Análise do Mercado – 08/11/2012

À margem da gestão que o Banco Central do Brasil vem exercendo com “mão de ferro” sobre a taxa cambial prevalecente no nosso mercado de câmbio, não se pode perder de vista e consideração relevante os números do fluxo cambial, que vem confirmando e tornando sustentável a tendência de negativo, que é um fator concreto de influência na formação do preço, que deveria ser repercutido na taxa cambial.

 

 

Bancos com posições vendidas foram contumazes num passado não muito distante quando o BC fazia leilões de compra, e, retirava do mercado volumes acima dos saldos positivos do fluxo cambial levando os bancos a este posicionamento, como forma de estimular a apreciação do real.

Era estratégico. A autoridade alegava que o fluxo cambial positivo intenso era a causa da apreciação do real, contudo este fluxo era totalmente retirado pela autoridade do mercado, que ia além comprando dos bancos os dólares que não tinham e que para tanto utilizavam linhas de crédito junto a banqueiros no exterior.

Esta estratégia promovia a oportunidade dos bancos captarem recursos em reais a custo bastante reduzido com a utilização das linhas externas e para neutralizar o eventual custo que poderia representar a variação cambial, operavam no mercado focando a apreciação do real. Mas eram outros tempos, em que os derivativos estavam com plena liberdade para especulação.

Porém, hoje a posição vendida decorre de carência de ingresso de divisas, o que é um quadro oposto ao mencionado acima. Falta efetivamente ingresso de divisas, por isso os bancos estão vendidos, e isto é preocupante, pois pode ser sinal concreto de “ressaca”, face não se ver mais riscos de “tsunamis” de recursos externos para o Brasil.

Hoje há limites mais rígidos para as posições vendidas dos bancos, o que inibe suas expansões mais ousadas, mas de toda forma, para operar desta forma os bancos recorrem as suas linhas externas junto aos bancos estrangeiros e acabam realizando captação de reais baratos, e, ao mesmo tempo, atuam inibindo a natural tendência de alta do preço da moeda americana que deveria estar ocorrendo, de forma a mitigar riscos de perda de variação cambial.

Se este quadro de fluxo negativo continuar o BC precisará realizar leilões de venda no mercado a vista, ou se quiser evitá-los, precisará ofertar “swaps cambiais” para “hedge” das posições expostas, porém como nosso mercado é formado por não mais do que meia dúzia de bancos, é possível que o espaço para expansão atual do montante de posição vendida seja contida pelos limites. Ocorrendo esta circunstancia, então, somente leilão de venda no mercado à vista resolverá o problema decorrente do baixo fluxo de liquidez à vista.

Temos abordado este contexto de fluxos de recursos externos para o Brasil, e, temos revelado preocupações, que vem se fortalecendo como procedentes.

Cada vez mais, nos parece premente a necessidade de elevar a banda cambial para algo como R$ 2,05 a R$ 2,10, minimamente, visando estimular a nossa indústria e inibir os produtos importados concorrentes da indústria nacional.

Mesmo a indústria automobilística que na cadeia produtiva envolve em torno de 20% do PIB do país e, que vem sendo fortemente incentivada com redução de tributos pelo governo federal, revela queda de 18,4% nas exportações este ano.

Como temos destacado “os números falam” e os do fluxo cambial estão mandando sinais e recados que requerem ações em contrapartida por parte do BC e governo.

Adicionalmente, também nos parece que é tempo de rever os prazos para empréstimos sem incidência de IOF, pois é nesta fase do ano que as empresas planejam suas ações para o ano seguinte, e, o Brasil, ao que tudo indica, precisará incrementar o fluxo de recursos externos para o país em 2013.

O país tem reservas cambiais, porém a queda do fluxo de recursos externos não pode ser negligenciada com base neste “conforto”.

Para usar um termo da moda, seria de bom alvitre que o governo agisse de forma prudencial em relação às perspectivas de fluxo cadente de recursos externos para o país.

No cenário externo, no “day after” Wall Street reverteu o seu otimismo do dia da eleição americana, que segundo consta decorreu da veiculação de informação errônea por agencia de notícias sobre os resultados da eleição. Pela intensidade das quedas das bolsas americanas dá para se mensurar o tamanho do desapontamento, pois sabidamente Wall Street torcia por Mitt Romney.

O mercado financeiro americano nutria expectativa que Mitt Romney fosse eleito e com isto fossem relaxadas regulamentações impostas pelo governo Obama, por isso mostrou desapontamento e reagiu negativamente ontem.

Os setores de energia suja, petróleo e carvão, também reagiram negativamente, visto que Obama diferentemente de Mitt Romney é defensor da energia limpa. O petróleo caiu 4%.

A grande preocupação imediata é o “penhasco fiscal”. Obama busca a convergência dos políticos em torno da busca de solução deste relevante assunto.  O líder republicano na Câmara quer negociar novo acordo orçamentário que inclua receita com impostos para evitar o problema, mas desde que os democratas concordem com cortes e mudanças em programas sociais federais, o que deverá criar impasses.

Mas, ainda que na margem, o cenário europeu agregou mal humor ao ambiente.

A Grécia continua indefinida e o risco de afastar-se do euro volta a estar presente e, a despeito do seu governo ter aprovado, sob intenso protesto popular, o plano de austeridade, é pouco crível que tenha condições de implementa-lo, pois o país esta à beira da bancarrota.

 A União Européia através a Comissão Européia apontou que a região está próxima da estagnação e procedeu a revisão da projeção do PIB da Alemanha, maior economia da Europa, de 1,7% feita em maio reduzindo-a para 0,8%. Para a França houve revisão para 0,2% este ano ante a projeção de 0,8% do governo francês, enquanto que para o Reino Unido a redução para este ano foi de 0,5% para 0,3%.

É notório que dia após dia vão recrudescendo as projeções otimistas para 2013, que como temos salientado, tem muita probabilidade de ser similar a 2012 e as esperanças passam já a serem renovadas para 2014.

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