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Ambiente conflituoso sinaliza brevidade e percepção é de melhora, mas lenta!

Destruir, sabidamente, é ação muito mais rápida do que construir, e este é o desafio posto no cenário que envolve o entorno das discussões técnicas, políticas e jurídicas da Reforma da Previdência, epicentro de todas as atenções do país.

A sensibilidade dos egos está muito aflorada e, na realidade, cada um se sente mais influente do que outrem e isto gera ambiente ambíguo que coloca os mais relevantes interesses do país em segundo plano, o que se revela lamentável.

Há uma perda de energia demasiada e ocorre uma dispersão no empenho que deveria estar fortemente focado na tramitação no Congresso Nacional da Reforma da Previdência, numa ação conjunta visando aprová-la para que o país possa sair do ambiente incerto e letárgico e crie condições de iniciar, tão logo possível, a melhora consistente do humor e otimismo acerca da superação das dificuldades com que se defronta o país, para então entrar na rota do desenvolvimento imprescindível.

É natural que ocorra o debate e a efetiva avaliação dos valores implícitos na proposta da Reforma da Previdência, não há como não se considerar divergências, mas o fundamental é que ocorra a hábil e promissora discussão positiva para que o cenário prospectivo perca a conotação “binária” presente, que inibe investimentos e retarda a retomada da atividade econômica.

Falar menos, por quaisquer meios que sejam, e agir mais proficuamente com foco no que é principal e fundamental para o país.

Há que haver um ponto de equilíbrio entre o desejo do Executivo em criar um novo ambiente em que não fique refém da concessão de benesses aos membros do Congresso, tradição da política brasileira, e a obrigação do Congresso Nacional dar curso às tratativas legislativas em torno da Reforma da Previdência.

É notório que há um “corner” no entendimento entre os dois poderes, mas isto não pode se tornar um fator negativo aos interesses maiores do país, porque com isto perdem todos e não haverá como sair do contexto estagnante presente.

É possível que depois deste acirramento ocorra percepção melhor por parte de Executivo e Legislativo de que o confronto terá como o país como grande perdedor.

Se conseguirem agir mais e falarem menos, o clima poderá restaurar o otimismo sensato como recomendável e, de forma adequada, a matéria Reforma da Previdência ser analisada e deliberada.

A questão no campo Jurídico que envolveu o ex-Presidente Temer, a despeito de não ter sido resolvida, com a sua soltura retira um ponto de tensão no adicional no mercado financeiro.

Mais uma vez, ressaltamos que está muito evidente que o “problema do Brasil é o Brasil”, e esta é a questão central de influência na formação dos preços dos ativos brasileiros, sendo absolutamente marginal neste momento os ruídos em torno das questões Usa-China, Venezuela, Brexit, União Europeia, FED e sua política de juros, que também são problemas em ebulição, mas que no momento tem impacto muito baixo no Brasil, que sem resolver seu problema crucial da crise fiscal fica como inerte e não protagonista de influências externas.

Os dados do CAGED sobre o emprego divulgado ontem foi uma novidade muito positiva, mas parece inevitável que o retardamento das perspectivas para a aprovação da Reforma da Previdência possível determinará uma redução nas projeções do PIB brasileiro em 2019.

No nosso entender, como posto ontem, vemos o dólar com condições mais imediatas de recompor preço direcionando-se gradualmente ao ponto de equilíbrio em torno de R$ 3,75, com a Bovespa, provavelmente, demorando um pouco mais, pois depende da retomada da atividade econômica e inquestionavelmente, dos investidores estrangeiros que permanecem retraídos em relação ao Brasil.

Volatilidade sim, mas com viés de ajustes positivos no dólar e na B3.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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