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Volatilidade intensa. A emoção tomou conta da razão

Os fundamentos estão absolutamente à margem do comportamento dos mercados, embora se saiba que, a rigor, sugerem o mesmo comportamento presente, porém mais gradual, menos intenso, mas de toda forma consistente, por isso não é válido o argumento dos porta-vozes contumazes afirmando que o cenário externo afeta mais do que a questão eleitoral neste momento. 

O comportamento não está no sentido errado, só que há o agregado da emoção tomando conta da razão e provocando a exacerbação generalizada. 

O Brasil não é tão importante no cenário externo quanto se busca auto atribuir para despistar a realidade, sendo neste momento uma estrela solitária tida pelos analistas internacionais como decadente quase afastada da constelação, o que lhe proporciona pouco brilho e muitas criticas. 

O mercado global só tem olhos para as desvirtudes brasileiras, já não identifica as qualidades que vislumbrava num passado não tão distante e, o pior, projeta perspectivas muito ruins para o país no curto/médio prazos com ajustes inevitáveis que poderão trazer enormes retrocessos. 

Mas as causas não estão no exterior, lá ocorre somente a percepção da nossa fragilidade e vulnerabilidade face ao “status quo” da nossa economia e ante a perspectiva de eventos que ainda estão no radar para ocorrer. As causas estão aqui, não dá para exportá-las, basta olhar para dentro do país. 

O mercado financeiro parece valer-se da desarticulação para pior dos indicadores dos ativos e da economia e perspectivas piores para demonstrar sua insatisfação com as tendências eleitorais, numa atitude evidente de aparente desesperança, que provoca que a emoção supere a razão. 

Tudo leva a crer que esta semana será de ajustes extremados, como já se viu ontem com a ocorrência de queda de 11% nas ações da Petrobrás e outras baixas expressivas que desvalorizaram o índice Bovespa em quase 5%. 

O dólar sofreu forte impacto ontem logo no inicio dos negócios, revertendo com folga a queda de 0,50% ocorrida na sexta feira, para depois ceder um pouco. Hoje, dia do Ptax, deverá ocorrer muita volatilidade. 

O juro de longo prazo subiu na mesma linha emocional. 

O Boletim Focus sancionou mais uma vez queda na projeção do crescimento do PIB este ano colocando-o agora abaixo de 0,30%, mas reluta em atribuir uma projeção mais calibrada com a realidade para o dólar ao final do ano, projetando-o em tão somente 2,35, muito baixa para a realidade atual e para os desafios previstos até o final do ano. 

A tendência do preço da moeda americana, embora sujeita a volatilidade hoje dia da Ptax, é continuar sendo apreciado com base nos fundamentos, mas poderá continuar a ser “turbinada” por fatores meramente emocionais. 

É inegável que este ambiente de turbulência nos segmentos do mercado financeiro poderá acentuar a aversão ao risco Brasil e precipitar movimento de saída de recursos do país que está projetado ainda para este semestre, mas não rigorosamente para este momento. 

Por outro lado, já houve menção por parte de dirigente do BC sobre a possibilidade de aumento do juro, mas acreditamos que a rentabilidade agora é fator secundário ante o que consideram riscos, que é o fator que estará fomentando a aversão. Para a economia brasileira seria extremamente negativo. 

Neste ambiente entendemos que o BC tem poucos instrumentos de intervenção tendo em vista que a demanda por “hedge” não é o fator de propulsão do preço da moeda americana, o que tira força da intervenção com oferta adicional de contratos de “swaps cambiais”. 

 Por outro lado, ainda não é intensa a demanda no mercado de câmbio à vista, portanto não há necessidade imediata de oferta de dólares através leilões de venda, estando os bancos ainda em condições de suprir a demanda e a liquidez do mercado à vista com aumento das posições vendidas, lastreadas por linhas de financiamentos concedidas por bancos estrangeiros, o que tira a necessidade de oferta de linhas de financiamentos por parte do BC. 

Então, voltamos ao ponto: “O que fazer quando há a sensação de que não há nada a fazer?” 

Se o BC enfrentar o movimento frontalmente poderá motivar um movimento especulativo muito mais intenso do que o já instalado, e isto não seria positivo neste momento, pois ganharia manchetes no Brasil e também no exterior, acentuando muito a aversão ao risco. 

Um quadro bastante complexo!

 

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