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Termômetro Broad: PEC é aprovada na câmara e notas da fazenda atingem pico desde início de 2015

Termômetro Broad: PEC é aprovada na câmara e notas da fazenda atingem pico desde início de 2015

São Paulo, 03/11/2016 – Num mês de importantes avanços no ajuste fiscal, com destaque para a aprovação da PEC do teto dos gastos na Câmara em dois turnos, a avaliação do mercado financeiro da gestão do Ministério da Fazenda melhorou e atingiu os maiores patamares desde o começo de 2015, mostra o Termômetro Broad de outubro. A nota para a avaliação geral subiu de 6,1 para 7,0, nível mais elevado desde janeiro do ano passado, quando marcou 7,4. As médias do Banco Central, por sua vez, tiveram desempenho misto, com parte delas oscilando em alta e outra parte, em baixa, mas sem variações bruscas entre setembro e outubro. A média de avaliação geral do BC teve queda, de 7,1 para 6,8. Esta edição teve a contribuição de 54 participantes, que responderam ao questionário entre os dias 24 e 31 de outubro.

Termômetro Broad – Médias
Categorias Setembro Outubro
Nota Geral da Fazenda 6,1 7,0
Política Fiscal 5,8 6,7
Comunicação 5,9 6,8
Nota Geral do Banco Central 7,1 6,8
Política Monetária 6,9 6,7
Política Cambial 6,6 6,8
Comunicação 7,0 7,0
Fonte: AE Dados

As demais notas da Fazenda tiveram a seguinte evolução: a de Política Fiscal saltou de 5,8 para 6,7, maior desde fevereiro de 2015, quando também fora de 6,7; e a de Comunicação subiu de 5,9 para 6,8, mais elevado desde janeiro do ano passado (7,7).

Ao longo do mês passado, o governo redobrou a mobilização para aprovar as medidas fiscais, sobretudo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos do governo a partir do ano que vem. De fato, a medida foi aprovada em segundo turno na Câmara, na madrugada do último dia 25, por 359 votos a 116, um quórum surpreendente para uma segunda/terça-feira. Dias antes da votação, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), empreendeu esforços para convencer os parlamentares da importância da matéria. A expectativa é de que seja aprovada no Senado em meados de dezembro.

Enquanto isso, em outra frente, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se dedicava a rebater as críticas da oposição de que a proposta reduziria recursos para saúde e educação, em declarações dadas à imprensa e durante eventos. Ao mesmo tempo, mantinha o tom alarmista sobre as consequências da não-aprovação da matéria. Na esteira da propaganda da PEC, o governo aproveitou para introduzir a discussão sobre a reforma da Previdência, batalha que será muito mais difícil.

No começo do mês, os principais integrantes da equipe econômica estiveram em Washington e Nova York participando da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e também de encontros privados com investidores, em diversos eventos organizados por grandes bancos. Economistas que também participavam dos eventos relataram grande interesse de investidores estrangeiros pelo Brasil.

Outro destaque do mês foram as discussões sobre mudanças na lei de repatriação de recursos enviados ilegalmente ao exterior que, no fim das contas, acabaram não avançando. Entre elas, uma extensão do prazo limite para o dia 16 de novembro, mas preservou-se a data final em 31 de outubro. Além disso, os Estados, em grave situação financeira, defendiam que não somente o imposto, mas também parte da multa, fosse compartilhada com os governos regionais, mas foram voto vencido.

Encerrado o prazo, a arrecadação relacionada à lei de repatriação somou R$ 50,9 bilhões, abaixo de estimativas iniciais do governo que o número chegaria perto de R$ 80 bilhões ou R$ 90 bilhões, mas, de todo modo, o valor que será fundamental para evitar que o déficit primário este ano estoure o limite definido pelo governo de R$ 170,5 bilhões.

