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Câmbio: Pesquisa eleitoral e exterior podem sustentar postura defensiva

“Postura defensiva é absolutamente necessária.”

O compasso de espera pela pesquisa CNT/MDA sobre intenções de voto em São Paulo, que será divulgada às 11 horas, pode deixar os investidores locais na defensiva após a abertura em meio ao viés de alta do dólar em relação a seus pares principais e moedas emergentes e ligadas a commodities no exterior. O fluxo cambial pode limitar as margens de oscilação da moeda americana assim como o recuo do risco Brasil nesta manhã. Às 8h47, o risco País caía 0,39 ponto, para 216,39 pontos, depois de ter sido pressionado ontem pelos rumores em torno da corrida eleitoral.

Ontem à tarde, o dólar inverteu o sinal e fechou em alta no mercado doméstico, enquanto a Bolsa caiu com boatos de que o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, teria tido desempenho ruim na sondagem. Se o resultado confirmar as especulações, o mercado poderá estressar. Do contrário, os ativos locais podem passar por ajustes, com possível queda do dólar e elevação da bola. À noite, o tucano refutou rumores que também circularam na sessão vespertina de que poderia ter sido citado na suposta delação do ex-presidente da Dersa Laurence Casagrande Lourenço, denunciado no âmbito da Operação Pedra no Caminho. A defesa do empresário negou que ele estaria pensando em fazer delação premiada. Na pesquisa do Ibope da última sexta-feira, Alckmin estava à frente de Jair Bolsonaro (PSL) entre o eleitorado paulista.

Na agenda, o Banco realiza leilão de 4.800 contratos de swap cambial, equivalentes a US$ 240,0 milhões, para rolagem do vencimento de setembro (11h30). Daqui a pouco será anunciado o IPCA de julho, que pode ter o menor nível para o mês desde 2014 (0,01%), conforme pesquisa do Projeções Broadcast. O intervalo das expectativas para a inflação oficial vai de 0,21% a 0,37%, com mediana em 0,27%. As estimativas são todas bem inferiores ao aumento de 1,26% registrado em junho, quando os preços foram afetados pelos problemas de desabastecimento em decorrência da greve dos caminhoneiros, no fim de maio.

No exterior, o dólar mostra viés de alta e as bolsas da Europa e futuros em Wall Street têm fôlego limitado após os ganhos da véspera. Além da temporada de balanços, seguem no radar relatos de que o governo Donald Trump pode impor tarifas sobre mais US$ 16 bilhões em importações chinesas. A medida, já esperada e que pode entrar em vigor no dia 23, levaria o total de produtos chineses afetados por tarifas dos EUA a US$ 50 bilhões. Pequim já anunciou planos de retaliar de maneira equivalente. Os preços do petróleo se firmaram em terreno negativo, após a notícia de que o ministro de petróleo do Irã enviou uma carta ao ministro de petróleo dos Emirados Árabes Unidos e presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) cobrando cumprimento das metas de produção fixadas no acordo da Opep, o que sugere que o acordo não tem sido cumprido por todos os países envolvidos. Os dados da balança comercial da China ajudam a limitar a valorização da moeda americana frente a! s divisas de países emergentes e exportadores de commodities.

A atuação do Banco do Povo da China (PBoC) segue no radar. Ontem, traders de quatro grandes instituições financeiras em Xangai disseram que a instituição interveio no mercado por meio de swaps cambiais, com a intenção de enfraquecer a cotação do dólar. Já o estoque de reservas externas da China subiu ligeiramente para US$ 3,12 trilhões no mês passado, o que ajudou a reforçar a confiança no yuan em meio a preocupações de que o fortalecimento do dólar pudesse estimular o fluxo de capital para fora do país asiático.


Fonte: Broadcast Agência Estado
Publicado: 08 de agosto 2018

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