Análise do Mercado – 11/10/2011

Excessos de otimismo, em especial por parte das Bolsas de Valores, num ambiente que não sugere e nem incentiva este tipo de postura.
Sensatez e cautela seriam mais recomendáveis, até porque o que o…

Excessos de otimismo, em especial por parte das Bolsas de Valores, num ambiente que não sugere e nem incentiva este tipo de postura.

Sensatez e cautela seriam mais recomendáveis, até porque o que o mundo global busca, a partir de ações com maior ênfase na Europa, é evitar rupturas que poderiam provocar um agravamento mais rápido e acentuado no já preocupante cenário econômico-financeiro mundial.

Hoje ocorre o último voto de membro da eurozona, Eslováquia, para expansão do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. Ao todo são 17 membros, dos quais 16 já aprovaram.

Não vemos saída sem perdas expressivas negociadas por parte de credores, dentro do princípio “receber menos mas receber”, e um cenário consequente de recessão econômica na Europa, incluindo também Estados Unidos e a continuidade do Japão, num contexto em que os países emergentes já não estarão tão vigorosos como se mostraram em 2008/2009.

A China já revela ter a clara percepção de sua economia, basicamente uma processadora de insumos do mundo todo que exporta como produtos acabados, sofrerá desaceleração inevitável, por isso seu governo tem adotado medidas fortalecendo o sistema bancário do país e buscando manter a confiança na sua economia.

Por isso, a sustentabilidade dos preços das “commodities” tende a estar com seus dias contados, pois será inevitável repercutir a retração generalizada das atividades das principais economias do mundo.

Já vínhamos salientando esta percepção em relação à China, até por ser inevitável que, com as principais economias do mundo tendentes à recessão, não ocorra retração da atividade econômica da China, que afeta suas vendas externas que têm expressivo peso no seu PIB, e, na contra ponta repercutirá também nas suas demandas, o que atingirá certamente o Brasil.

O Banco Central do Brasil, ao que tudo indica, observou a situação e a tendência da crise a nível global com maior acuidade do que nosso mercado financeiro, por isso antecipou-se cortando a taxa SELIC e, certamente, o fará também no próximo dia 19, podendo mais uma vez surpreender com a dimensão do corte, principalmente se a taxa cambial tiver recuado até aquela data aos níveis de R$ 1,70.

“Commodities” em queda, câmbio com preço que contribui para a contenção inflacionária, demanda por crédito e consumo menos aquecidos, são fatores que favorecem a convicção do Banco Central do Brasil de que a taxa inflacionária tenderá a um ajuste mais forte do que tem sido prognosticado pelos analistas do mercado financeiro.

Hoje o mercado de câmbio deverá ganhar um pouco mais de volume, já que ontem registrou inexpressivos US$ 523,1 M no giro do interbancário, e que face à baixíssima liquidez provocou movimentos abruptos de oscilação da taxa cambial, que acentuou a queda ao início dos negócios, mas não deu sustentação ao final dos negócios.

Devemos ter um dia com comportamento volátil da taxa cambial, provavelmente com uma demanda mais forte do que a oferta, já que, como temos salientado e demonstrado, há um passivo (importações a pagar frente a exportações a receber) a ser resgatado ao exterior e que vinha sendo postergado dada a elevada taxa recente e que pode estar sendo resgatado face à queda já ocorrida no preço do câmbio.

Mas, em perspectiva continuamos projetando o preço da moeda americana tendente a R$ 1,70, ainda este mês.

Os “estrangeiros” estão posicionados em situação muito equilibrada no mercado de derivativos, enquanto os “bancos” têm posicionamento “vendido” tanto no “cupom cambial-DDI” quanto no mercado futuro de dólar, o que sugere que operam com a convicção de que o real tende a apreciação.

 

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