FECHAMENTO: Exterior positivo não impede queda do Ibov com realização de lucros e foco em Brasília

A dificuldade de tramitação da aprovação de crédito suplementar para o governo federal cumprir a regra de ouro foi a oportunidade de os investidores realizarem os lucros das últimas semanas e derrubar o Ibovespa. O novo capítulo de desarticulação entre interesses do Palácio do Planalto com dos parlamentares acendeu novamente a sinalização binária dos investidores de alterar avaliação do prêmio do risco com qualquer ruído político, conforme explica diariamente o analista Sidnei Nehme, da NGO Associados, no Investing.com Brasil.

O Ibovespa perdeu os 96 mil pontos e fechou em baixa de 1,42% a 95.998,75 pontos, com volume negociado em R$ 12,7 bilhões e 81,82% dos papéis no vermelho. Via Varejo (SA:VVAR3) liderou as perdas do índice no dia com especulações sobre a venda da participação do Grupo Pão de Açúcar na companhia. O índice iniciou a sessão desta quarta-feira no azul, com máxima de 97.686,14 pontos, mas reverteu com a notícia de falta de acordo da tramitação do texto do crédito suplementar.

O dólar também foi influenciado pelos ruídos de Brasília para fazer ajuste técnico. A moeda americana subiu 1% a R$ 3,8953, maior alta em duas semanas.

Os negociadores seguem acompanhando a votação no STF sobre venda de ações e ativos sob posse de estatais. A liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski exige que o Congresso seja notificado para avaliar a venda de um ativo estatal. A votação acontecia durante a redação desta matéria, com o placar de 2 a 1 para encaminhar a necessidade e exigência de consulta ao Legislativo para venda de um ativo.

Exterior

As principais bolsas mundiais tiveram o segundo dia consecutivo embalado pelo aumento das expectativas de corte da taxa de juros nos EUA em meio à desaceleração econômica global e embalados com a declaração de ontem do chairman do Fed Jerome Powell. O presidente prometeu fazer o que era “apropriado” em resposta a qualquer impacto relacionado ao comércio na economia, declaração que foi interpretada como uma abertura para avaliar os cortes.

Em Wall Street, os três principais índices fecharam no azul. Dow Jones saltou 0,82%, S&P 500 subiu 0,80% e Nasdaq teve ganhos de 0,64%

A divulgação de números de postos de trabalho privados criados nos EUA em maio reforçou a tese de afrouxamento monetário para sustentar a atividade econômica no país. Relatório da processadora de folhas de pagamentos ADP apontou uma abertura de apenas 27 mil empregos ante uma expectativa de 180 mil da Reuters.

De acordo com Monitor da Taxa de Juros do Fed do Investing.com, investidores apostam a probabilidade de 28,3% no corte na taxa de juros na próxima reunião do Fed em junho. Na reunião seguinte a aposta de ao menos um corte sobe para 74,2%. Já a possibilidade de dois cortes na reunião de setembro tem chances de 57% de acontecer, com apenas 7,9% dos investidores apostando na manutenção na atual taxa entre 2,25% e 2,5% na reunião do nono mês do ano.

Apesar do rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano ter subido nesta quarta-feira, a inversão da curva de juros com título de menor prazo continua. O yield de 10 anos cresceu para 2,136%, enquanto o de 3 meses caiu para 2,347%. A inversão da curva de juros é tradicionalmente vista como aproximação de recessão na economia americana, expectativa que é fortalecida com a disputa comercial com a China, a qual teve poucas notícias no dia assim como a questão comercial-imigratória com o México.

A única novidade é a retomada de conversação entre representantes dos governos americano e chinês. O secretário do Tesouro dos EUA Steve Mnuchin deve se reunir com o presidente do BC chinês, Yi Gang, durante reunião de líderes de Finanças do G-20 neste final de semana no Japão, segundo um porta-voz do Tesouro.

Será a primeira conversa entre os dois país após interrupção das negociações entre os dois países em 10 de maio, mesmo dia que as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses subiram de 10% para 25%.

O encontro de Mnuchin com Gang deve ser preparativo para reunião bilateral entre presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping durante reunião do G-20 neste mês também no Japão. O vice-presidente americano Mike Pence disse que o encontro está confirmado, enquanto o governo chinês não se pronunciou a respeito.

Votação do crédito suplementar é suspensa

Havia expectativa que o governo conseguisse a aprovação do Congresso para financiar no mercado R$ 248 bilhões para pagamento de BPC e aposentadoria rural. No entanto, divergência de valores entre governo e oposição travou a pauta, a qual não teve acordo. A oposição, inclusive, condicionou a aprovação do crédito suplementar a destinação de R$ 11 bilhões para educação e Minha Casa Minha Vida.

