As expectativas continuam piorando e reverter este estado de coisas é o grande desafio para o BC perante o mercado.
O sentimento predominante no mercado financeiro, nem sempre exposto de forma publica vem piorando semana após semana e, o Boletim FOCUS ainda capta das entidades financeiras projeções econômicas “light” para divulgação, porém ainda que não expresse o sentimento real e efetivo, aponta um viés de piora.
Na edição divulgada hoje, datada de 25 último, o FOCUS, mais uma vez, coloca a projeção de inflação para 2013 em alta, agora 5,67% ante 5,65% anterior e, piora a projeção para o PIB reduzindo-a de 3,19% para 3,10%, valendo lembrar que 4 semanas atrás era de 3,30%. Da mesma forma, reduziu a projeção para a produção industrial, agora crescimento de 3,10% ante 3,24% anterior, 4 semanas atrás 3,50%.
Já há inúmeras projeções de crescimento do PIB abaixo de 3,0%; IPCA acima de 6,0% e reconhecidamente o numero do crescimento da produção industrial está extremamente exacerbado ante a realidade presente.
A projeção do mercado a respeito do preço do dólar para o final do ano em R$ 2,07 parece distante da realidade possível, mas reproduz um alinhamento “disciplinar” dos agentes face à administração que vem sendo imposta pelo Banco Central do Brasil na formação do preço da moeda americana.
Temos destacado com frequência a perda de atratividade do nosso país para aplicações em renda variável e renda fixa e, até mesmo uma queda no volume de IED´s, que complementarmente a um desempenho sem brilho da nossa balança comercial, conduzirá o fluxo cambial a um comportamento desfavorável neste ano de 2013 ou muito apertado e, que inevitavelmente provocará pressão sobre o preço da moeda americana.
Recentemente matérias jornalísticas com quantificação de volumes e detalhamento de motivos e razões têm indicado que fundos estrangeiros vêm direcionando recursos para outros países emergentes em detrimento do Brasil. A FSP, em matéria de Érica Fraga, abordou o tema e destacou que o Brasil vem perdendo recursos para o México, Rússia, Turquia e Tailândia. Hoje o Valor Econômico reproduz matéria da Bloomberg, assinada por Selcuk Gokoluk, destacando que o investidor japonês, tradicional e quase cativo investidor no Brasil, está trocando o Brasil pela Turquia.
Isto, abordando a postura do investidor estrangeiro em relação ao Brasil. Porém, merece destaque a matéria, também do Valor Econômico, de hoje, que aponta que os investidores brasileiros estão optando em considerável volume por investir no exterior em detrimento do investimento local.
A despeito da “mão pesada” do BC sobre o mercado de câmbio e a utilização do preço da moeda americana como fator importante na contenção das fortes pressões inflacionárias presentes, não se pode deixar de considerar os fatores próprios do mercado e prioritariamente o fluxo cambial.
Com baixo fluxo cambial a pressão natural sobre a taxa cambial se acentua, e exige da autoridade monetária que está executando a administração uma série de intervenções no mercado, tanto buscando resolver a pressão no mercado à vista quanto às pressões consequentes no mercado futuro decorrentes da baixa oferta no à vista.
A volatilidade é consequência natural, inevitável mesmo, principalmente se houver a resistência da autoridade monetária em atender o mercado com ofertas de dólares à vista, reduzindo as nossas reservas cambiais.
Em razão desta expectativa pouco favorável sobre o cenário prospectivo para o mercado de câmbio, é que vislumbramos o dólar com preço mais alto para o final do ano e consideramos que a taxa atual da moeda americana é pontual neste momento em que o BC ainda consegue impor com tranquilidade sua administração do preço.
No nosso entendimento, face às expectativas, a taxa atual em torno de R$ 2,03 já evidencia o real apreciado, pois já estamos convivendo com um cenário de fluxo cambial negativo, que justificaria um preço mais elevado. Este contraditório é fruto da administração do preço por parte do BC, contudo, contudo é bastante improvável que seja sustentável em perspectiva.
