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Volatilidade do dólar com variação elevada decorre do baixo volume

Por enquanto o preço do dólar no mercado brasileiro “flutua” sem representar tendência e é consequente do baixo volume, o que determina que a variação ocorra em percentuais descompassados e excessivos para mais ou para menos em relação a outras moedas emergentes, por razões pontuais envolvendo predominantemente causas internas.

Evidentemente que isto ocorre devido ao baixo volume que vem sendo negociado no mercado nestes primeiros dias do ano, quando a perda de dinâmica é natural, pois grandes volumes foram negociados no fechamento do ano findo e a retomada ocorre habitualmente a partir da segunda quinzena de janeiro ou inicio de fevereiro.

Então, a aparente calmaria após o salto puramente especulativo ocorrido na abertura dos negócios do ano ou a apreciação do real ocorrida ontem em razão das perspectivas em torno das captações em curso da Petrobrás, ainda não representam tendência, mas decorrem unicamente do fato do mercado estar com baixo volume de negócios, o que o leva a sensibilizar quaisquer movimentos mais expressivos.

A Petrobrás, segundo fontes do mercado, estaria concluindo uma emissão de bônus em quatro tranches em euros e libras. Consta que a empresa teria emitido 3,0 Bi em Euros em títulos denominados na moeda comum europeia com vencimentos em 4, 7 e 11 anos e mais US$ 600,0 Mi em Libras com vencimento em 20 anos. Contudo, não houve quaisquer informações sobre o ingresso ou não do todo das operações no Brasil, sendo possível que já permaneçam no exterior para fazer face à compromissos.

Hoje serão divulgados dados sobre o emprego nos Estados Unidos pela ADP e é um fato que poderá causar impactos positivos ou negativos no comportamento do preço da moeda, consequente de um resultado que poderá indicar melhora ou piora num quesito extremamente importante no processo de recuperação da economia americana.

Certamente este não será o comportamento do mercado de câmbio brasileiro que, a rigor, deve ter um gradativo movimento de saída de recursos do país refletindo os efeitos preliminares da redução do programa de incentivo monetário do FED e que será agravado pelo redirecionamento de recursos aplicados nos emergentes para o mercado americano, face à melhora das perspectivas macroeconômicas dos Estados Unidos.

Já é possível observar-se recomendações emitidas por grandes bancos estrangeiros no sentido de retirada de recursos dos países emergentes, e naturalmente, em função das recomendações dos gestores ou mesmo pela tomada de decisão dos investidores ante os fatos notórios, tende a ser crescente ao longo deste 1º trimestre o movimento de migração de recursos aplicados nos países emergentes, e entre estes principalmente dos mais vulneráveis, para as economias desenvolvidas que revelam recuperação, principalmente para os Estados Unidos.

O desmonte destas posições nos emergentes, que já foi insinuado nos meses finais de 2013, tende a ganhar força e este fato promoverá pressão altista sobre o preço da moeda americana no nosso mercado, que consideramos poderá ser intensa ao final do 1º trimestre deste ano, num ambiente com baixo volume de ingressos de divisas no país, o que poderá exigir forte ação de intervencionismo do BC no mercado.

As agências de rating continuam emitindo sinais para o Brasil e embora não ocorra posicionamento incisivo, têm pontuado que o ajuste fiscal é pré-requisito para manutenção da nota e que com economia fraca, superávit de 2% é insuficiente. O fato é que estas manifestações, embora tênues nas suas colocações, podem intensificar o risco de perda do grau de investimento e esta perspectiva pode provocar a antecipação de danos tão intensos quanto se a perda houvesse ocorrido de fato.

Como temos salientado só cabe ao Brasil recuperar a atratividade do Brasil, visto que a perda relevante de atratividade do país perante aos investidores externos e até mesmo internos decorre do seu contexto absolutamente desfavorável do ponto de vista macroeconômico, com destaque para a deterioração da politica fiscal, crescimento baixo e inflação alta.

