Ibovespa cai 1,4% com tensões políticas e dólar dispara até R$ 5,21

Petrobras afunda mais de 4% com queda do petróleo e real tem a pior performance entre emergentes

O Ibovespa foi derrubado pelo cenário político pelo segundo dia consecutivo nesta terça-feira, 6. As atenções dos investidores continuaram na denúncia de que o presidente Jair Bolsonaro teria coordenado um esquema de "rachadinhas" quando era deputado federal. Os reflexos foram sentidos no câmbio e na bolsa, onde só três ações fecharam em terreno positivo.

O principal índice da B3 fechou em queda 1,42%, aos 125.103 pontos, na pontuação mais baixa desde o final de maio. Na mínima da sessão, o Ibovespa chegou a ficar abaixo da marca simbólica dos 125.000 pontos.

No mercado de câmbio, o dólar subiu pelo 6º dia consecutivo, acompanhando a alta global da moeda e refletindo as incertezas domésticas.

O dólar registrou uma alta de 2,39% e fechou a sessão negociado a 5,209 reais -- apenas uma semana após estar abaixo da marca dos 5 reais, considerada uma importante barreira psicológica no mercado. "Riscos políticos perturbadores dificultam a apreciação do real", diz em nota Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora.

"Enquanto predominar este ambiente político de tensão, os traders do mercado de câmbio poderão estimular a volatilidade que lhes interessa comercialmente, mas muito dificilmente conseguirão alterar o cenário prospectivo que indica apreciação do real", afirma o especialista.

A moeda brasileira registrou o pior desempenho do dia contra o dólar entre seus pares emergentes. "A discussão política ganhou bastante relevância recentemente e vai continuar. Não tem nada que indique que isso sairá do radar tão cedo", comenta Bruno Lima, analista-chefe de ações do BTG Pactual Digital.

Segundo áudios divulgados em reportagem do UOL e atribuída a uma ex-cunhada do presidente, o ainda deputado federal Jair Bolsonaro teria demitido o irmão dela por supostamente ter repassado um valor menor de seu salário como assessor parlamentar do que teria sido combinado.

Esta não foi a primeira vez que o nome do presidente foi envolvido em supostos casos de "rachadinha". Ainda antes de concorrer ao cargo, reportagens da Folha S. Paulo haviam revelado supostos esquemas de funcionários fantasmas em seu gabinete. Quando chegou à presidência, veio à tona, no Estadão, o caso de Fabrício Queiroz envolvendo seu filho Flávio Bolsonaro.

Soma-se a isso, o andamento da CPI da Covid, discussões sobre reforma tributária e supostas corrupções envolvendo compras de vacinas contra o coronavírus.

Destaques de ações
Na bolsa, apenas três ações encerraram o dia em terreno positivo: Bradespar (BRAP4), Vale (VALE3) e Energisa (ENGI11), que avançaram, respectivamente, 1,42%, 0,53% e 0,09%.

Os papéis da mineradora e da Bradespar, que tem participação na Vale, foram impulsionados pela valorização de quase 3% do minério de ferro na China.

Por outro lado, os papéis da Petrobras (PETR3/PETR4) e dos grandes bancos ajudaram a derrubar o índice. As ações da petroleira fecharam em baixa de 3,74% e 4,09%, enquanto o maior recuo do setor bancário foi do Banco do Brasil (BBAS3), que caiu 1,5%.

"Os vilões vão de temores inflacionários até possíveis desdobramentos da CPI da Covid, que aparentemente está próxima demais de queimar as pontes entre Planalto e o Centrão uma vez que grandes nomes da aliança aliança política do presidente estão envolvidos no imbróglio dos últimos dias", afirma em nota André Perfeito, economista-chefe da Necton.

No caso da Petrobras, a queda foi resultado do desempenho do mercado de commodities. Nesta manhã, o preço do petróleo Brent chegou a bater a máxima desde 2018 com a notícia de que a Opep+ não havia chegado a um acordo sobre a produção de petróleo. A commodity, no entanto, virou para o terreno negativo e caiu 3,01%. Com a queda, as ações da PetroRio (PRIO3) foram a maior baixa do dia, recuando 5,82%.

Em Nova York, os principais índices do mercado americano recuaram, após uma longa sequência de recordes. O Dow Jones teve baixa de 0,6%, enquanto o S&P 500 caiu 0,2%. Além de alguma realização de lucros, investidores ponderaram o cerco chinês a grandes empresas de tecnologia do país.

Segundo Bruno Komura, analista de renda variável da gestora Ouro Preto, o ISM de serviços dos Estados Unidos, que ficou em 60,1 pontos, abaixo das expectativas de 63,5 pontos, também dá o tom negativo ao mercado americano.

"Agora com a vacinação, a reabertura econômica estava acontecendo e o setor de serviços tenderia a reagir muito bem. Mas o dado acabou frustrando bastante o mercado e talvez coloque em dúvida os efeitos da reabertura da economia, levando em conta até as novas variantes do coronavírus", diz Komura.

Temores em relação à reabertura econômica também impactaram as ações de aéreas no Brasil, com Azul (AZUL4), Gol (GOLL4) e CVC (CVCB3) entre as maiores quedas da sessão. As aéreas recuaram 4,17% e 3,25%, respectivamente, enquanto a CVC caiu 3,63%.

Os papéis foram impactados pela notícia de que a cidade de São Paulo registrou hoje o primeiro caso da variante Delta do coronavírus, o que pode prejudicar o processo de retomada econômica.

ngo na midia exame new Fonte: Invest Exame
Autor: Beatriz Quesada e Guilherme Guilherme
Link: invest.exame.com/ibovespa-cai-14-com-tensoes-politicas-e-dolar-dispara-a-r-52
Data de publicação: 06/07/2021

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