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Semana envolvendo final do mês sugere intensa volatilidade. Há expectativas no âmbito da política monetária do FED, BCE e BoE, e, indicadores dos Estados Unidos, China, Japão, Itália, etc. e ainda temos a formação da Ptax da virada do mês

Tudo indica a ocorrência de volatilidade nesta semana.

 No contexto da política monetária, FED americano concentra atenções na quarta-feira, mas também merece atenção o BCE (Banco Central Europeu) e o BoE (Banco Central da Inglaterra).

Haverá também indicadores relevantes. O PIB e relatório do mercado de trabalho nos Estados Unidos; o PMI (índice dos gerentes de vendas) da China, Japão, Zona do Euro, Itália, Espanha e emergentes como África do Sul e Turquia. Também haverá decisão de juros na Índia, Israel e República Checa, além de “highlights” do PIB em vários países europeus e asiáticos.

Tudo isto estima movimentos a partir das expectativas e impulsionam movimentos especulativos, com destaque maior para a reunião do FED americano na quarta-feira, já que continuam sendo fomentadas especulações em torno do anúncio relativo ao programa de incentivo monetário.

Embora o presidente do FED, Ben Bernanke, tenha destacado algumas condicionantes relevantes para o início do desarme do programa, das quais a economia americana ainda está distante, o momento é sempre “requentado” pelas mesmas expectativas, a partir da atuação pontual dos especuladores.

E, não bastasse esta “carga pesada”, teremos no Brasil no mercado de derivativos intensa disputa envolvendo a formação da taxa cambial Ptax, que determinará os ajustes das posições de final do mês.

Data base 26 último, bancos estão liquidamente “vendidos” em US$ 30,2 Bi (US$ 8,4 Bi vendidos em cupom cambial e US$ 21,8 Bi vendidos em dólar futuro); Investidores Institucionais Nacionais estão liquidamente “comprados” em US$ 17,9 Bi (US$ 9,6 Bi comprados em cupom cambial e US$ 8,3 Bi comprados em dólar futuro) e investidores Não Residentes estão liquidamente “comprados” em US$ 10,3 Bi (US$ 1,3 Bi vendido em cupom cambial e US$ 11,6 Bi comprados em dólar futuro).

O BC já rolou totalmente a sua posição vincenda em 1º de agosto em “swaps cambiais”, tendo até realizado colocação adicional líquida, em torno de US$ 250,0 M. A autoridade monetária detém posição vendida em “swaps cambiais” pouco abaixo de US$ 30,0 Bi.

“A priori”, no nosso entender, as pressões deverão prevalecer em alta, seja pela disputa em torno da formação da Ptax, seja em razão dos fundamentos presentes na nossa economia, que despertam baixa atratividade de recursos externos.

O BC promoveu mudanças normativas reversivas às barreiras que havia colocado ao ingresso de recursos externos no país, porém o fez de forma tardia, contudo, tudo leva a crer que ao retirar as limitações à constituição de posições “vendidas” no mercado de câmbio à vista, e na reformulação da fórmula que envolvia captação de recursos no exterior pelas agências coligadas de bancos nacionais no exterior, desonerando-a, focou contar com a participação dos bancos para melhorar o fluxo de liquidez e/ou cambial.

Sem as limitações na formação de posições “vendidas” no mercado à vista, os bancos poderão ser os geradores da liquidez neste segmento ancorando-as em linhas de crédito junto a banqueiros estrangeiros e/ou em linhas concedidas pelo próprio BC em operações conjugadas de venda e recompra. Este é uma possibilidade não consolidada, visto que as perspectivas pouco otimistas em relação às projeções prospectivas de melhora de fluxo cambial para o país pode ser um elemento limitador importante para a tomada desta decisão.

Por outro lado, ao retirar da fórmula o fator que envolvia o depósito relativo à capital nas captações das coligadas dos bancos nacionais no exterior, o BC procurou estimular que os bancos passassem este canal para intensificar as captações no exterior e as ingressassem para arbitrar taxas de juros, melhorando assim, o fluxo cambial. Contudo, a taxa de juro em dólar, oriunda do cupom cambial, ainda não se situou em parâmetros atrativos, o que tem inibido esta estratégia.

Cenário adverso de fluxo cambial líquido ingressando no país, ante um crescente saldo do déficit em transações correntes, alimenta a perspectiva de alta da moeda americana no nosso mercado, com volatilidade.

O Boletim Focus, que divulga as medianas das projeções de uma centena de instituições financeiras, em sua edição do último dia 26, distribuída hoje, aponta:

– projeção do IPCA 2013 inalterada em 5,75%.

– projeção do US$ 2013 elevada de R$ 2,24 para R$ 2,25, aproximando-se mais da realidade prospectiva, porém, ainda se mantendo atrás da curva.

– Selic, PIB e Produção Industrial 2013 inalteradas em 9,25%, 2,28% e 2,10% respectivamente, ainda um pouco divergentes das expectativas que têm prevalecido no mercado.

– projeção de déficit em transações correntes elevado de US$ 75,0 Bi para US$ 76,15 Bi, ainda abaixo até das projeções do próprio BC.

– projeção superávit da balança comercial revista de US$ 5,85 Bi para US$ 5,70 Bi, ainda muito otimista, visto que a AEB já está projetando saldo deficitário de US$ 2,0 Bi.

– projeção de IED´s mantida em US$ 60,0 Bi, parece adequada e mais realista do que a projeção de US$ 65,0 Bi do BC.

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