Bolsa cai quase 4% e dólar bate em R$ 5,77, maior valor do ano, com decisão do ministro Edson Fachin sobre Lula

Mercado ficou estressado com decisão que coloca ex-presidente no jogo político

O dólar comercial fechou no maior valor do ano e a Bolsa teve forte queda nesta segunda-feira após decisão do ministro Edson Fachin, do STF, que anula condenação do ex-presidente Lula no âmbito da Lava-Jato.

O dólar comercial avançou 1,70%, e encerrou negociado a R$ 5,77, maior patamar do ano. É o maior nível de fechamento da divisa desde o dia 15 de maio do ano passado, quando o dólar encerrou negociado a R$ 5,83.

Na máxima do dia, a divisa atingiu R$ 5,78 e, na mínima, foi a R$ 5,70.

Já a Bolsa caiu 3,98% aos 110.611 pontos. É a maior queda do Ibovespa desde o dia 22 de fevereiro, quando o índice recuou 4,87% após o presidente Jair Bolsonaro trocar o comando da Petrobras.

Em pontos, o Ibovespa fechou no menor patamar desde o dia 1º deste mês, quando encerrou aos 110.334 pontos.

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Todas as ações com maior peso no índice encerraram com baixas expressivas. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) perderam 4,81%, enquanto as preferenciais (PETR4, sem direito a voto) recuaram 5,76%.

Os papéis PN do Itaú (ITUB4) perderam 3,18%, enquanto os PN do Bradesco (BBDC4) recuaram 3,55%.

Já as ações ordinárias da Vale (VALE3) caíram 0,54%.

Pedro Galdi, analista da Mirae Asset Management no Brasil, afirma que a reação negativa do mercado esteve diretamente ligada à decisão do STF. Ele avalia que essa ruptura com a Lava-Jato, operação que foi considerada decisiva para combater a corrupção no país, afeta negativamente a imagem do país, que já vinha machucada com as intervenções do presidente Bolsonaro na Petrobras e no setor elétrico.

- Pega muito mal para a imagem do país no exterior. A consequência é a perda de credibilidade. Mas a Procuradoria Geral da República deve recorrer da decisão, que foi monocrática - diz Galdi.

O avanço da pandemia no Brasil também causa mal-estar entre os investidores.

- O aumento do risco político, desta vez após Edson Fachin, ministro do STF, anular condenações de Lula na Lava-Jato, somado ao avanço da pandemia no Brasil, com o sistema de saúde em vários estados indo ao colapso, são os dois fatores que pressionaram o Ibovespa nesta segunda-feira - disse Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, sobre o desempenho do mercado.

O índice já vinha operando no campo negativo nesta segunda diante do cenário de avanço do coronavírus no país, com recordes de mortes, lotação de leitos e medidas de isolamento social ao redor do país.

Um analista o mercado observa que o stress subiu depois da decisão de Fachin, porque os investidores foram pegos de surpresa.

O processo que estava no radar do mercado era o de suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, e só em relação ao caso do triplex do Guarujá, disse o analista, que prefere não se identificar.

O risco país medido pelo CDs (credit default swap) de cinco anos está em 203,7 pontos, queda de 3,7%. Ainda assim, trata-se de um patamar mais elevado que em fevereiro, antes do presidente Jair Bolsonaro trocar o presidente da Petrobras. Naquele mês, o CDS estava em 169 pontos.

Os juros futuros já abriram a sessão em alta, refletindo a alta das taxas dos títulos do Tesouro americano e expectativa de alta da inflação nos EUA. Mas as taxas aceleraram após a decisão do ministro Edson Fachin.

No fim do dia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subiu de 3,80% para 3,955%; DI para janeiro de 2023 foi de 5,41% para 5,72%. A taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2025 subiu de 6,95% para 7,31% e a do DI para janeiro de 2027 passou de 7,59% para 7,92%.

 

Bolsonaro mais intervencionista

O economista Sergio Vale, da MB Associados, avalia que se a decisão de Fachin for confirmada, é muito provável que se tenha um presidente Bolsonaro mais intervencionista e estatizante do que ele se apresentou até agora, nos próximos dois anos.

- Se a decisão se confirmar e Lula sair candidato, a polarização estará instalada entre Bolsonaro e ele. A grande dificuldade será termos um Bolsonaro mais intervencionista para tentar entregar resultados no ano que vem. Com isso, qualquer tipo de ajuste fiscal será esquecido. Será contraproducente para Bolsonaro, mas ele não terá essa visão. E tudo tende a ficar tão tumultuado, que não haverá espaço para acelerar as reformas estruturais no Congresso - disse Vale.

