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Riscos para a economia com objetivo da inflação no centro da meta

O governo, via BC, está crente de que poderá conduzir a inflação para o centro da meta fazendo “uso” do preço da moeda americana, atualmente formada por especuladores acomodados no mercado futuro, e com a certeza “duvidosa” de que o país possa efetivamente atrair investidores estrangeiros.

Ao tempo de Meirelles à frente do BC o Brasil praticou severa apreciação ao real para colocar a inflação nos parâmetros da meta, contudo fundamentada por intenso fluxo de recursos externos já que o momento brasileiro era outro, mas ao final quando deu a reviravolta “vitimas” surgiram e liquidaram e/ou abalaram grandes grupos.

Agora este receituário não parece adequado, até porque uma taxa de dólar consubstanciada no nada, tendo em vista que nada sugere que o Brasil tenha intensos fluxos de recursos externos e isto, apesar dos discursos, se constata no fluxo cambial líquido negativo que ocorre até então, poderá aniquilar o nosso setor exportador e alavancar fortemente as importações, impactando dura e diretamente nos objetivos de retomar a atividade econômica.

“Brincar” com o preço do dólar é uma temeridade e poderá ser drástica para o Brasil. Otimismos exagerados, conquistas imaginárias sem que haja planos efetivos dando sustentabilidade a isto, tornam o momento bastante complexo para o país, pois predomina uma falsa sensação de que tudo que está errado é reversível rapidamente e de forma fácil, sem que seja necessária a trajetória por duras e relevantes medidas de impacto, ainda com reflexos negativos sobre a economia, para depois então vislumbrar-se gradativa melhora.

Da forma que vem sendo posta, colocar a inflação no centro da meta foi transformada em algo que será coisa fácil, embora Tombini, mesmo com críticas, não tenha conseguido nos últimos quase 10 anos.

Mas o Brasil verdadeiro continua desempregando, o que repercute na renda e no consumo e que tem conduzido o sistema financiador a menor disponibilização de crédito e não revela sinais de efetiva recuperação da atividade econômica.

Errar na trajetória e estratégias visando a retomada da atividade econômica pode agravar a recessão. É necessário extremo cuidado, pois poderemos fazer a curva inflacionária convergir para o centro da meta a custa de um agravamento muito maior do quadro recessivo, e neste contexto a taxa cambial é algo fundamental para o equilíbrio.

Afinal, o que há em torno do Brasil para justificar uma taxa cambial já se aproximando de R$ 3,20?

Embora conte com o apoio do mercado financeiro, provavelmente interessado no real apreciado para atender seus interesses e nem tanto do país, não podemos deixar de considerar que estratégia deste tipo pode retardar muito a recuperação da atividade econômica, tanto é que o próprio governo fala em eventual necessidade de imposto novo para aumentar a arrecadação no próximo ano, para ajudar na política fiscal.

Na realidade o país ainda não identificou portas de saídas para o estado deletério da economia e da política fiscal, e, não se pode desconsiderar que eventuais erros poderão agravar mais ainda este cenário, por isso já insinua que para 2017 poderemos ter novos impostos, o que será um fator a mais de desestimulo à atividade econômica.

Embora o governo transitório venha alimentando as expectativas com anseios e poucas iniciativas de impacto direto ainda sobre a economia, têm-se formado cenários muito favoráveis, o que pode não ser rigorosamente perspectiva real.

Pensa-se e se estabelece premissas como se o Brasil atravessasse momento de excelente organização econômica e fiscal, desconsiderando-se os desafios que estão presentes como estava no governo afastado, imaginando-se que o país detém grande atratividade ao capital estrangeiro, o que não é uma verdade crível, ignorando que o mundo global está com enormes turbulências e há oportunidades bem mais atraentes que o Brasil, neste momento.

O país passa por um choque de otimismo orquestrado pelo mercado financeiro, ainda desprovido de efetivos fundamentos, portanto, não sustentável.

Na última década, pós Lula, o BC manteve o compromisso de buscar o centro da meta inflacionária, sem ter, contudo, logrado sucesso. Este governo assume o compromisso de cumprir esta missão no curto prazo, porém com o achatamento do preço da moeda americana num ambiente ainda com forte recessão, onde, portanto, o setor produtivo precisa ser motivado, e não podemos ignorar que o preço ajustado do dólar é fator preponderante para consecução desta reação.

O governo embora tenha procurado estabelecer teto para dispêndios ainda não conseguiu estancar a intensidade dos mesmos, e ao que tudo indica precisa “sangrar” mais a sociedade com impostos, duramente criticados nas insinuações do governo afastado.

Disto tudo resulta uma difícil equação cujo resultado pode ao objetivar o controle inflacionário impor retardamento e desestimulo à retomada da atividade econômica.

Quadro complicado, mas típico de conflituosa situação sempre que o governo procura controlar a inflação manipulando o preço da moeda estrangeira.

Não há espaços para milagres, os desafios na área econômica ainda vão exigir muito do governo, principalmente ajustes duros com impacto sobre a população, e ainda haverá muitos conflitos na área política, que tende a acabar com “a lua de mel” no curto prazo e a exigir benesses do governo transitório.

Não há atalhos e nem estratégias de solução de curto prazo. Há sim ainda uma longa jornada para o realinhamento dos pilares da economia e isto terá de ser confrontado com realismo e anseios e palavras postas serão pouco no enfrentamento, sendo necessária ação objetiva efetiva.

Dólar ao preço de R$ 3,26 é absolutamente incompatível com o contexto brasileiro no momento e pode se revelar um erro adiante quando conspirar contra a retomada da atividade econômica.

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