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Vitória de Dilma afeta o mercado que aguarda definição de novos ministros

SÃO PAULO – Impulsionado anteriormente pela preferência por Aécio Neves (PSDB), o mercado financeiro sofreu ontem após a confirmação da vitória de Dilma Rousseff (PT) nas urnas. Com o fato, o Ibovespa caiu 2,77% e o dólar disparou 2,56% para R$ 2,566.

“Hoje [ontem], o mercado trabalhou no fato, a vitória de Dilma, mas amanhã [hoje e nos próximos dias], a preocupação será com a definição dos nomes do Ministério da Fazenda, do Banco Central e do Ministro da Indústria e Comércio Exterior”, apontou o gerente de câmbio da Treviso, Reginaldo Galhardo.

O principal índice de ações da Bolsa de Valores brasileira encerrou em queda forte de 2,77% e ao mesmo tempo, a cotação do dólar disparou 2,56% mesmo com a intervenção do Banco Central

SÃO PAULO – Impulsionado anteriormente pela preferência por Aécio Neves (PSDB), o mercado financeiro sofreu ontem após a confirmação da vitória de Dilma Rousseff (PT) nas urnas. Com o fato, o Ibovespa caiu 2,77% e o dólar disparou 2,56% para R$ 2,566.

“Hoje [ontem], o mercado trabalhou no fato, a vitória de Dilma, mas amanhã [hoje e nos próximos dias], a preocupação será com a definição dos nomes do Ministério da Fazenda, do Banco Central e do Ministro da Indústria e Comércio Exterior”, apontou o gerente de câmbio da Treviso, Reginaldo Galhardo.

Na avaliação do economista e diretor executivo da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Moura Nehme, a cotação do dólar pode alcançar R$ 2,60 em breve nesse momento de indefinição de nomes. “Houve uma entrada de cerca de US$ 28 bilhões em capital especulativo no Brasil, a tendência é que esse investidor estrangeiro de curto prazo saía, pare de entrar e observe o quadro de fora”, afirma.

Ontem, o dólar à vista no balcão das corretoras chegou a subir 4% e atingiu a máxima de R$ 2,56 mesmo com a atuação diária do Banco Central com a venda de contratos de swap (troca cambial) no mercado futuro de moedas.

Já na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), o volume negociado ontem aproximou-se de R$ 18 bilhões, com investidores na ponta vendedora. Na manhã de ontem também houve forte movimentação de venda de ADRs (recibos de ações) de empresas brasileiras na Bolsa de Nova York (Nyse).

No Brasil, ontem, no período da manhã, o principal índice de ações, o Ibovespa, chegou a registrar queda de 6,2%, aos 48.722 pontos. “Mas no período da tarde, gestoras americanas entraram para comprar papéis muito baratos e empresas defensivas “, diz o gestor da BBT Asset, Raphael Juan.

Entre os papéis que registraram forte movimento de compra ontem estavam as empresas do setor de educação – Kroton, Estácio e Ser Educacional – o papel da concessionária CCR e das exportadoras Klabin, Fibria, Suzano e Embraer. “O mercado adora um kit, sai do kit eleição e entra no kit exportação, uma operação especulativa por causa da alta do dólar”, disse Raphael Juan.

O sócio-diretor da Easynvest, Marcio Cardoso, contou que as ações que mais sofreram ontem foram as do chamado “kit eleição”, que subiram antes devido a expectativa de uma vitória do candidato Aécio Neves (PSDB). “O papel ON da Petrobras chegou a cair mais de 15,5%, o PN, caiu mais de 12%”, disse Cardoso.

Nomes e boatos

Agora, o mercado já busca informações sobre os novos nomes da equipe econômica do próximo governo Dilma Rousseff. As especulações já começaram com a ventilação dos nomes de Luiz Trabuco (presidente do Bradesco), Eduardo Loyo (economista-chefe do BTG Pactual), Henrique Meirelles (ex-BC) e até de Antonio Palocci (ex-Fazenda).

“É tudo boato. Mas a realidade é que o mercado espera um nome de consenso, alguém que transmita mais confiança e dê transparência. E esse governo não tem muito tempo não, pois há um histórico de falar uma coisa e fazer outra”, argumenta Marcio Cardoso.

Na mesma linha, Sidnei Nehme diz que o mercado espera um ministro da Fazenda “um pouco diferente” do atual Guido Mantega. “O governo tem insistido num modelo de consumo que está esgotado. Não dá para incentivar o consumo quando se está endividado. A Dilma dá muito palpite também. Mas o setor produtivo quer atenção”, diz Nehme.

Numa visão mais amena, o gestor Raphael Juan diz que a tendência – passado esse período eleitoral e de especulação – é que investidor volte a procurar por empresas com bons fundamentos. “O Brasil não vai acabar, e mercado deve voltar à normalidade, com investidores procurando por empresas boas pagadoras de dividendos e sólidas. Quem estiver bem, irá bem. Se a empresa estiver indo mal, irá mal”, diz.

Mercado de juros

Além dos efeitos da reeleição de Dilma no câmbio e na Bolsa de Valores, outro reflexo do nervosismo ontem foi a suspensão temporária da compra e venda de títulos públicos federais pela internet no programa Tesouro Direto. Em nota, o Tesouro informou que houve forte volatilidade nas taxas de juros na manhã de ontem.


Fonte: DCI – Diário do Comércio Indústria & Serviços
Link: http://goo.gl/KTgjMB
Autor: Ernani Fagundes
Data de publicação: 28/10/2014

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