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Termômetro Broadcast: Notas do BC sobem no mês do Copom agressivo no ciclo de aperto monetário

Termômetro Broadcast: Notas do BC sobem no mês do Copom agressivo no ciclo de aperto monetário

A avaliação do mercado financeiro sobre a gestão do Banco Central (BC) melhorou em março ante fevereiro no Termômetro Broadcast. Todas as notas avançaram, com a média para a gestão em geral passando de 5,6 para 5,9. No caso da Economia, a nota para a avaliação em geral manteve-se em 4,4, mas as demais pioraram em março. Participaram desta edição 14 instituições que responderam ao questionário entre 25 e 31 de março.

Termômetro Broadcast – Médias
Categorias Fevereiro Março
Nota Geral da Economia (AETFZ1)* 4,4 4,4
Política Fiscal (AETFZ2) 4,6 4,1
Comunicação (AETFZ3) 4,3 4,0
Nota Geral do BC (AETBC1) 5,6 5,9
Política Monetária (AETBC2) 5,5 5,8
Política Cambial (AETBC3) 5,2 5,6
Comunicação (AETBC4) 5,2 5,7

Fonte: AE Dados
(*) Códigos dos Tickers disponíveis no terminal Broadcast

Nas demais notas do BC, a da Política Monetária subiu de 5,5 para 5,8 e a da Política Cambial, de 5,2 para 5,6. A média da Comunicação ficou em 5,7, de 5,2 em fevereiro.

No último dia 10, o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu parte do mercado ao elevar a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 2,75% ao ano. A aposta majoritária era de que o ciclo de ajustes da taxas básica seria iniciado de forma mais gradual, com aumento de 0,5 ponto porcentual, até em função do risco desinflacionário trazido pelo agravamento da pandemia, que impôs reforço nas restrições de mobilidade e fechamento parcial de comércio e serviços em várias regiões do País.

Logo após o comunicado da decisão, economistas afirmaram que a opção por começar de forma mais agressiva o processo de aperto foi acertada, mas, por outro lado, que faltou por parte do BC sinalização prévia, a chamada preparação do terreno, para uma elevação mais firme, o que não afetou a nota de comunicação. Até porque, desde então, a autoridade monetária vem justificando que, em meio à desancoragem das estimativas de inflação e para tentar salvar a meta não só de 2022 mas também de 2021, optou por um aperto mais firme, para que também o ciclo seja célere e não precise ser tão profundo.

Apesar de a Selic ter ido a 2,75%, um desinclinação firme da curva a termo ficou restrita ao dia seguinte ao Copom e mesmo o câmbio não teve apreciação expressiva de lá para cá, com as preocupações com o cenário fiscal e o aumento dos ruídos políticos se impondo sobre os ativos.

Outro fato que gerou repercussão no mês passado foi a atuação do presidente do BC, Roberto Campos Neto, para tentar evitar maior diluição da PEC Emergencial. Campos Neto se encontrou no dia 9 com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Enquanto para alguns a articulação foi “legítima” e “acertada”, para outros a reunião gera questionamentos até porque agora o BC é oficialmente autônomo.

Ainda, um dia após o Copom, o mercado foi surpreendido pela saída da diretora de Assuntos Internacionais e Riscos Corporativos, Fernanda Nechio, que deixou a instituição por razões pessoais. Foi indicada à vaga a economista Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, economista-chefe no Banco Bocom BBM desde 2019.

Na política cambial, chamaram a atenção algumas intervenções pontuais do BC na ponta de venda de dólar ao longo do mês, mesmo quando o preço da moeda estava em baixa. A autoridade monetária reafirmou que as atuações têm por finalidade corrigir disfuncionalidades no mercado. Segundo Campos Neto, quando o BC identifica problemas ele divide o volume da intervenção em mais de um dia. Por isso, a autoridade monetária pode atuar no câmbio mesmo em um dia em que a cotação está melhorando.

ngo termometro broad julho

Economia

Março foi mais um mês tenso para a equipe econômica, com aumento dos desafios na área fiscal. Foram intensas as negociações para a aprovação da PEC Emergencial, mas o texto acabou sendo bastante desidratado, com enfraquecimento do mecanismo de gatilhos fiscais e manutenção do direito de servidores à progressão automática de carreiras e aumento de salários. A PEC reservou R$ 44 bilhões em despesas fora do teto de gastos para o auxílio emergencial, que será pago entre abril e julho, no valor médio de R$ 250.

Outra novela foi a negociação do Orçamento de 2021. A equipe econômica viu o Congresso reduzir em R$ 26,5 bilhões o valor de despesas obrigatórias e elevar o das discricionárias para encaixar emendas parlamentares. Desse modo, segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, será preciso cortar R$ 32 bilhões para o cumprimento do teto de gastos e, nas contas do Ipea, esse valor pode chegar a até R$ 36 bilhões. Com o orçamento considerado inexequível pelo Ministério da Economia, o relator Márcio Bittar (MDB-AC) concordou em reduzir apenas R$ 10 bilhões em emendas.

Caso as contas deste ano sejam reprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 2022, devido à sanção do Orçamento com manobras contábeis, auxiliares do presidente Jair Bolsonaro veem risco de ele ser impedido de disputar a reeleição.

Adicionalmente, a Economia viu a Dívida Bruta do Governo Geral fechar fevereiro na máxima histórica de 90% do PIB e a presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Susana Cordeiro Guerra, pedir exoneração do cargo, alegando motivos pessoais. O IBGE teve o orçamento do Censo Demográfico de 2021 reduzido de R$ 2 bilhões para R$ 71 milhões, o que inviabiliza sua realização este ano, após a pesquisa já ter sido adiada em um ano.

Os Termômetros Broadcast são produzidos mensalmente pelos profissionais do AE Dados junto a bancos, corretoras, consultorias, gestoras de recursos, instituições de ensino, departamentos econômicos de empresas e outros com histórico de realização periódica de projeções de indicadores econômicos. A série histórica da pesquisa teve início em fevereiro de 2014.

A divulgação dos resultados é feita nos serviços em tempo real do Broadcast na quarta-feira mais próxima do dia 5 de cada mês. Em caso de feriado, a divulgação ocorre no primeiro dia útil subsequente.

São publicados apenas os resultados consolidados da pesquisa. As respostas individuais das instituições ficam em sigilo. A redação da Agência Estado não tem acesso às respostas individuais. O questionário, enviado por e-mail, deve ser respondido uma única vez por instituição, na última semana de cada mês.


Fonte: Agência Estado

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