Câmbio News

Cético e sereno mercado financeiro está comedido com propostas de privatizações!

O mercado financeiro demonstrou mais com comportamento e atitude a sua percepção em torno da iniciativa inicial e tardia de privatização, do que considerações mais incisivas.

E a “leitura” que ficou é que está um tanto quanto cético quanto às perspectivas imediatas, visto que entendeu as circunstâncias de retomada do viés liberal, e assim  não se demonstrou eufórico, considerando o fato como positivo, mas sem se demonstrar eufórico.

O evento Petrobras deixou sequelas e apreensões no mercado, então a retomada do tema privatizações, com ato mais concreto, foi recebido mais como atitude defensiva do governo, buscando neutralizar o sentimento que já estava sendo consumado de que não há interesse efetivo no desmonte de parte da estatização da economia.

Evidentemente, após o desastre evidenciado pela Bovespa, com respingos no mercado de dólar, no “day after” ocorreu recomposição parcial dos impactos nefastos ocorridos, mas sem empolgação em torno do fato novo político.

O grande desafio posto e inegável é o fator tempo para que este governo consiga implementar as privatizações e suas formas, visto que, por enquanto, está entendido como um gesto tardio na direção certa, mas que, certamente, encontrará obstáculos nas tramitações e que poderão retardar além da melhor expectativa as suas consumações.

A aprovação do BC independente já estava precificado, mas há muita expectativa como será o comportamento do mesmo no novo ambiente de maior liberdade gestora, visto que há a percepção de que a política monetária está atrás da curva neste ambiente em que a inflação, por inúmeras razões não temporárias, já se faz forte e preocupante.

A proposta da privatização dos Correios, o “patinho feio” das estatais pelo seu histórico, terá certamente maior grau de dificuldades do que da Eletrobras, e foi entendido como ato sequencial para demonstrar o repentino interesse do governo nas privatizações.

Hoje, com certeza, o lucro da Petrobras impactará no comportamento do Ibovespa, e, sabidamente, acentuará as críticas sobre a sua política de preços, mas para os investidores o foco será o lucro, o soerguimento da empresa.

O grande desafio presente ao país é o agravamento da pandemia do coronavírus, e o Brasil parece estar neste ambiente adverso quase em isolamento, visto que as economias globais já revelam curva descendente dos efeitos da pandemia na atividade econômica e perspectivas cada vez mais próximas de retomada da normalidade, com obediência às regras sanitárias de convivência e forte intensificação na vacinação.

Urge que seja restabelecido o programa assistencial mínimo para as populações carentes, mas mais organizado focando quem tem efetiva necessidade, e, neste sentido, a Receita Federal revelou uma “pegadinha” eficaz que cruzamentos de dados dos beneficiários e seus rendimentos, para estabelecer a penalidade de restituição dos valores recebidos indevidamente.

Mas a definição dos meios de financiamentos para viabilização da nova rodada do programa se faz morosa e com poucas alternativas, o que tem protelado as ações em torno da PEC emergencial.

Urge que seja dado efetivo dinamismo às reformas tributária e administrativa, que são importantíssimas e também enfrentam o desafio do tempo já que ensejam demanda de tempo de discussões maior do que os otimistamente previstos.

A Bovespa deve repercutir o lucro da Petrobras mais do que as proposições de privatizações, mas as perspectivas continuam nebulosas visto que, afora os papéis ligados às commodities, os demais são carentes de retomada da atividade econômica, com ênfase à dependência do varejo dos recursos do programa assistencial do governo, e o agravamento da pandemia, com mortalidade recorde, pode ser fator extremamente adverso.

O dólar encontra forte resistência em face dos riscos políticos e fiscais presentes e de difícil superação, o que afeta e agrava os prêmios de risco na formação da taxa, e alivia estas pressões presentes no curto prazo com as ações de governo com perspectivas de médio/longo prazos, e tende a ser afetado, também, pelo comportamento da moeda no mercado internacional repercutindo o ambiente em torno da retomada da economia americana, riscos inflacionários e juros dos T-Bills.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio

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