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Inflação baixa duradoura é o desafio da política monetária, segundo o presidente do BC

Inflação baixa duradoura é o desafio da política monetária, segundo o presidente do BC

Ilan Goldfajn participou da coletiva de imprensa após a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação, na quinta-feira (29).

“O cenário básico do Copom contempla recuperação consistente da economia brasileira, num ambiente em que o nível de ociosidade é ainda elevado”, afirmou o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Viana, durante a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação (RI), na quinta-feira (29). O evento, transmitido pelo canal do BC no YouTube, marca também a primeira participação do presidente da instituição, Ilan Goldfajn, nas coletivas de imprensa que ocorrem uma semana após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

De acordo com o Relatório, a evolução da inflação foi mais benigna do que o esperado no início do ano. Os preços de alimentos, responsáveis por parcela importante da surpresa desinflacionária em 2017, voltaram a apresentar variação atipicamente negativa em fevereiro. A expectativa para a inflação da Pesquisa Focus para esse ano é de 3,6% e 4,2% para 2019, e em torno de 4% para 2020.

Projeções

Em relação às projeções condicionais para a inflação, o RI traz, no curto prazo, uma dinâmica inflacionária mais favorável que o esperado no início do ano. A diferença entre o cenário do Copom e o IPCA observado foi de -0,25% no trimestre.

Recapitulando a decisão do último Copom, que reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 6,50% ao ano, o diretor afirmou que o Comitê entende que o movimento é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui 2018, e com peso gradualmente crescente no ano de 2019. O Comitê comunicou que seu cenário básico envolve fatores de risco em duas direções: por um lado há a possibilidade de propagação desse ambiente de inflação baixa por meio de mecanismos inerciais, produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, uma frustração das expectativas em relação a reformas e ajustes necessários na economia pode elevar prêmios de risco e produzir trajetória de inflação mais alta no horizonte relevante para a política monetária. Esse risco se intensifica no caso de reversão do corrente cenário externo favorável para economias emergentes.

Transparência na comunicação

“Iremos responder perguntas a respeito da política monetária. Isso já é feito em vários bancos centrais do mundo e consideramos isso um avanço na nossa comunicação e transparência”, afirmou Ilan Goldfajn na coletiva de imprensa. De acordo com ele, o que se tem hoje em termos de política monetária é diferente do passado. “O BC tem que balancear a necessidade de garantir velocidade adequada de volta da inflação para a meta e a necessidade de assegurar que a conquista da inflação baixa perdure mesmo diante de incertezas e de possíveis choques no futuro”. Para o presidente, o Copom tem a flexibilidade para reagir aos riscos de ambos os lados.

Considerando a primeira dimensão, Ilan afirmou que a inflação mais baixa no começo do ano, trouxe uma surpresa com núcleos de inflação considerados baixos pelo Copom. “Também vemos projeções para 2018 abaixo da meta. A projeção do BC utilizando algumas trajetórias da pesquisa Focus está em 3,8% para esse ano. Temos que assegurar que a trajetória da inflação abaixo da meta venha a convergir numa velocidade adequada. Com isso também estimulamos a economia”, explicou. Ilan destacou que se decidiu dar mais estímulo no curto prazo. “Hoje o juro real de um ano está entre 2% e 2,5%. Isso é estimulo adicional para garantir que a trajetória de volta para a meta da inflação ocorra na velocidade adequada”.

Na segunda dimensão, de assegurar que as conquistas da inflação e de juros mais baixos da taxa Selic se mantenham por tempo prolongado, o presidente espera que haja mudança estrutural – não só conjuntural. “Precisamos continuar com ajustes e reformas na economia brasileira, como a reforma da previdência e a autonomia do BC”. Ele identifica a interrupção dessas reformas e mudança no cenário internacional como risco dessa dimensão.


Fonte: Banco Central

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