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Visão externa do Brasil ganha intensidade positiva e fluxos tendem a se acentuar!

Ostentar um excelente CDS com 118 pontos não é pouca coisa, ainda mais num ambiente de crise fiscal grave e que agora ganha equacionamento e certo alívio com a Reforma da Previdência e perspectivas de outras reformas como Tributária e Administrativa fundamentais para consolidação do ambiente interno do país para alavancar o crescimento da atividade econômica, viabilizando, então, um quadro sustentável, ainda que gradual, de geração de emprego, renda e consumo.

Já pareceu que o país estava muito longe deste cenário que agora sugere estar se consolidando gradualmente e de forma sustentável mais rápido do que esperado, assim como o crescimento do PIB este ano projetado em 0,91% pelo Boletim Focus, mas já com potencial para atingir 1%, já merece adjetivação menos severa do que antes quando se verifica o que ocorre pelo mundo, e a despeito do país tem convivido o ano todo com o desafio de crise.

O Brasil perdeu atratividade pela “ousadia” de conquistar, se bem como consequência da inércia da atividade econômica, inflação em torno de 3% que está lhe permitindo reduzir a taxa de juro SELIC ao final do ano para 4,0%, algo inimaginável, mas que lhe custou a perda de atratividade do capital estrangeiro especulativo que sempre foi a base do fluxo cambial, enquanto o mercado financeiro com seu excepcional retorno rentista era o oásis para os especuladores.

Ocorrem mudanças e não são poucas, e mais relevante, para melhor.

Há expectativa de fluxos cambiais intensos oriundos da cessão onerosa, que será um fato pontual, mas se prestará a dar uma quase “zerada” nos desconfortos causados pela perda de atratividade aos capitais especulativos, enquanto o país passa a operacionalizar um vultoso programa de privatizações que pode representar um montante de até US$ 300 bilhões, o que poderá dar um impulso fenomenal ao caixa do governo e, principalmente, desonerá-lo do custeio de atividades desenvolvidas sem eficácia e com pouco profissionalismo, e com isto dar um grande impulso estrutural ao país.

É razoável admitir-se fluxo de capitais estrangeiros não especulativos para o mercado financeiro brasileiro, renda variável e renda fixa, já que o mundo pratica juro muito baixo quando não negativo. Quando confrontado com o mercado americano diretamente a atratividade é menor, mas com outros mercados o Brasil parece bem atrativo e o seu risco CDS e o volume de reservas cambiais que detém promovem o estímulo à credibilidade.

Não é improvável o retorno de empresas brasileiras demandando empréstimos no mercado externo, principalmente nos mercados que estão operando com juro baixo ou negativo, desfazendo a tendência de internalizar seus passivos externos trocando-os por internos dada a queda do juro no Brasil.

Os conflitos entre China-USA, União Europeia e Grã Bretanha, etc…, incomodam tanto quanto as nuances da gestão do FED na política monetária americana, mas tudo indica que o Brasil agora terá a sua vez e não mais como o “casino” da especulação, mas com crescimento sustentável.

A perspectiva para o país se torna otimista um pouco antes do presumível, mas parece que há melhor percepção por parte do exterior, já que o nosso ambiente interno ainda está muito contaminado por questões ideológicas que desviam as atenções sobre o que é mais importante para o país, impedindo o reconhecimento e propagação dos avanços.

O Brasil precisa melhorar as perspectivas para suas exportações, mantendo a potencialidade como produtor de commodities, mas elevando a participação de produtos com maior valor agregado mediante investimentos tecnológicos e, naturalmente, com o crescimento da atividade econômica impulsionar suas importações.

Este quadro mutante já permite que se projete o dólar para o final do ano em torno de R$ 3,80 e não mais R$ 4,00 ou acima como até recentemente, e certamente o Boletim Focus em sua tomada de projeções no mercado tende a mudar esta perspectiva, hoje em R$ 4,00.

Certamente haverá volatilidade nesta fase de ajuste à nova realidade emergente, por isso a queda atual abaixo de R$ 4,00 pode não revelar sustentabilidade, mas inegavelmente sinaliza tendência factível.

É imperativo que o “Brasil observe melhor o Brasil e seus avanços” neutralizando o contexto político impertinente e perturbador, focando o seu lado econômico e perspectivas concretas, como já se percebe na visão externa sobre o país, e nos parece relevante considerar que este é um momento altamente sugestivo para que se conceda autonomia de gestão ao Banco Central do Brasil.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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