A reunião do FED e a fala de Ben Bernanke catalisam as atenções do mercado global, face à perspectiva de que possa anunciar nova rodada de compras de ativos para forçar a baixa das taxas de juros com o objetivo de estimular a economia…
A reunião do FED e a fala de Ben Bernanke catalisam as atenções do mercado global, face à perspectiva de que possa anunciar nova rodada de compras de ativos para forçar a baixa das taxas de juros com o objetivo de estimular a economia, ou, pelo menos, uma troca de papéis com prazos curtos para longos, focando a derrubada do juro longo, operação que vem sendo denominada “twist” pelo mercado.
Tem sido no momento presente, após o insucesso do esforço maior realizado a partir de 2008/2009, tentativas paliativas, visto que o problema central esta nas incertezas que permeiam a economia americana fortemente deprimida pela queda abrupta da confiança da sociedade americana.
Os republicanos enviaram carta ao Presidente do FED pressionando para não conceder novos estímulos, destacando que o insucesso anterior não justifica a mesma estratégia.
Espera-se sempre muito, mas os resultados tem sido continuadamente desapontadores, e, afora a operação “twist” não se deve esperar algo diferente.
Até a manifestação de Bernanke, nesta tarde, a volatilidade deve predominar, mas há um viés negativo “no ar”, com as bolsas acentuando a queda, da mesma forma o petróleo cai 0,94% cotado a US$ 86,10 o barril na Nymex , o ouro surpreende caindo 1,03% cotado a US$ 1.789,80, enquanto os T-Bills se valorizam e fecham a curva de rentabilidade para 10 anos para 1,92%. O dólar se valoriza ante todas as moedas, inclusive o Yen.
Na Europa parece iminente que vá ocorrer o “default” da Grécia, pois a despeito das várias reuniões e discussões sobre “socorros” efetivos e possíveis, as perspectivas são cada vez mais negativas.
O problema em si não é a Grécia, mas o desencadeamento de um processo em cadeia de fortes desajustes nas demais economias europeias, visto que ocorrerá, de imediato, um agravamento das incertezas e desconfianças já presentes, com imediato trancamento do crédito e a possibilidade de novas moratórias, desagregando totalmente a união em torno da moeda única, o Euro, e das demais moedas que integram a União Europeia.
O FMI salientou em seu Relatório de Estabilidade Financeira Global que há necessidade de uma rápida recapitalização do sistema bancário europeu e que “bancos de algumas economias já perderam acesso aos mercados privados de financiamento”, o que pode levar a uma espiral de desalavancagem, contração do crédito e redução do crescimento econômico. Estima que o risco de crédito dos bancos é de Euros 300,0 Bi.
Temores reais e com grande consistência provocam reações imediatas.
Sinais negativos do exterior e altamente preocupantes, em especial, da Europa, “quebram” a frieza dos especuladores remanescentes no nosso mercado de derivativos, onde os “hedge funds” continuam com posição “vendida” liquida quase imutável de US$ 13,5 Bi no derivativo “cupom cambial-DDI” e encontram inexpressiva liquidez para saírem deste jogo em que estão perdendo, pois apostaram na valorização do real e alta do juro
Como não conseguem liquidez neste segmento dos derivativos, buscam elevar suas posições “compradas” no mercado de dólar futuro e com isto exercem pressão abrupta que exacerba a taxa cambial da moeda americana, que hoje já supera valorização de mais de 3% e atinge R$ 1,84.o
No mercado à vista o giro no interbancário ontem foi de pífios US$ 1,1BI.
O BC fez um teste de “stress” no nosso sistema bancário e o resultado é confortável mesmo num cenário quase inimaginável de repercussões da crise mundial, até com uma recessão próxima de 5% e dólar a R$ 4,70, revelando ainda que o sistema atualmente tem um “colchão” de suporte 50% maior do que no inicio da crise em 2008.
O FMI fez ressalvas sobre a alta Dívida Pública bruta brasileira da ordem de 65% do PIB, mas o país considera para tanto a Dívida Pública liquida que está em torno de 39,5% do PIB. Acrescentou ainda o FMI preocupações com o crescimento rápido do crédito e valorização dos imóveis.
O fluxo cambial da semana foi irrisório em tão somente US$ 395,0 M positivos, com destaque para as exportações que continuam sendo responsáveis pelo suporte de ingressos. Os exportadores continuaram dando entrada nos dólares que estavam represando no exterior e registraram um montante de US$ 5,5 Bi, dos quais US$ 3,5 Bi devem representar parcela destes dólares antigos. O superávit do fluxo comercial aumentou US$ 1,587 Bi totalizando até o dia 16 US$ 5,902 Bi. Por outro lado, o fluxo financeiro foi negativo na semana US$ 1,191 Bi, confirmando as expectativas de que tenderá a manter-se negativo.
Dos US$ 325,0 M do fluxo positivo da semana o BC retirou US$ 113,0 M, os bancos devem estar comprados então em torno de US$ 1,9 Bi no mercado físico à vista.
Os bancos vêm mantendo posições compradas no mercado físico à vista, puxando a valorização e facilitando a operacionalidade já que o “casado” à vista com futuro ficou prejudicado, mas persistem aumentando suas posições “vendidas” no mercado de dólar futuro, o que continua evidenciando que a perspectiva é de que o real volte a ser apreciado, após estas altas pontuais.
Os bancos detêm a capacidade de gerar liquidez para os “hedge funds” no mercado de derivativos, podendo viabilizar a redução das exposições em “cupom cambial-DDI” ou o aumento das posições compradas no mercado de dólar futuro, mas a um preço elevado, que tem determinado certa resistência dos mesmos.
Neste ponto está a maior pressão de apreciação do dólar no momento. Esta situação remanescente ainda não resolvida no mercado de derivativos é que vem determinando a valorização mais afoita do dólar no nosso mercado de câmbio.
O que parece claro e com bom fundamento é que a alta do dólar ocorre e é pontual, não se sabendo qual é o preço do pico, mas a perspectiva é segura de que o real voltará a se apreciar.
Portanto, uns precisam agilizar suas vendas e outros retardar suas compras.
Esta é a regra do jogo, no nosso entendimento.