Ele lembra que o PT e o próprio Lula não fizeram nenhum 'mea culpa' nos últimos anos, o que significa que uma possível volta ao poder de ambos deve mostrar mais do mesmo.

- Tem uma grande chance de se desmontar uma boa parte do arcabouço fiscal que foi construído ao longo dos últimos anos. Minha avaliação é que teremos dois anos muito turbulentos, com mercados estressados. Se de fato Lula confirmar sua candidatura, a taxa de câmbio vai saltar para R$ 6 ou até mais. Teremos desaceleração dos inveestimentos e e o crescimento econômico este ano e no próximo tende a desaparecer - afirma Vale.

 

EUA: pacote econômico aprovado

Nos Estados Unidos, a aprovação pelo Senado do pacote de alívio à Covid-19 de US$ 1,9 trilhão do presidente Joe Biden coloca nova pressão sobre os títulos americanos, à medida que os investidores internacionais precificavam altas nos preços da maior economia do mundo.

A taxa do Treasury de dez anos atingiu na sexta-feira a máxima em um ano de 1,626%, e ficava em cerca de 1,60% nesta segunda-feira.

"A liquidez do mercado norte-americano deverá provocar aquecimento da inflação pelo menos no curto/médio prazo, mas, a despeito do Fed ver o fato com bons olhos e afirmar que não mudará a sua política monetária, os 'yields' dos Treasuries se abrem e passam a atrair recursos do mundo todo para o mercado financeiro norte-americano, provocando em contrapartida a valorização do dólar", explicou, em nota, Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora.

Na Europa, o dia foi de alta. Em Londres, o índice FTSE fechou com alta de 1,34%, e o CAC-40, da Bolsa de Paris, avançou 2,08%. Já em Frankfurt, o Dax teve valorização de 3,31%.

Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam sem tendência definida. A Nasdaq caiu 2,41%, já que a aprovação do pacote de US$ 1,9 trilhão elevou o rendimento dos bônus, pressionando as ações tecnológicas.

Já o Dow Jones avançou 0,97% e S&P 500 tev queda de 0,54%.

Na Ásia, a tendência foi de baixa geral. O mercado acionário da China registrou a maior queda em mais de sete meses nesta segunda-feira, uma vez que a meta do governo para o crescimento econômico em 2021 abaixo do esperado provocou preocupações de que as autoridades chinesas podem apertar a política monetária para conter as fortes valorizações.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 3,47%, registrando o pior dia desde 24 de julho de 2020. O índice de Xangai teve baixa de 2,3%. Liderando as perdas, o índice de consumo básico do CSI300 e o de saúde caíram 5,7% e 6,4% respectivamente.

Na sexta-feira, a China determinou uma meta modesta de crescimento econômico anual, de acima de 6%, o que ficou abaixo da expectativa de analistas que veem a possibilidade de a expansão superar 8%.

Em Tóquio, o índice Nikkei recuou 0,42%, enquanto que, na bolsa de Hong KOng, o índice Hang Seng caiu 1,92%, a 28.540 pontos. Em Seul, o índice Kospi teve desvalorização de 1,00%, a 2.996 pontos.

 

Petróleo ultrapassa os US$ 70

Os preços do petróleo subiram nesta segunda-feira para além de US$ 70 por barril pela primeira vez desde o início da crise do coronavírus, após o Senado dos Estados Unidos ter aprovado um pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão e com um grupo do Iêmen atacando instalações de petróleo na Arábia Saudita. Mas acabaram fechando em queda.

O preço do contrato do petróleo tipo WTI para abril fechou a sessão desta segunda-feira, nos EUA, em queda de 1,57%, a US$ 65,05 o barril, encerrando uma três sessões de alta consecutiva. O contrato do Brent para maio, encerrou o dia em queda de 1,61%, a US$ 68,24 o barril, em Londres.

Os preços vinham apontado tendência de alta desde um acordo na semana passada da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados incluindo a Rússia --grupo conhecido como Opep+-- para manter cortes de produção apesar da alta nos preços do petróleo.

ngo na midia exame new Fonte: O Globo
Autor: João Sorima Neto, com agências
Link: oglobo.globo.com/bolsa-cai-quase-4-dolar-bate-em-577-maior-valor-do-ano-com-decisao-do-ministro-edson-fachin-sobre-lula
Data de publicação: 08/03/2021

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