Banco Central
Quanto ao Banco Central, seguindo o desempenho da nota geral, que caiu (de 7,1 para 6,8), a média para a Política Monetária recuou de 6,9 para 6,7 entre setembro e outubro, mês em que o Comitê de Política Monetária (Copom) abriu finalmente o ciclo de flexibilização dos juros, o que não ocorria desde outubro de 2012. É a terceira queda seguida da nota da Política Monetária. A decisão de cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,00%, era esperada por boa parte do mercado. Mas desagradou outra corrente nada desprezível, que defendia queda de 0,5 ponto, face aos indicadores de atividade decepcionantes do terceiro trimestre. Além disso, a ata da reunião dos dias 18 e 19 esfriou as apostas de uma aceleração do ritmo de corte no encontro seguinte, em novembro.

ngo broad outubro

A nota para a Política Cambial foi na direção contrária e subiu, passando de 6,6 para 6,8. Na reta final de outubro, o fluxo de entrada de recursos a partir da lei de repatriação ganhou força e derrubou o dólar ante o real. Com isso, o BC anunciou, no último dia 24, que não rolaria os contratos de swap cambial que venceriam em 1º de novembro, decisão tomada, segundo a autoridade monetária, “tendo em vista a possibilidade de fluxos de capitais atípicos ou de oscilações excessivas de câmbio, em função do processo de regularização de capitais detidos por brasileiros no exterior a ser encerrado em 31/10/2016”. Ainda assim, a moeda no dia seguinte continuou caindo até chegar em R$ 3,10.

Por fim, a nota para a Comunicação manteve-se em 7,0. Tanto o comunicado da decisão do Copom quanto a ata foram considerados eficientes pelo mercado no que diz respeito ao gerenciamento das expectativas sobre a Selic. Desde que assumiu, a nova gestão do BC vem promovendo alterações em sua forma de se comunicar e divulgar decisões, de modo, segundo a instituição, a prezar pela transparência. Os diretores sabem que o mercado avalia, e discute, com lupa cada termo utilizado nos documentos e entrevistas.

Na última segunda-feira, os diretores Carlos Viana de Carvalho (Política Econômica), Reinaldo Le Grazie (Política Monetária) e Tiago Couto Berriel (Assuntos Internacionais), durante reunião com analistas do mercado, reiteraram que o board pautará sua comunicação com o mercado e imprensa sempre pela máxima transparência possível. “Se vocês lerem em alguma coluna que fontes do BC disseram alguma coisa é mentira e se isso depois vier a se confirmar será mera coincidência”, teriam falado os diretores, segundo participantes do encontro.

Na terça-feira, com o prazo para respostas ao Termômetro já encerrado, o BC publicou nota em resposta a uma discussão levantada por economistas nas reuniões trimestrais, em que afirma que “sua estratégia de comunicação objetiva aumentar o entendimento sobre as futuras ações do BC e não necessariamente reagir a movimentos de alta frequência nos mercados de ativos”.

A instituição afirma ainda que sua comunicação “privilegia a mensagem como um todo e não a utilização de palavras-chave para transmitir suas avaliações ou sinalizar futuras ações”. De acordo com o Banco Central, os documentos oficiais devem ser analisados em seu conjunto.

O Termômetro Broad é produzido mensalmente pelos profissionais do AE Dados junto a bancos, corretoras, consultorias, gestoras de recursos, instituições de ensino, departamentos econômicos de empresas e outros com histórico de realização periódica de projeções de indicadores econômicos.

A divulgação dos resultados é feita nos serviços em tempo real do Broadcast na quarta-feira mais próxima do dia 5 de cada mês. Em caso de feriado, a divulgação ocorre no primeiro dia útil subsequente.

São publicados apenas os resultados consolidados da pesquisa. As respostas individuais das instituições ficam em sigilo. A redação da Agência Estado não tem acesso às respostas individuais. O questionário, enviado por e-mail, deve ser respondido uma única vez por instituição, na última semana de cada mês.


Fonte: Agência Estado / Autor: Marcelo Augusto  – Analista de Base de Dados e Indicadores •  Dados

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