O câmbio alto desajustado e de forma irreversível é a nova realidade no Brasil, e neste campo o BC que o incentivou atualmente tem baixa capacidade de intervenção focando diretamente a formação do preço, então promove ações triviais como “rolar” posições vincendas e atuar pontualmente na “oxigenação” da liquidez do mercado à vista e na liquidez externa dos bancos, estas com ofertas de linhas e leilões de compra de títulos soberanos nominados em dólares em poder das instituições nacionais.
O restante ocorre por “osmose” refletindo diretamente os humores do mercado internacional em torno do dólar, já que o quadro brasileiro, a despeito da sua suficiência de reservas cambiais, está combalido dado a baixíssima atratividade externa que desperta o país e o conturbado ambiente predominante interno.
A sensação atual é que “vamos tocando” para ver no que dá, pois não existem fundamentos críveis então tudo acontece e não se sabe exatamente os “por quês”.
Projeções para 2020? Quaisquer que sejam são frágeis e meramente empíricas neste momento, não há como mensurar o que está por vir.
Então, o comportamento do mercado financeiro é predominantemente volátil, convivendo com perdas incomensuráveis.
O embate político em torno da causa maior atual, a crise do coronavírus, intensifica o desconforto com a convivência obrigatória com o imponderável, o inimaginável.
O CDS Brasil 5 anos que em 17 de fevereiro era de 92 pontos, hoje marca 297 pontos e já esteve em 354 pontos dias atrás, volátil como todos os indicadores em torno do país.
O déficit em transações correntes, no passado recente em torno de 0,90%, atinge em fevereiro 2,91% do PIB e neste fevereiro não foi tão ruim revelando-se US$ 3,9 Bi ante projeção de US$ 3,4 Bi com o IDP apontando praticamente US$ 6,0 Bi dentro das projeções. Mas a expectativa é de que ocorra deterioração a partir de março, e isto piora a cena externa para o país.
Será importante observar hoje o fluxo cambial que será divulgado pelo BC ao final do dia, os volumes devem começar a apresentar viés cadente.
O fato é que o país está frente a uma situação imponderável, onde há muitos achismos e poucas certezas.
Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO