Termômetro Broadcast: Avaliação da economia sobe com atividade mais forte e melhora fiscal
A avaliação dos participantes do mercado financeiro sobre a gestão do ministério da Economia teve melhora importante em maio. A atividade econômica acabou sofrendo menos com o agravamento da pandemia do que o inicialmente previsto, o que contribuiu também para a visão de um quadro fiscal menos deteriorado para o Brasil do que se temia em 2021. A nota do Banco Central avançou por conta da política cambial, com o dólar caindo de níveis perto de R$ 5,50 para R$ 5,20, mas o compromisso da autoridade monetária com um “ajuste parcial” na elevação dos juros seguiu como tema polêmico nas mesas de operação, pesando na avaliação da instituição.
Na Economia, a nota geral subiu de 3,9 em abril para 5,1 em maio, o nível mais alto desde janeiro, também com 5,1. Na política fiscal, houve o maior aumento, de 3,8 para 5,0. Na comunicação, subiu de 3,7 para 4,7.
| Termômetro Broadcast – Médias | ||
|---|---|---|
| Categorias | Abril | Maio |
| Nota Geral da Economia (AETFZ1)* | 3,9 | 5,1 |
| Política Fiscal (AETFZ2) | 3,8 | 5,0 |
| Comunicação (AETFZ3) | 3,7 | 4,7 |
| Nota Geral do BC (AETBC1) | 5,8 | 6,1 |
| Política Monetária (AETBC2) | 6,3 | 6,1 |
| Política Cambial (AETBC3) | 5,9 | 6,0 |
| Comunicação (AETBC4) | 6,1 | 5,9 |
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Fonte: AE Dados |
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Após a resolução da novela do Orçamento em abril, impasse que havia prejudicado fortemente a avaliação da Economia no mês anterior, que caiu ao menor nível desde o governo de Dilma Rousseff, maio foi marcado por melhora do cenário fiscal. Primeiro, a arrecadação de abril surpreendeu, registrando recorde da série histórica. Depois, o superávit primário do governo central e também o do setor público consolidado vieram ambos bem acima do previsto pelos economistas e recordes para o mês.
Os números fiscais e os da atividade de abril levaram bancos como o JPMorgan e o Itaú a melhorarem o cenário fiscal para o Brasil e elevarem as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021. O ministro da Economia, Paulo Guedes, passou a declarar que a dívida pública em relação ao PIB poderia cair até abaixo de 85%, enquanto os mais otimistas passaram a prever PIB de 5% ou acima em 2021. Com o PIB do primeiro trimestre surpreendendo positivamente, bancos como o Bank of America passaram a prever a dívida/PIB a 84%.
Maio também foi marcado por avanços de reformas no Congresso, incluindo a Medida Provisória da privatização da Eletrobras, a passagem da reforma administrativa na Comissão de Constituição e Justiça e ainda empenho da Economia e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para avançar com o texto da tributária, ainda que fatiado. Pragmáticos, agentes do mercado passaram a ver essa como uma possibilidade factível do avanço das medidas para simplificar a estrutura de tributos do Brasil.

Banco Central
Indicadores de atividade melhores que o esperado e o cenário fiscal menos deteriorado levaram o real a se valorizar em maio, ajudando a melhorar a nota do BC, que passou o mês fazendo apenas a rolagem de contratos de swap, sem necessidade de intervenções extraordinárias. A nota geral subiu de 5,8 para 6,1, a maior desde dezembro de 2020. A nota da política cambial subiu de 5,9 para 6,0, enquanto a da política monetária caiu de 6,3 para 6,1. A da comunicação baixou de 6,1 para 5,9.
A visão do BC de que o ajuste na taxa básica de juros, a Selic, é “parcial”, seguiu provocando debate no mercado. Inicialmente, se esperava que o termo iria ser retirado da comunicação oficial do BC, o que não aconteceu.
O presidente do BC, Roberto Campos Neto, defendeu a avaliação da instituição repetidas vezes em aparições públicas. No final de maio, declarou que a autoridade monetária pode sair de uma normalização parcial da Selic para buscar uma taxa de juros neutra se o cenário de inflação para 2022 mudar. Contudo, ele ressaltou que o cenário atual continua indicando um processo de normalização parcial, com manutenção de algum estímulo monetário.
Em reunião com analistas do mercado em São Paulo e Rio, o BC ouviu que talvez precise fazer uma normalização total na Selic e não uma parcial. O economista da Tendências, Gustavo Loyola, ex-presidente do BC, declarou que é “temerário” falar em ajuste parcial, dado os riscos e a incerteza elevada na economia brasileira. Neste ambiente, o tema acabou pesando nos quesitos comunicação e política monetária das casas que responderam à pesquisa do Broadcast.
Fonte: Agência Estado
