Após decisão do STF sobre Lula, dólar passa de R$ 5,80 e risco país sobe

Em um cenário econômico já cheio de incertezas, potencializadas pelo agravamento da pandemia, a decisão do ministro Edson Fachin, do STF, de anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-o apto a votar a disputar eleições, voltou a pesar nos ativos locais e teve um forte efeito nas negociações nesta terça-feira, 9.

O dólar fechou em leve alta de 0,33%, a R$ 5,7974, depois de ter batido em R$ 5,8744. O risco país (que mede a capacidade de uma nação de pagar suas dívidas) chegou a 220 pontos, mas, à tarde, baixou para 212 pontos - na segunda, antes do anúncio de Fachin, estava em 201 pontos. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), avançou 0,65%, aos 111.330,62 pontos, mas não foi o bastante para recuperar as perdas de 3,98% da segunda-feira, 8. Na semana, o índice perde 3,36%, limitando o ganho a 1,18% no mês - em 2021, cede 6,46%.

A melhora no risco país, no final da tarde desta terça, foi atribuída à promessa da Câmara de não desidratar a PEC do auxílio emergencial. Mesmo com uma queda de braço entre líderes do Centrão e o presidente Jair Bolsonaro, o relator da proposta, deputado Daniel Freitas (PSL-SC), decidiu manter o texto que autoriza uma nova rodada do benefício com medidas de ajuste, da mesma forma que foi aprovado pelos senadores.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) afirmou que a previsão do Ministério da Economia é pagar a primeira parcela do auxílio emergencial ainda este mês. Para que isso ocorra, ele disse que nesta terça será votada a admissibilidade da PEC emergencial e que na quarta-feira, 10, ocorrerá a votação em dois turnos. Muito embora tenha dito que não deve haver fatiamento, deixou claro que "qualquer destaque é democraticamente possível e caberá à maioria formada manter o texto".

"A PEC tirou o foco do Lula, contribuindo também para segurar um pouco o dólar. Temos uma situação fiscal crítica e a recolocação de Lula como eventual candidato em 2022 reforça a questão do populismo para os anos à frente. Temos hoje um governo dito liberal, que deveria estar mais focado em questões fiscais - e não está tanto quanto deveria, o que terá efeitos para 2022 e 2023", observa Marina Braga, líder de alocação na BlueTrade.

No exterior, também contribuiu certa acomodação observada nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, o que deu fôlego ao apetite por ações em Nova York nesta terça-feira. Nasdaq, Dow Jones e S&P 500 tiveram ganhos de 3,69%, 0,10% e 1,42% cada.

"Aqui, apesar do dia bem favorável lá fora, não tivermos um gatilho forte para levar o Ibovespa mais acima, depois do que se viu ontem. O mercado está ainda um pouco grogue, fazendo pausa para respirar. Tudo que não se queria para 2022 era polarização entre Lula e Bolsonaro, com Centro enfraquecido - mas é o que parece estar se desenhando. Vai haver volatilidade, mas com juros reais perto de zero ou negativos, o custo de oportunidade continua muito pequeno, ainda que a Selic venha a subir a partir da semana que vem, gradualmente como se espera", diz Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo.

Na ponta do Ibovespa nesta terça-feira, destaque para o setor de proteína animal, com Minerva em alta de 6,14%, e BRF, de 5,98%, à frente de Suzano, com 5,06%, e Braskem, com 4,27%. No lado oposto, Lojas Americanas cedeu 5,70%, B2W, 5,25%, e Via Varejo, 4,85%. Entre as ações de grande peso, destaque para alta de 2,32% em Petrobrás PN e de 1,86% na ON, com Vale ON em baixa de 1% no fechamento, em dia de forte queda do minério de ferro na China (-5,70% em Qingdao).

Câmbio
O dólar teve um dia de acomodação hoje, após a forte piora da tarde de ontem. No mercado futuro, a moeda americana chegou a encostar em R$ 5,90 no final da segunda-feira, com o temor de fatiamento da PEC Emergencial e após a notícia de anulação da condenação do Lula. Hoje, esses fatores seguiram ecoando nas mesas de operação, mas houve algum alívio após parlamentares prometerem que o texto da PEC do auxílio não terá mudanças. O dólar para abril fechou em queda de 1,28%, a R$ 5,8065.

"Os estrangeiros estão em modo risk off com o Brasil", comenta o Bank of America. Com risco fiscal em alta, baixo retorno e ruídos políticos, o Brasil está "nadando contra a maré" e perde recursos de investidores estrangeiros, enquanto outros emergentes seguem atraindo capital externo. Somente na semana passada, houve aportes de US$ 6,1 bilhões nas carteiras globais dedicadas a emergentes, observa o banco americano, mas os dados mostram contínua saída de capital externo do Brasil, com retirada de R$ 15 bilhões da B3 nas últimas duas semanas.

No mercado futuro, houve novo reforço de posições defensivas. O destaque ontem foi a movimentação de fundos nacionais reduzindo posições vendidas em dólar futuro na B3, ou seja, que ganham com a queda da moeda americana. Eles cortaram em 25.725 contratos suas apostas, o equivalente a US$ 1,3 bilhão, segundo dados da B3 monitorados pela corretora Renascença.

ngo na midia exame new Fonte: Estadão
Autor: Luís Eduardo Leal, Altamira Silva Júnior e Maiara Santiago
Link: economia.estadao.com.br/cotacao-dolar-bolsa-de-valores-09-03-2021
Data de publicação: 08/03/2021

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