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Sinais indicam saída de recursos estrangeiros do país

Parece que a temporada dos recursos especulativos no Brasil tende a acentuar o movimento reversivo, agora de forma mais acentuada, e isto não deve ser considerado surpresa, visto que era absolutamente previsível que neste 2º semestre viesse a ocorrer de forma mais intensa.

O mercado global está com uma situação muito complexa e isto tende contrariamente ao esperado por analistas otimistas, a atingir negativamente os países emergentes, em especial aqueles considerados mais frágeis, entre os quais está incluído o Brasil.

Afinal, foram dezenas de bilhões que ingressaram oportunisticamente no país ao longo do 1º trimestre em especial, fomentados pela brecha concedida pelo FED ao prognosticar que a mudança da política monetária americana seria retardada, provavelmente ao final de 2015, dando então tempo suficiente para a montagem de operações de “carry trade” geradoras de capitais especulativos que foram direcionados para os países emergentes, com destaque para o Brasil.

Este movimento de ingressos fortuitos ao inicio do ano evitou que o saldo do fluxo cambial brasileiro se evidenciasse negativo desde então, atenuando o quadro que, contudo, já começou a evidenciar a reversão ao exterior destes recursos nos últimos 2 meses e que deve acentuar os volumes a partir deste setembro.

Há um contexto global muito confuso com os Estados Unidos gerando indicativos positivos que sugerem que possa mudar sua política monetária, mas que sofreu desapontamento pela forte queda na geração do emprego em agosto último, o que quebrou a forte convicção de que a mudança está prestes a ocorrer.

A Europa está com sua economia estagnada e tenta outra linha de incentivo aos bancos para que emprestem recursos às empresas, que está prevista para outubro, mas que parece defrontar-se com a baixíssima propensão à tomada de recursos por parte dos bancos, já que a demanda está enfraquecida.

Agora o Japão apresentou estupendo recuo de 7,1% no seu PIB apurado no 2º trimestre, a despeito do rigor fiscal, etc., número que não deixa quaisquer dúvidas sobre a crise que afeta aquele país.

A China vem sinalizando menor demanda por “commodities” e isto atinge os países produtores, entre os quais o Brasil.

As operações de “carry trade” neste contexto, embora campeie o juro baixo no mercado internacional, ficam mais arriscadas, pois os mercados que oferecem melhor renda tem as moedas fracas e podem sofrer depreciações intensas e rápidas frente à moeda americana e causar perdas como resultados finais. O custo do “hedge” tende a encarecer.

O Brasil tem grande probabilidade de enfrentar forte pressão de demanda no mercado de câmbio à vista neste 2º semestre, com intensificação de saída dos recursos especulativos e, ao mesmo tempo, recuo dos investimentos diretos na conta capital, o que parece prudencial, já que o país terá eleição presidencial e o quadro macroeconômico está bastante deteriorado devido ao baixo crescimento econômico, inflação alta, política fiscal fragilizada, etc… que recomendam aguardar o governo que for eleito e suas propostas visando reverter o “status quo” presente, para que sejam definidos investimentos no país.

O BC iniciou a rolagem da posição de swaps cambiais vincendas no 1º dia útil de outubro com ofertas diárias de 6.000 contratos, mantendo a oferta adicional de 4.000 contratos novos, mas ao que tudo indica este tipo de instrumento financeiro tende a perder eficácia no seu objetivo na medida em que a demanda se acentuar por dólares efetivos no mercado de câmbio à vista.

Devemos ter os estrangeiros se desfazendo gradualmente de suas posições compradas no mercado futuro na medida em que vão acentuar a demanda no mercado à vista.

A questão que fica em aberto é se os bancos continuarão expandindo suas posições vendidas lastreadas em linhas de financiamentos em moeda estrangeira para suprir a liquidez no mercado à vista ou se o BC irá atuar diretamente vendendo dólares das reservas cambiais diretamente.

Se houver uma decisão do FED no sentido de alterar ou meramente sinalizar de forma mais contundente mudança de sua política monetária isto poderá precipitar a intensidade de saída de recursos estrangeiros do Brasil, mas o fato é que mesmo se esta sinalização não deve ser desprezível o volume de recursos que deverão deixar o país.

É possível que para os países considerados na visão externa como frágeis, entre os quais está incluído o Brasil, os custos de linhas de financiamentos, a despeito da suposta maior liquidez decorrente do plano europeu, venham a ser onerados, e isto coloca em risco o ganho de arbitragens que motiva os bancos a permanecerem gerando liquidez com posições vendidas.

Caso isto venha a acontecer, o BC poderá ser o gerador de linhas de financiamentos aos bancos, mas com custo competitivo, caso contrário poderá haver o impasse que determina o não interesse pela ausência de ganho.

Opção última, o BC ser o gerador da liquidez diretamente ao mercado, mas fica subjacente eventual movimento de especuladores sobre o real, pois será um sinal de fragilização da moeda, já que é conhecido o fato do país estar tendo fluxo negativo de recursos externos. Isto mesmo com o país detendo US$ 380,0 Bi de reservas cambiais, das quais 5% já está comprometida pelas posições vendidas dos bancos, de vez que não há expectativa de curto prazo que venham a ter condições de cobri-las a partir do próprio mercado.

É preciso ficar atento, pois a projeção contida no BOLETIM FOCUS para o preço da moeda americana ao final do ano parece bastante distanciada da tendência prospectiva.

 

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