Fluxo Cambial novembro até 4 de dezembro de 2020

Análise

“os números líquidos não confirmam que impacto do fluxo cambial esteja provocando apreciação do real, pois os saldos são discretíssimos, são outros os fatores”

A despeito de continuar sendo alardeado que o fluxo de investidores estrangeiros direcionados para a Bovespa é fator de apreciação do Real frente ao Dólar, os números do fluxo cambial persistem em  não confirmar esta assertiva, visto que o fluxo cambial líquido fechado em novembro de US$ 160,0 Mi positivos, e, até 4 de dezembro último positivo tão somente US$ 316,0 Mi,   não têm a expressividade suficiente para este movimento pontual da moeda nacional, como sempre pontuado leigamente como causa sem avaliação do fato concreto em si.

O fluxo comercial líquido foi negativo em novembro em US$ 5,575 Bi e está até 4 de dezembro negativo em US$ 1.282,0 Bi deixando evidente que o preço do dólar em patamar mais acomodado motiva os pagamentos internacionais de importações que vinha sendo empossados ao longo do período recente de preço da moeda americana exacerbado.

O fluxo financeiro líquido fechou novembro com saldo  positivo em US$ 6,013,0 Bi e até 4 de dezembro está positivo em US$ 1,577,0 Bi e é presumível que efetivamente represente preponderantemente fluxo para a Bovespa.

Contudo, o fluxo cambial líquido, que é o que impacta, em tese,  na formação do preço da moeda no mercado à vista, revela-se positivo em tão somente US$ 160,0 Mi em novembro e US$ 316,0 Mi até 4 de dezembro,  confirmando a evidência que o que presenciamos  é a fragilização consistente do dólar no mercado internacional e em especial frente a moedas vinculadas a países exportadores de commodities, como Brasil e México em especial, havendo poucos méritos das moedas nacionais destes países como causa e, no caso brasileiro, a delicada situação fiscal continua como um forte ponto de contenção a depreciação maior do dólar, afora a assimetria do juro.

Contudo, a ação preventiva do BC ofertando 4.000 contratos de swaps novos para atenuar eventuais pressões com o ajuste do “overhedge” do bancos da ordem de US$ 16,0 Bi previsto para este mês, para o qual poderá fazer também oferta de dólares a vista no mercado, inibe a relevância deste fato como fator impactante na formação do preço da moeda americana localmente.

Há também  outro fator que ocorre na “esteira” da fragilização do dólar no mercado internacional, ou seja, a indução ao desmanche de posições compradas no mercado futuro que também impactam na formação do preço, já que, no Brasil, sabidamente o mercado futuro tem soberba influência sobre o mercado à vista.

O Brasil continua não atrativo para os investidores estrangeiros no mercado de renda fixa, já que o país convive com inflação entre 4,0% a 4,5% com viés de alta e estabelece juros SELIC de 2%.

No ano o fluxo cambial líquido está negativo em US$ 19,254 Bi, tendo performance comercial positiva de US$ 25,921,0 Bi e financeiro negativo em US$ 45,174,0 Bi.

Como se pode observar, não há motivos concretos para se atribuir ao “fluxo de recursos externos” a causa da depreciação do dólar no nosso mercado, que ocorre como reflexo do comportamento da moeda americana no mercado internacional, tendo como fatores preponderantes as perspectivas com o novo governo Biden nos Estados Unidos a partir de janeiro e os avanços em torno das vacinas, a despeito da permanência no radar da crise relutante do coronavírus, que volta a se acentuar no mundo todo e, expressivamente, no Brasil.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio

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