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Real, uma moeda emergente absolutamente de preço incerto

Qual o preço razoável do dólar ante a moeda nacional, o real, e sua tendência. Simplesmente não há definição para esta pergunta.

Ocorre que quanto menor o movimento do fluxo cambial, melhor a situação perspectiva do déficit em transações correntes e este fato negativo, ao promover a economia de dispêndio deixa no rastro resultados positivos obtidos num cenário ruim.

Situações acomodatícias continuam sendo praticadas.

O país continua mantendo reservas cambiais de US$ 372,6 Bi no conceito de liquidez internacional e US$ 362,8 Bi no conceito de caixa e parte esta colocada como financiamento aos bancos que assim operam com posições vendidas de US$ 19,2 Bi, com isto BC evita ter que realizar venda efetiva de dólares das reservas cambiais.

Os números de setembro já permitem que se anteveja o déficit em conta corrente não tão explosivo quanto se via ao início do ano. É bem verdade que seja fruto de fato negativo, de vez que é consequente da retração da atividade.

Merece destaque o simples fato que com dólar caro os gastos de brasileiros no exterior caíram 46,9%. De janeiro a setembro deste ano estas despesas somaram US$ 14,1 Bi frente US$ 19,5 Bi no mesmo período do ano passado.

Dados menos favoráveis no contexto externo acabam por se transformar em resultado mais positivo nas contas externas, o que em tese deveria promover menos pressão altista no preço do dólar, fortalecendo, portanto, a moeda nacional, o real.

Mas isto não acontece com esta lógica esperada.

Há fatores como recessão e perda da atratividade no cenário da economia brasileira, que afastam do país os recursos externos.

Há fatores políticos que afetam a relação entre os poderes constituídos criando clima estressante que repercute no preço da moeda nacional frente ao dólar.

E há para manter este quadro de contenção da moeda nacional dispêndios pesados de natureza fiscal que, segundo o economista Roberto Luis Troster, atingem este ano R$ 100,0 Bi em swaps cambiais e com a elevação do dólar o custo para carregamento R$ 180,0 Bi no ano ou R$ 140,0 Bi até setembro. Segundo o economista este custo fiscal somente os R$ 240,0 Bi representam 8 vezes o que poderia ser arrecadado com a CPMF, cerca de R$ 240,0 Bi.

Este emaranhado de inúmeros fatores que forjam inseguranças e incertezas as mais diversas já permitem, principalmente pela redução que a retração das atividades de fluxo cambial causará no déficit em conta corrente, que a taxa cambial projetada pelo BOLETIM FOCUS para o final do ano, R$ 4,00, já reúna potencial capacidade de situar-se num preço menor.

Assim, a piora no cenário externo com contexto favorável poderá contribuir para que se tenha uma taxa cambial mais favorável, porém com um custo explosivo de receita fiscal, sem mencionar a pressão inflacionária deste dispêndio e riscos acentuados de downgrade.

O mercado evidencia no FOCUS extrema sensatez ao projetar uma alta bastante discreta do preço do dólar para o próximo ano, considerando a continuidade e intensificação do cenário atual, mas mantém a SELIC este ano em 14,25% este ano e passou a projetar uma SELIC mais alta para 2016, atualmente em 13,00%

No nosso entender precisaria também elevar a inflação projetada para 2016, ainda muito baixa e quase inatingível, além de retração maior da economia, de vez que não se vê possibilidade de recuperação da atividade econômica em 2016.

Como já destacamos há grande chance do preço do dólar frente ao real chegar ao final do ano, dada as circunstâncias, como ressaltamos abaixo de R$ 4,00, com um elevado custo em reais (fiscal) advindo da política cambial.

 

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