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Termômetro Broadcast: Notas do BC ficam abaixo das médias da economia, que também pioram

Termômetro Broadcast: Notas do BC ficam abaixo das médias da economia, que também pioram

Depois do avanço expressivo em dezembro, as médias de avaliação do mercado financeiro para a gestão do Ministério da Economia e do Banco Central (BC) recuaram em janeiro, de acordo com o Termômetro Broadcast, na sua primeira edição em 2020. De maneira geral, contudo, as notas da Economia estão melhores do que as do BC, o que é um fenômeno raro, observado até então em apenas duas edições do Termômetro desde sua estreia em 2014. A nota para o desempenho em geral para a Economia caiu de 7,4 para 7,2 entre dezembro e janeiro, enquanto a do BC passou de 7,5 para 7,1. A pesquisa deste mês contou com a participação de 42 instituições que responderam ao questionário.

Termômetro Broad – Médias
Categorias Dezembro Janeiro
Nota Geral da Fazenda 7,4 7,2
Política Fiscal 7,5 7,1
Comunicação 6,9 6,2
Nota Geral do Banco Central 7,5 7,1
Política Monetária 7,5 7,1
Política Cambial 7,3 7,0
Comunicação 7,1 6,9
Fonte: AE Dados

Nas demais notas do BC, a média para a política monetária caiu de 7,5 para 7,1 e a da política cambial, de 7,3 para 7,0. A nota mais baixa do BC foi a da Comunicação, que recuou de 7,1 para 6,9.

Janeiro não teve reuniões de política monetária, mas, em contrapartida, ferveu o debate sobre o futuro da Selic. Documentos do Banco Central após o Comitê de Política Monetária (Copom) de dezembro indicaram, na visão do majoritária do mercado, que o ciclo de afrouxamento da Selic poderia ter chegado ao fim, deixando o mercado dividido. Mas nas últimas semanas a aposta de pelo menos mais um corte de 25 pontos-base na taxa, para 4,25%, ganhou força. A expectativa esteve amparada na percepção de que a desaceleração da inflação neste primeiro trimestre, após a disparada dos preços no fim de 2019 em função do choque das proteínas, tem sido mais rápida do que se esperava.

Tal avaliação se fortaleceu especialmente após o desempenho bem mais ameno dos preços das carnes no IPCA-15 de janeiro, que desaceleraram de 17,71% em dezembro para 4,83%, endossada por declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, nas quais se mostrou confortável com o choque das proteínas. “A gente consegue ver o preço de carne caindo bastante e nós seguimos tranquilos com as nossas projeções, como tem sido indicado nos nossos diversos relatórios”, afirmou, em entrevista ao jornal Valor Econômico, no último dia 23. No dia seguinte, em evento da XP Investimentos, Campos Neto alertou que um “lag desconhecido” em relação aos efeitos da política monetária que está associado às medidas microeconômicas que a instituição tem implementado e que é “muito difícil de prever”.

Os mais otimistas já veem outra redução para a Selic em março, quando cairia para 4%. Esta aposta ainda é minoritária na curva, até porque o investidor aguarda a divulgação do comunicado do Copom nesta noite para balizar seus prognósticos.

O câmbio foi outro desafio para o BC no mês de janeiro. O advento do surto de coronavírus trouxe forte aversão a risco nos ativos globais, penalizando moedas de economias emergentes. Assim, na última sexta-feira (28), o dólar disparou a R$ 4,2850, maior valor nominal da história, com o mercado monitorando muito de perto o BC em função de possíveis intervenções. Adicionalmente, o real tem sido ainda afetado pelas apostas em novas quedas da Selic, que, ao reduzirem o diferencial em relação aos juros externos, desestimulam as operações de carry trade.

 

Economia

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As notas de avaliação do desempenho do Ministério da Economia pioraram, com exceção da nota para a Comunicação que se manteve em 6,9. A média para o desempenho em geral ficou em 7,2, de 7,4 em dezembro, e a da Política Fiscal, após ter atingido sua máxima histórica de 7,5 em dezembro, ficou em 7,1.

Janeiro, que marcou o período de recesso do Congresso, foi um mês de menor movimentação da pasta, uma vez que várias medidas propostas pelo governo dependem do aval dos parlamentares. O governo prometeu enviar, em fases, ainda em fevereiro a reforma administrativa. Ainda, decidiu reajustar o salário mínimo de R$ 1.039 para R$ 1.045 a partir do dia 1º de fevereiro.

Segundo o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, o governo irá alterar neste ano a sistemática de correção para o salário mínimo. Atualmente, o piso salarial do País é corrigido pelo INPC acumulado no ano anterior. O problema é que o reajuste precisa entrar em vigor no dia 1º de janeiro, portanto, antes da apuração final do índice de inflação. “Uma alternativa é fazer a correção do salário mínimo pelo INPC acumulado nos 12 meses entre dezembro de um ano e novembro do ano seguinte. O importante é entregarmos previsibilidade para o cidadão e para o orçamento”, afirmou. Waldery disse ainda que a proposta do governo não deve incluir nenhum mecanismo para que o salário mínimo possa ter ganho real, acima da inflação.

Em sua participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o ministro Paulo Guedes esteve com investidores para reafirmar os compromissos do País com as reformas. Em reuniões fechadas, segundo relatos, ele destacou a aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso, lembrando que havia lançado o compromisso um ano antes e salientando que teria o apoio do Legislativo. Agora, ele disse que também conta com progressos na reforma tributária, administrativa e no pacto federativo.

Declarações do ministro em Davos em relação ao meio ambiente geraram polêmica. Em evento oficial, ele disse que o grande inimigo do meio ambiente é a pobreza: “Destroem porque estão com fome”. Em outro momento do mesmo evento, ele disse que o mundo precisa de mais comida e salientou que é preciso usar defensivos para que seja possível produzir mais. “Isso é uma decisão política, que não é simples, é complexa”, afirmou.

Os Termômetros Broadcast são produzidos mensalmente pelos profissionais do AE Dados junto a bancos, corretoras, consultorias, gestoras de recursos, instituições de ensino, departamentos econômicos de empresas e outros com histórico de realização periódica de projeções de indicadores econômicos. A série histórica da pesquisa teve início em fevereiro de 2014.

A divulgação dos resultados é feita nos serviços em tempo real do Broadcast na quarta-feira mais próxima do dia 5 de cada mês. Em caso de feriado, a divulgação ocorre no primeiro dia útil subsequente.

São publicados apenas os resultados consolidados da pesquisa. As respostas individuais das instituições ficam em sigilo. A redação da Agência Estado não tem acesso às respostas individuais. O questionário, enviado por e-mail, deve ser respondido uma única vez por instituição, na última semana de cada mês.


Fonte: Agência Estado / Autor: Marcelo Augusto  – Analista de Base de Dados e Indicadores •  Dados

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