Mercado financeiro eleva projeção da inflação mas mantém dólar em R$ 6 para 2025

Boletim Focus indica 18ª alta consecutiva na estimativa do IPCA

O mercado financeiro ajustou novamente suas projeções econômicas para 2025, destacando um cenário mais desafiador para a inflação e o câmbio. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (17), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,58% para 5,6%, marcando a 18ª elevação consecutiva. Essa projeção ultrapassa o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, situando o limite superior em 4,5%.

Para 2026, a expectativa de inflação também foi revisada para cima, passando de 4,3% para 4,35%. As projeções para 2027 e 2028 foram elevadas para 4% e 3,8%, respectivamente. Esses ajustes refletem as preocupações dos analistas com a persistência de pressões inflacionárias no médio e longo prazo.

Taxa Selic e política monetária

Para conter a inflação e alinhar as expectativas ao centro da meta, o BC, na última reunião do Copom, fixou a taxa selic em 13,25% ao ano. A Selic tem passado por sucessivos aumentos. Nesta última reunião de janeiro, o Copom elevou a taxa em 1 ponto percentual, indicando a possibilidade de nova alta na próxima reunião, prevista para março. Para o final de 2025, a projeção do mercado para a Selic permanece em 15% ao ano, enquanto para 2026 a expectativa é de redução para 12,5% ao ano.

A elevação da Selic visa conter a demanda aquecida, encarecendo o crédito e estimulando a poupança, o que pode resultar em desaceleração dos preços. No entanto, juros mais altos também podem impactar negativamente o crescimento econômico, uma vez que tornam o crédito mais caro e podem desestimular investimentos e consumo.

Projeções para o câmbio

Além das revisões nas expectativas de inflação e juros, o Boletim Focus também trouxe ajustes na projeção para a taxa de câmbio. A estimativa para o dólar no final de 2025 foi mantida em R$ 6,00, enquanto para o final de 2026 a previsão permanece em R$ 5,90. A valorização do dólar frente ao real pode exercer pressão adicional sobre os preços, especialmente de produtos importados e insumos industriais, contribuindo para a manutenção de um cenário inflacionário desafiador.

Crescimento econômico e PIB

Em relação ao crescimento econômico, o mercado financeiro ajustou ligeiramente para baixo a projeção do PIB de 2025, de 2,03% para 2,01%. Para 2026, a expectativa de expansão econômica foi mantida em 1,7%. Essas revisões refletem uma percepção mais cautelosa dos analistas quanto ao desempenho da economia brasileira nos próximos anos, possivelmente influenciada pelo ambiente de juros elevados e incertezas no cenário global.

As sucessivas revisões nas projeções de inflação, juros e câmbio indicam um cenário econômico desafiador para o Brasil em 2025 e 2026. A persistência de pressões inflacionárias, aliada à necessidade de manutenção de juros elevados, pode impactar o crescimento econômico e o poder de compra da população. Nesse contexto, a atuação do Banco Central e a implementação de políticas fiscais e monetárias eficazes serão cruciais para equilibrar o controle da inflação com a promoção do crescimento econômico sustentável.


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