Câmbio News

Análise do Mercado – 11/11/2011

O giro no mercado de interbancário de câmbio aumentou de forma considerável ontem, atingindo US$ 2,925 Bi após uma sequência de dias com volume baixo, deixando evidente que o recuo havido na taxa cambial atraiu a demanda reprimida…

O giro no mercado de interbancário de câmbio aumentou de forma considerável ontem, atingindo US$ 2,925 Bi após uma sequência de dias com volume baixo, deixando evidente que o recuo havido na taxa cambial atraiu a demanda reprimida existente no mercado à vista, já que ao longo da semana no mercado de derivativos as posições, tanto de bancos como de fundos estrangeiros, mantiveram um alinhamento de estabilidade.

Embora as projeções oficiais ainda sustentem otimismos quanto aos ingressos, a realidade vem mostrando um fortalecimento precoce de saída líquida de recursos financeiros do país, ao mesmo tempo em que é possível se vislumbrar, em perspectiva, um viés do fluxo comercial também vir a tornar-se negativo, a partir dos dados acima mencionados.

Com o mercado de derivativos exercendo praticamente nenhuma influência na formação do preço da moeda americana no mercado à vista, e considerando o ambiente presente no mercado de câmbio à vista, continuamos com a percepção de que é bastante factível que a taxa cambial venha a ser pressionada além do previsto neste final do ano, saindo do intervalo de R$ 1,70 a R$ 1,75 projetado,  para R$ 1,80 e alguns momentos até um pouco acima.

Ganha convicção no mercado de que o BC/COPOM deverá impor cortes mais expressivos na SELIC, já neste ano e no próximo ano, e que os efeitos da crise externa terão impactos no país que provocarão a contração das pressões inflacionárias.

A dura realidade do mundo global ter as economias que representam quase 2/3 do PIB mundial em forte tendência de recessão ou crescimento próximos de “zero”, não permite que as projeções sejam descoladas desta situação preocupante.

Neste momento, nota-se no Brasil que há uma absoluta fragilidade nas projeções que se formulam para o ano de 2012, envolvendo-as em inúmeros “se”, o que impõe ao governo uma intensificação do aperto fiscal até de forma preventiva, e, neste aspecto seria de grande valia a redução da taxa SELIC pelos benefícios implícitos no custeio da DP.

Como temos salientado, ao governo cabe manter o discurso otimista como postura positiva, mas deve decidir com base na realidade em perspectiva, e, embora disponha de condições de estimular a economia sem depender dos recursos externos, o Brasil de 2011 é bastante diferente do Brasil de 2008, havendo até o contraditório do país estar melhor, mas, certamente, a capacidade de consumir da população não é a mesma daquela oportunidade, já que o comprometimento da renda familiar é substancialmente maior na atualidade.

No exterior, a Grécia definiu o novo ocupante para o cargo de Primeiro Ministro e tudo leva a crer que fecharão o acordo de resgate formulado pelo BCE e seus pares. Contudo, é preciso considerar que na Grécia tanto a situação quanto a oposição são extremamente conservadoras e relutam em realizar as reformas absolutamente necessárias, já que a desorganização nos controles e gastos foi enorme e decorrente da inexperiência de um país não rico ao ter acesso a uma realidade que lhe concedeu o “status” de um país rico, e, cujo expressivo rombo nas contas públicas foi “acobertado” pelos governos nestes 10 anos em que é membro da eurozona. Embora se estime que será necessária uma década para reorganizá-la, há muitas dúvidas se conseguirá conviver bem na eurozona.

A Itália, que de longo tempo tem uma expressiva DP representando mais de 100% do seu PIB definiu um novo Primeiro Ministro transitório bastante respeitável, que agrega credibilidade quanto à seriedade, mas o problema existe e precisa ser equacionado.

Ontem, já teve reflexos disto, colocou bônus soberanos de 1 ano com juro de 6,08%, bem abaixo da linha dos 7%, contudo, muito acima dos 3,57% do leilão de um mês atrás. Hoje aprovou seu programa de austeridade, mas o desafio é conquistar convicção do mercado em sua capacidade de execução.

Na realidade, a eurozona, ou numa amplitude maior a União Europeia toda, está com a economia debilitada, até mesmo a grande Alemanha tem crescimento pífio, e, a recuperação não é algo que se possa vislumbrar no curto prazo.

 Juntando-se os Estados Unidos e o Japão, ambos também em situações críticas, torna-se cada vez mais difícil entender o comportamento do mercado global, que como o próprio nome sugere interliga todo o conjunto de economias mundiais, que são interdependentes.

Resultante, em tudo prevalecem as incertezas, e como consequência predomina a volatilidade.

 

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