A nova votação deve ficar para semana que vem. O jornal O Estado de S.Paulo informa que a divergência pode atrasar a votação em até 20 dias. Caso o governo tenha que se financiar os gastos correntes no mercado, o presidente Jair Bolsonaro pode ser julgado por crime de responsabilidade, como também caso deixe de honrar os pagamentos.

Petróleo em bear market

O Brent, referência mundial para petróleo e negociado em Londres, caiu abaixo do nível de suporte de US$ 60 por barril na quarta-feira, depois de uma grande surpresa nos estoques de petróleo dos Estados Unidos, provocando dúvidas sobre os limites dos cortes de produção da Opep para salvar um mercado dominado por fatores favoráveis aos ursos.

Tanto o Brent como o WTI caíram mais de 20% em relação ao pico de 2019 atingido em abril, devido a uma combinação das guerras comerciais dos EUA com a China e o México e a piora no equilíbrio por oferta e demanda por petróleo.

O WTI perdeu US$ 1,80, ou 3,4%, a US$ 51,68 por barril. Chegou a cair, antes, 5%, para US$ 50,62, seu nível mais baixo desde 14 de janeiro. Muitos especialistas em petróleo acham que o benchmark dos EUA será o próximo a romper o suporte, caindo para menos de US$ 50 até nesta semana.

O Brent caiu US$ 1,31, ou 2,11%, para US$ 60,66 às 17:05. Afundou mais cedo a uma baixa de cinco meses de US$ 59,45.

Ações

- PETROBRAS PN (SA:PETR4) recuou 1,3% e PETROBRAS ON (SA:PETR3) caiu 1,4%, em meio ao forte declínio dos preços do petróleo no mercado internacional, com agentes também acompanhando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) com efeito em vendas de ativos da petrolífera de controle estatal.

- BANCO DO BRASIL (SA:BBAS3) encerrou com declínio de 2,8%, pior desempenho entre os bancos listados no Ibovespa, enquanto ITAÚ UNIBANCO PN (SA:ITUB4) e BRADESCO PN (SA:BBDC4) fecharam em baixa de 1,9% e 1,5%, respectivamente.

- VALE (SA:VALE3) caiu 1,5%, acompanhando o movimento de papéis de mineradoras na Europa. A companhia identificou um aumento no grau de segurança da barragem Vargem Grande, na mina de Abóboras, em Nova Lima (MG), o que levou à redução do nível de alerta do Plano de Ação de Emergência (PAEBM) da unidade.

- VIA VAREJO fechou em baixa de 4,3%, conforme segue suscetível a especulações relacionadas a venda da participação do GPA (SA:PCAR4) na rede de móveis e eletrodomésticos. No ano, até a véspera, os papéis acumulavam elevação de 10,7%. GPA cedeu 1,5%.

- BRASKEM subiu 0,15% experimentando uma trégua após desabar 17% na véspera, para a menor cotação de fechamento desde julho de 2017, após a europeia LyondellBasell Industries (NYSE:LYB) desistir de comprar a participação controladora do conglomerado Odebrecht na petroquímica.

- TIM (SA:TIMP3) caiu 3,6%, entre as maiores quedas do Ibovespa. O Morgan Stanley (NYSE:MS) cortou a recomendação dos ADRs da companhia para 'equal weight' e reduziu o preço-alvo para 16 dólares, enquanto reiterou preferência pelas ações da TELEFÔNICA BRASIL (SA:VIVT4), que cederam 0,4%.

- KLABIN subiu 1,45%, após duas quedas seguidas, quando acumulou declínio de 2,7%. No setor, SUZANO (SA:SUZB3) encerrou com variação negativa de 0,9%.

ngo na midia investing Fonte: Investing.com
Autor: Investing.com - Reuters contribuiu com essa matéria
Link: br.investing.com/fechamento-exterior-positivo-nao-impede-queda-do-ibov-com-realizacao-de-lucros-e-foco-em-brasilia
Data de publicação: 05/06/2019

0
0
0
s2sdefault
Mesa: (11) 3291-3260    |    Tel: (11) 3291-3266    |    Fax: (11) 3106-4920

Ouvidoria

0800 777 9504

ATENDIMENTO

de segunda a sexta-feira

das 09h00 às 18h00

ouvidoria@ngo.com.br

Acompanhe a NGO
ngo-icon b-facebook    ngo-icon c-twitter 

ngo-icon a-logo