O mundo financeiro global em alguns momentos repercute com intensidade a realidade da crise instalada, principalmente na Europa e, também, nos Estados Unidos, e em outros procura “conviver” na margem com o cenário quase caótico…
O mundo financeiro global em alguns momentos repercute com intensidade a realidade da crise instalada, principalmente na Europa e, também, nos Estados Unidos, e em outros procura “conviver” na margem com o cenário quase caótico predominante, e, com isto, acentua de forma contumaz a volatilidade, já que não há fundamentos para otimismo, muito pelo contrário, se existem alguns é para o negativismo, face às incertezas presentes.
A Itália é a 8ª economia do mundo e o maior mercado de títulos da Europa.
Mas o fato preocupante é que a dinâmica de agravamento da crise persiste e aproxima-se da França, que hoje pela manhã atingiu 164 pontos sobre a taxa de referência que é a da Alemanha. Por volta das 7:30 hs na Europa os títulos de 10 anos da França pagavam juro de 3,395% ante 1,760% da Alemanha.
A França vem sendo observada pelas agências de “rating” que demonstram tendência a cortar o seu conceito AAA, e para defender-se deste risco anunciou um plano de cortes orçamentários ambicioso da ordem de Euros 65,0 Bi, mas há muita desconfiança sobre a sua capacidade de cumpri-lo, e mais, o seu sistema bancário está muito vulnerável à crise, face à elevadíssima exposição com títulos em carteira das economias europeias em crise mais acentuada.
Se a França vier a sofrer algum ataque especulativo, restará então a Alemanha como única economia forte da eurozona, tendo que assumir a tutela da moeda da região.
Como se vê, não dá mais para considerar-se a crise europeia à margem da dinâmica dos mercados financeiros e cultivar-se ondas de otimismo consubstanciada em um dado ou outro.
A crise europeia é, provavelmente, problema para uma década, e, com os vasos comunicantes existentes com a economia americana, já cambaleante, a predominância de ambiente recessivo nestas economias é bastante provável, o que, impactará na Ásia, incluindo a China e países emergentes.
Portanto, “lactu sensu”, não há razões para projeções otimistas em relação às bolsas de valores, “commodities”, fortalecimento de investimentos empresariais, aberturas de capital, etc. O momento e a perspectiva de curto e médio prazos tende a ser de posturas defensivas face ao natural baixo crescimento das economias.
Podemos esperar acomodações, ainda que frágeis e dependentes da capacidade de gestão de cada país, mas soluções não têm, porque esperar-se sem um duro e longo trajeto de recomposição dos equilíbrios imprescindíveis das situações fiscais dos países europeus e americanos.
A União Europeia anunciou hoje revisão da projeção do crescimento do PIB para 0,5%.
Hoje os mercados globais “alimentam-se” novamente da “esperança” de que uma reunião do BCE encontre os caminhos para a acomodação e atenue as pressões da crise.
Então, voltamos a assistir uma “recuperação” dos mercados acionários, o Euro recupera-se frente ao dólar cotado a US$ 1,3628 alta de 0,72% e os T-Bills americanos de 10 anos perdem valor e abrem sua curva de juros “yeld” para 2,05% após registrar 1,96% na abertura.
No Brasil a BOVESPA “vai na onda” do sobe e desce, mas a rigor não há fundamentos sustentáveis que sugiram otimismo, principalmente olhando-se à frente a perspectiva para as “commodities” e um crescimento de PIB este ano no entorno de 3%, após 7,5% no ano passado.
Cresce a percepção de que o fluxo cambial tende a piorar e que as projeções otimistas de ingressos possam não ser consumadas, e, estando a formação do preço da moeda americana decorrendo preponderantemente do fluxo, com baixíssima ou quase nenhuma influência dos derivativos, tem agora uma propensão latente de ocorrência de altas no preço, toda vez que a demanda se acentuar e, embora com volatilidade, pode ganhar sustentação acima de R$ 1,75, algo que só era previsto para o próximo ano.
Da mesma forma, é notória a convicção do mercado de juro de que o BC poderá surpreender e realizar um corte maior na taxa SELIC, algo que no nosso entendimento já colocado inúmeras vezes deveria ter feito já na reunião passada.
O Brasil precisa ser ousado nas decisões proativas para defesa de um crescimento mínimo, em torno de 3% este ano, mas certamente precisará refazer as projeções para 2012 com duro realismo.
A taxa cambial no próximo ano poderá ir bem além da projetada, pois o déficit em transações correntes com algum grau de dificuldade de financiamento poderá colocar pressão sobre o preço, salvo se o BC passar a gerar liquidez para o mercado de câmbio à vista, utilizando parte das reservas cambiais.
O Brasil de hoje é diferente do de 2008, embora seja possível o governo dispor dos mesmos mecanismos, o potencial do mercado interno pode não corresponder às expectativas.
A força da demanda pode ser bem menor, havendo riscos de aumento de inadimplência. Estudos do BC revelam que o comprometimento da renda em 22%, porém não considera o parcelamento concedido pelo próprio comércio e os cartões de crédito. Estudo feito pelo economista José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio, incluindo os itens não considerados pelo BC indicam que o comprometimento já está em 43%, portanto, acima do razoável, o que aumenta a probabilidade de inadimplência.
