Termômetro Broadcast: no mês do Copom Hawkish, notas do BC sobem ao maior nível desde setembro
A avaliação do mercado financeiro sobre a gestão do Banco Central (BC) em junho apresentou melhora em relação a maio, segundo o Termômetro Broadcast. Todas as notas evoluíram, com destaque para a da política monetária, de 6,1 para 6,9, enquanto a média para a gestão em geral ficou em 6,8, de 6,1 em maio. As do Ministério da Economia tiveram oscilação discreta, com a média em geral passando de 5,1 para 5,2.
As notas do Banco Central fecharam junho no maior patamar desde setembro de 2020. A média em geral naquele mês ficou em 6,9, tendo engatado recuperação paulatina desde janeiro quando saiu de 5,5 até os 6,8 do mês passado. A nota da Política Cambial passou de 5,9 para 6,6 em junho, mês em que autoridade monetária não teve de administrar tantos conflitos no mercado cambial. A moeda americana fechou junho abaixo dos R$ 5 e com desvalorização de 4,82%.
| Termômetro Broadcast – Médias | ||
|---|---|---|
| Categorias | Maio | Junho |
| Nota Geral da Economia (AETFZ1)* | 5,1 | 5,2 |
| Política Fiscal (AETFZ2) | 5,0 | 4,9 |
| Comunicação (AETFZ3) | 4,7 | 5,0 |
| Nota Geral do BC (AETBC1) | 6,1 | 6,8 |
| Política Monetária (AETBC2) | 6,1 | 6,9 |
| Política Cambial (AETBC3) | 6,0 | 6,5 |
| Comunicação (AETBC4) | 5,9 | 6,6 |
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Fonte: AE Dados |
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A política monetária teve destaque com a decisão do Copom do dia 16. O colegiado confirmou o consenso das apostas de alta de 0,75 ponto porcentual, levando a Selic para 4,25%, e sinalizou outro aumento deste porte para a reunião de agosto. Mais do que isso, deixou claro que seu cenário base contempla recomposição total, e não mais parcial, da Selic até o nível neutro, deixando a porta aberta para uma “redução mais tempestiva” dos estímulos monetários se não houver melhora nas projeções de inflação para o horizonte relevante.
O comunicado do Copom foi considerado “hawkish” e a ata, ainda mais, reforçando a mensagem do BC de que fará o que for necessário para trazer a inflação de 2022 de volta à meta de 3,5%. Além disso, o BC disse que chegou a cogitar um aperto ainda maior que o de 0,75 ponto já em junho. O recado foi entendido e, na pesquisa Focus subsequente ao Copom, a mediana do IPCA para o ano que vem já parou de piorar, estancando em 3,78%.
Com relação a Economia, o mercado financeiro reagiu mal ao projeto encaminhado ao Congresso para ajustes na tributação de pessoas físicas, jurídicas e investimentos, no dia 25. A proposta atende à demanda histórica de atualização da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), ampliando a faixa de isenção de R$ 1.900 para R$ 2.500 nos rendimentos mensais, mas, para isso, o governo passará a tributar dividendos em 20% e propõe a uniformização da alíquota de cobrança em 15% para investimentos em renda fixa, entre outros ajustes, passando ainda pela extinção Juros sobre Capital Próprio (JCP).
A contrapartida, a redução da alíquota de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), seria feita em etapas. E este foi um dos pontos que mais desagradou aos investidores. Na ponta do lápis, tributaristas enxergaram elevação de carga para bancar o aumento da faixa de isenção para pessoa física em ano eleitoral, com taxação imediata de dividendos, mas corte a conta-gotas do IRPJ.

Os Termômetros Broadcast são produzidos mensalmente pelos profissionais do AE Dados junto a bancos, corretoras, consultorias, gestoras de recursos, instituições de ensino, departamentos econômicos de empresas e outros com histórico de realização periódica de projeções de indicadores econômicos. A série histórica da pesquisa teve início em fevereiro de 2014.
A divulgação dos resultados é feita nos serviços em tempo real do Broadcast na quarta-feira mais próxima do dia 5 de cada mês. Em caso de feriado, a divulgação ocorre no primeiro dia útil subsequente.
São publicados apenas os resultados consolidados da pesquisa. As respostas individuais das instituições ficam em sigilo. A redação da Agência Estado não tem acesso às respostas individuais. O questionário, enviado por e-mail, deve ser respondido uma única vez por instituição, na última semana de cada mês.
Fonte: Agência Estado
