– Queda no superávit comercial e aumento no déficit em serviços pesam no resultado –
O Brasil iniciou 2025 com um déficit expressivo nas contas externas. Em janeiro, as transações correntes registraram saldo negativo de US$ 8,655 bilhões, quase o dobro dos US$ 4,407 bilhões registrados no mesmo período de 2024, segundo o Banco Central. A ampliação do déficit foi impulsionada pela queda acentuada no superávit comercial e pelo crescimento do déficit em serviços.
O saldo positivo da balança comercial caiu 78%, passando de US$ 5,563 bilhões em janeiro de 2024 para apenas US$ 1,223 bilhão no início deste ano. Esse movimento reflete o aumento das importações, que atingiram o maior valor para meses de janeiro desde 1995, totalizando US$ 24,148 bilhões, enquanto as exportações recuaram 5,9%, somando US$ 25,371 bilhões.
Setor de serviços e impacto na balança
O déficit na conta de serviços foi outro fator relevante para o aumento do saldo negativo das contas externas. O saldo negativo atingiu US$ 4,552 bilhões, com destaque para o aumento de 53,6% nas despesas líquidas com transporte, que alcançaram US$ 1,442 bilhão. Esse crescimento reflete a maior demanda por fretes internacionais em um cenário de elevação dos custos logísticos.
Outro fator que contribuiu para o aumento do déficit foi a expansão dos gastos com serviços de propriedade intelectual relacionados a serviços de streaming, que cresceram 29,1%, chegando a US$ 768 milhões. Já os serviços de telecomunicação, computação e informações subiram 22%, totalizando US$ 998 milhões, impulsionados pelo avanço das plataformas digitais no país.
Investimentos diretos e fluxo de capital
O Brasil segue financiando seu déficit em transações correntes com ingressos de investimentos diretos no país (IDP), que somaram US$ 6,501 bilhões em janeiro. Apesar do montante robusto, houve uma queda de 28,4% em relação aos US$ 9,080 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior. Esse recuo foi impulsionado pela menor entrada de capital estrangeiro na forma de participação acionária e reinvestimentos de lucros.
Nos últimos 12 meses encerrados em janeiro, o IDP acumulado atingiu US$ 68,491 bilhões, equivalente a 3,16% do PIB. Esse valor ainda garante a cobertura do déficit externo, evitando a necessidade de um aumento expressivo no endividamento externo do país.
Já os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram saída líquida de US$ 715 milhões no mês, refletindo uma retirada de US$ 2,370 bilhões em títulos da dívida, parcialmente compensada pela entrada de US$ 1,655 bilhão em ações e fundos de investimento. Esse comportamento sugere uma seletividade maior dos investidores estrangeiros frente ao cenário macroeconômico global e doméstico.
Reservas internacionais e estabilidade externa
Apesar do déficit elevado, o Brasil ainda mantém reservas significativas. As reservas internacionais totalizaram US$ 328,303 bilhões em janeiro, registrando uma leve redução de US$ 1,426 bilhão em relação ao mês anterior. Esse nível de reservas continua sendo um fator crucial para garantir a estabilidade externa do país, funcionando como uma proteção contra oscilações bruscas nos fluxos de capital.
O comportamento das contas externas em janeiro de 2025 reforça o desafio do Brasil em equilibrar seu saldo externo em um contexto de demanda aquecida por importações e crescimento das despesas com serviços internacionais. A evolução dos investimentos estrangeiros diretos e das políticas econômicas voltadas para a competitividade das exportações serão fatores decisivos para os próximos meses.
Fonte: BC / EBC