As projeções que vem sendo formuladas para 2014 ainda estão muito moderadas, salvo a expressada no FOCUS, mediana das indicações de 100 instituições financeiras, que já coloca o crescimento do PIB em 1,95%.

Contudo, as projeções para o preço do dólar ao final do ano ainda são conservadoras – R$ 2,45 – num contexto que se configura bastante desfavorável para o país. Nossa projeção é de que, a despeito de todo esforço que o BC possa desenvolver, o preço da moeda americana ficará em torno de R$ 2,60 ao final do ano.

Como consequência deste preço elevado da moeda americana com valorização em torno de 10% e seus impactos rápidos e generalizados sobre os preços da economia, acreditamos que a projeção da SELIC em 10,50% está baixa, pois o BC terá que elevar mais a taxa de juro para conter as pressões inflacionárias, indo a 11,50%.

 Na mesma linha a projeção para o déficit em transações correntes divulgada pelo FOCUS de US$ 71,30 Bi nos parece modesta haja vista que o próprio BC estima em torno de US$ 78,0 Bi e se a autoridade monetária já parte desta projeção, certamente tende a ser maior.

A projeção de IED´s em US$ 60,0 Bi certamente terá dificuldades para ser alcançada. Registrou-se em 2012 e 2013 um montante anual em torno de US$ 65,0 Bi, mas com detalhes relevantes a serem observados. Em 2012 os IED´s efetivos e destinados para conta capital foram de US$ 52,0 Bi, enquanto em 2013 caiu para US$ 42,0 Bi, tendo havido a compensação pelo aumento dos empréstimos “intercompany”. Neste ano de 2014 o país já tem sinalização de baixíssimo crescimento e a liquidez e o custo dos recursos estarão afetadas pelas mudanças decorrentes do inicio da redução do programa do FED. Sendo otimistas projetamos US$ 55,0 Bi com um viés de baixa para US$ 50,0 Bi.

A balança comercial tem baixas perspectivas de melhorar a performance. A alta do dólar poderá encarecer uma boa parcela de produtos importados e estimular a exportação de alguns produtos brasileiros, mas isto terá pouca expressão tendo em vista que continuaremos importando petróleo em grande monta e as nossas “commodities” soja e milho sofrerão concorrência dos Estados Unidos que tem previsão de grande safra, o que inibirá o aumento de preços no mercado internacional.

O ano de 2013 já migrou para 2014 posições “vendidas” dos bancos em torno de US$ 17,0 Bi, ancoradas em linhas de financiamentos concedidas pelo BC para gerar liquidez ao mercado ante a falta de fluxo, e tem um cenário de fluxos mais intensamente desfavoráveis para o país este ano, o que sugere que o BC deverá ter intensa atividade de intervenção no mercado de câmbio à vista, não se descartando que tenha que utilizar de forma efetiva as reservas cambiais do país vendendo-as ao mercado diretamente para garantir liquidez.

O que é importante no caso do dólar é que a perspectiva é de alta e considerável, não permitindo que os detentores de passivos dolarizados deixem de realizar o “hedge”, o que provoca pressão no mercado futuro, ao mesmo tempo em que o país deve ter acentuada saída de recursos externos, o que provoca pressão no mercado à vista.

Dificilmente o BC conseguirá conter estas pressões sem promover ofertas diretas de dólares à vista ao mercado, retirando-os efetivamente das reservas cambiais, assumindo ação diferente da que prevaleceu em 2013 quando gerou liquidez utilizando a triangulação de linhas de financiamento concedidas com dólares das reservas cambiais para que os bancos ancorassem suas posições “vendidas” no mercado à vista.

O ano de 2014 muito provavelmente trará de volta um cenário bastante distinto do que prevaleceu até 2012 e que deu sinais iniciais de mudança em 2013, onde os fluxos de ingressos não serão tão intensos.

Com este cenário predominante a tendência de alta tornar-se-á sustentável, confirmando a perspectiva, que afinal é o fator maior de influência na tendência de comportamento do preço da moeda americana.

 

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