespa e o mercado de títulos de renda fixa.
Esta atitude seria muito importante num momento em que o BC/MF busca monitorar o preço do real apreciado para que seja contributivo para o controle da inflação e, para que o faça com conforto do fluxo favorável, visto que num ambiente de ingressos adversos pode ter dificuldades em exercer bem a administração do preço, sem frequente intervenção para evitar a volatilidade.
Ainda, restará o risco de o real ser apreciado por influencia das operações de derivativos realizados no mercado externo, opção na continuidade do agravo sobre os ingressos efetivos no país, e o BC/MF perderem o controle efetivo da administração do preço.
A opção do BC elevar o juro SELIC na reunião do COPOM que se inicia hoje pode não trazer os efeitos contingenciadores da pressão inflacionária, mas pelo que se observa, visará fundamentalmente a reconquista da credibilidade de que é independente, perante o mercado financeiro.
O Brasil tem presente o sério e relevante problema da inflação e uma nebulosa perspectiva de crescimento. Embora a Presidenta Dilma venha salientando que o combate a inflação não pode colocar em risco o crescimento, esta é uma equação que a história tem demonstrado que não fecha, sendo necessária que uma das duas se torne prioridade, sob risco do insucesso absoluto.
Hoje, o efeito “bomba de Boston” deverá ser expurgado e teremos os reposicionamentos dos mercados, o dólar deverá depreciar-se no nosso mercado, não pelo fluxo, mas pela perspectiva de que o fluxo cambial melhore com a liquidez externa e, que o BC/MF adotem medidas para abrir a “janela de ingresso” dos recursos, que poderão ser, ao apreciar o real, mais efetivos contra a inflação do que elevação do juro.
