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Brasil “está com sorte”, mas analistas afirmam: calmaria do real será testada em breve

Real vem apresentando “dias de calmaria”, mas analistas seguem céticos sobre os dias de tranquilidade da moeda brasileira; segundo economista da NGO, com incertezas do mercado e instabilidade, não há como ter moeda estável

O real vem apresentando “dias de calmaria” e rondado em torno de R$ 3,80, após ter chegado a ficar acima de R$ 4,00 em setembro. Porém, após os dados dos Estados Unidos da última sexta-feira, a maior parte dos analistas segue cética sobre se a divisa brasileira vai se manter neste patamar. 

Conforme destaca a LCA Consultores, a criação de emprego nos EUA teve uma recuperação bastante consistente recuperação em outubro, com ganhos salariais acelerando de maneira mais evidente. 

Com isso, fica reforçada a expectativa de que o Federal Reserve começará a elevar a taxa básica de juros norte-americana em sua próxima reunião de política monetária, agendada para meados de dezembro.

“Apesar de os mercados globais terem ajustado suas expectativas para atribuir probabilidade claramente preponderante à perspectiva de elevação do juro do Fed já em dezembro, a repercussão disso sobre ativos e moedas emergentes foi modesta – indicando que a iminente ação do Fed já está, em boa medida, precificada. No Brasil, a reavaliação sobre o timing do aumento do juro do Fed teve repercussão praticamente nula sobre a cotação cambial – que continua em tendência de lenta descompressão, ante o refluxo (parcial e irregular) da percepção de risco político; e num contexto de diluição das preocupações globais com a China”, avalia a consultoria.

Contudo, esta calmaria no mercado de câmbio deverá ser testada nos próximos meses, diz a LCA Consultores. Isso porque, além da confirmação do aumento do juro nos EUA, é provável que recrudesçam riscos para a conjuntura doméstica – sobretudo de natureza política e fiscal –, que tendem a repercutir sobre o risco-Brasil e a taxa de câmbio. “Desta forma, esperamos que continuem desfavoráveis as perspectivas da Bovespa e do real frente ao dólar, enquanto não ficar claro quais são as chances de o governo conseguir recuperar os fundamentos fiscais”, afirma a consultoria.

Segundo o economista e diretor executivo da NGO, Sidnei Nehme, o Brasil tem receios severos em relação a possível elevação da taxa de juro nos Estados Unidos, pois seria uma razão para uma forte retirada de recursos financeiros do país. Assim, o real se sensibiliza com esta possibilidade e se revela volátil. Porém, segundo ele, o Fed americano vem desde o início do ano protelando esta decisão, pois bem sabe que pode representar danos efetivos à recuperação da economia americana, dada a prevista elevação do dólar ante demais moedas fortes retirar competitividade de seus produtos e impactar no nível de emprego do país. “O país tem tido ‘sorte’ até o momento”, afirma.

” Os dados recentes do emprego na economia americana se mostraram em forte recuperação e não faltam porta vozes das autoridades monetárias americanas a colocar a possibilidade de a elevação vir a ocorrer em dezembro próximo, mas o certo é que falta convicção efetiva nesta possibilidade”.

Brasil: com instabilidade e incertezas, não há como ter moeda estável
Segundo Nehme, há razões e motivos presentes que podem levar o real a preço acima de R$ 4,00 e também abaixo deste patamar. “O que não existe são fatores de sustentação de estabilidade de cotação, todos mostram como uma moeda vulnerável e amplamente sujeita a volatilidade”. 

Ele destaca ainda que há quem diga que o ‘Brasil está barato’, “mas esta afirmativa se torna banal quando se constata que o país perdeu líquidos US$ 3,5 bilhões no mês de outubro, dado que evidencia a baixa atratividade ao investidor”.

Somado ao cenário de desaceleração chinesa, o economista da NGO avalia que o Brasil é um país assustado com tantas incertezas presentes e sua fragilidade latente. “Têm ameaças a partir da crise econômica cujos números proliferam sem indicativos de possibilidade de melhora e em especial uma severa desorganização na política fiscal que conduz o país a déficit fiscal neste ano acima de R$ 100 bilhões, a rigor ninguém sabendo efetivamente onde vai parar”.

“Então, qual é a projeção para o preço do dólar? Absolutamente incerto, o contexto que cria ambiente amplamente negativo é enorme, há inúmeros riscos presentes e não há perspectiva de melhora”, afirma Nehme. 

Forbes: dólar a R$ 5?
Neste sentido, destaque para matéria da revista Forbes, que questionou se a moeda americana pode ir aos R$ 5,00. Conforme destaca a publicação, depois de uma desvalorização de 25% da moeda nacional em seis meses, as coisas parecem ter se estabilizado. Mas, na atual crise, é difícil ver qualquer estabilização.

Isso porque, aponta a revista, as perspectivas para a moeda estão fora do controle do País se o Fed realmente elevar os juros antes de 2015 acabar. “As moedas de mercados emergentes vão sofrer se houver altas adicionais em 2016”. 

O Brasil tem uma das moedas mais fracas entre as 10 principais economias do mundo, destaca a publicação, mas que tem se fortalecido desde quando o dólar atingiu R$ 4,17. Mas, se os juros subirem, eles colocarão pressão sobre as taxas de títulos brasileiros, ainda mais pelo cenário do Brasil perder o grau de investimento. 

“Com os preços das commodities globais ainda tão fracas e não tendo sinais convincentes de um ponto de virada no ciclo de crescimento chinês, os riscos para o crescimento e para a moeda do Brasil ainda parecem inclinados para o lado negativo”, afirmou o economista internacional sênior da PNC Financial, Bill Adams, para a Forbes. 


Fonte: InfoMoney
Link: http://goo.gl/vtriUJ
Autor: Lara Rizério
Data de publicação: 10/11/2015


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