A recomendação de que era necessário olharmos para frente e desconsiderarmos o “retrovisor” para avaliações, agora se torna uma obrigação.
Pouco ou nenhuma utilidade tem o fato de compararmos desempenhos…
A recomendação de que era necessário olharmos para frente e desconsiderarmos o “retrovisor” para avaliações, agora se torna uma obrigação.
Pouco ou nenhuma utilidade tem o fato de compararmos desempenhos da economia confrontando dados com o ano passado, sendo mais relevante a aferição face ao mês anterior e fortalecer com forte realismo a visão/projeção prospectiva.
Portanto, o cenário Brasil atual é muito menos vigoroso do que o prevalecente em 2008/2009, por isso os impactos poderão ser maiores, pois o nosso consumo interno não decorreu preponderantemente do aumento da riqueza da população, mas sim do maior acesso ao crédito e havia um conjunto de demandas reprimidas pela classe C , D e E ascendentes, que hoje ainda representam passivos a serem resgatados, com alguma tendência a incremento de inadimplência.
A atratividade do país para investimentos produtivos, exceto os ligados ao pré sal, perdem atratividade num ambiente de PIB expressivamente cadente. Da mesma forma, perdem atratividade as ações de empresas brasileiras pela mesma razão que deverá afetar os resultados. Resta, então, a atratividade do juro brasileiro, líder mundial, mas que deverá ser bruscamente reduzido em termos reais, visto que o governo terá a absoluta necessidade de promover cortes mais contundentes na SELIC num ambiente com inflação aquecida, embora tendente, em perspectiva ao recrudescimento.
O mundo continuará com a prevalecente tendência de todos “desejarem vender mais e comprar menos”, e esta, como todos sabem, é uma equação que não fecha.
Nossa indústria não agrícola tende a ser penalizada, pois o mercado interno estará menos aquecido e no mercado externo, da qual foi alijada pela expressiva valorização do real, exigirá uma capacidade competitiva que certamente não terá, pois o governo já demonstrou, através da medida do IPI dos carros importados, que tem grande dificuldade em desonerar o produto nacional para fazê-lo competidor com o produto externo, preferindo o protecionismo.
A indústria agrícola certamente repercutirá uma queda dos preços das “commodities”, ainda resistente, mas que ocorrerá por inevitável, e, assim, poderemos ter reflexos no quantitativo físico e de montantes de divisas de forma mais acentuada.
Nos parece prematuro o prognóstico pelo governo de que o dólar estará em R$ 2,00 no início de 2012, quem sabe com o claro intuído de incentivar a indústria não agrícola, pois para tanto deveria concomitantemente rever todas as suas projeções para os IED´s, balança comercial, déficit em transações correntes, etc.
E o porquê desta necessidade revisional?
O governo, com a medida do IOF no mercado de derivativos, neutralizou de forma firme os movimentos especulativos que ao longo de anos prevaleceram a partir dos mesmos e foram os formadores, em primeira instância, do preço do câmbio no Brasil.
Desta forma, restabeleceu-se ao câmbio brasileiro o perfil de flutuante, ou seja, repercute o fluxo cambial, descontaminado dos fatores especulativos.
Para imaginarmos uma taxa cambial em R$ 2,00, sem influência especulativa, é absolutamente necessário que consideremos uma derrocada do fluxo cambial, com forte reversão para negativo, com o BC não comparecendo para proporcional liquidez fazendo uso de suas reversas cambiais.
Atualmente, ainda vemos o real com tendência de apreciação, visto que ainda não existem fatores sustentáveis de demanda que possam mantê-lo na paridade atual com o dólar, e, o mercado de derivativos está neutralizado para movimentos especulativos mais intensos.
Como o fluxo cambial é tendente a negativo e há um passivo cambial comercial a ser resgatado (importações efetivadas a pagar maior do que exportações efetivadas a receber), a volatilidade ainda continua predominando, mas o viés é de apreciação gradual do real.
No mercado de derivativos temos os “estrangeiros” com posição “vendida” líquida no “cupom cambial-DDI” de US$ 3,9 Bi, e, “comprada” líquida de US$ 4,3 Bi no “dólar futuro”, o que lhes protege na “perna” do dólar do posicionamento “cupom cambial DDI” e os deixa quase neutros em influência na formação do preço da moeda americana.
Por outro lado, os “bancos” estão “vendidos” líquidos em “cupom cambial-DDI” em US$ 4,5 Bi e também no “dólar futuro” em US$ 4,0 Bi, ambas as posições sugestivas que operam com a convicção de apreciação do real.
Hoje será divulgado o fluxo cambial da semana passada, quando teremos mais dados efetivos, mas tudo leva a crer que o viés do fluxo tende a negativo e que os bancos poderão até estar “vendidos” também no mercado à vista.
No cenário externo, embora ocorram “soluços” de otimismo, não há como ver melhora sustentável, estamos convencidos, cada vez, que a imperiosa necessidade de capitalização dos bancos objetiva prepará-los para as “moratórias” negociadas que devem ocorrer e que provocarão prejuízos aos credores.
