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Reações além das causas sugerem precaução

Houve um alinhamento do governo com o PMDB, seu maior aliado na base política, para apoio das medidas de ajuste da economia brasileira, naturalmente não limitadas a questão fiscal.

Um fato positivo do ponto de vista político, mas será que desta vez será historicamente diferente já que o PMDB é um partido de muitos partidos, onde há inúmeros líderes não oficiais e comandados com ideias dispares. Não seria melhor ver se na prática as coisas se desenvolvem em linha com os anseios.

E, por outro lado, tudo foi combinado com o PT, partido da situação que tem se mostrado arredio às mudanças? O partido do governo será cordato a tudo, inclusive no seu posicionamento secundário na ordem das coisas,

Ademais, não bastam que sejam implementadas as aprovações de medidas reformulatórias do “status” atual amplamente deteriorado, serão necessários inquestionavelmente os resultados positivos.

O grau de confiança do setor produtivo brasileiro ainda é muito baixo, muito terá que acontecer para que o espírito empreendedor do empresariado volte a se manifestar, ainda mais num ambiente em que o restabelecimento de antigos tributos e a criação de novos tende a ser avassaladora, quase insustentável.

Ao mesmo tempo a Presidente do FED emite conceitos mais brandos a respeito da mudança da política monetária americana.

A reação foi a queda do preço da moeda americana no nosso mercado e a queda do juro DI.

Mas, em contraposição, passou quase despercebido o déficit em conta corrente do mês de janeiro da ordem de US$ 10,654 Bi, quando em 2014 no mesmo mês foi de US$ 5,115 Bi. Os IED´s registraram em janeiro ingresso de US$ 3,968 Bi, insuficiente para cobrir o déficit em conta corrente do mês.

Esta tendência, ainda prematura, é projetada como tendência para este ano de 2015.

Os gastos dos brasileiros no exterior ainda revelaram aumentos. Em janeiro apontaram US$ 2,207 Bi ante US$ 2,12 Bi em 2014.

E, a inflação medida pelo IPCA-15 continuou firme e forte atingindo até metade de fevereiro 1,33% no mês, acumulando 7,36% em 12 meses, maior nível desde junho de 2005.

Então, o cenário para as contas externas é ruim e o déficit em transações correntes deve permanecer elevado, o que não contribuiu para se ter um preço de dólar mais baixo.

Cenários prospectivos para os fluxos de recursos para o Brasil cadentes e inflação em alta com fundamentos evidentes são fatores que devem impor taxa de juro SELIC acima do que está sendo praticada e projetada no momento e colocar o BC, sob risco de ter que ofertar diretamente dólares para o mercado a vista ou proporcionar lastro com financiamentos aos bancos para ampliarem suas posições vendidas para que estes os repassem ao mercado na forma de liquidez.

O movimento extremamente volátil apresentado pela moeda americana, com forte volatilidade, considerando-se que este ano têm-se ainda o fluxo cambial positivo demonstra que a pressão vem do mercado futuro e ainda não do mercado a vista, havendo demanda por proteção (hedge) que esta requisitando aumento da oferta de contratos de instrumentos financeiros “swaps cambiais” além da rolagem das posições vincendas e da oferta adicional de 2.000 contratos diários.

O BC está travado na sua mobilidade em torno desta ação por ter previamente se comprometido a uma oferta pontual de 2.000 contratos até o 1º trimestre, assim mantendo firmeza na decisão terá que assistir a pressão de alta do preço da moeda americana.

Mas, também, não se pode descartar a presença de especuladores neste mercado e que estimulam a alta e os movimentos voláteis intensos.

Entretanto, não há cenário atual ou prospectivo de curto/médio prazo que possam indicar apreciação sustentável ou não do real.

Este quadro de pressão por hedge no nosso entender afasta a taxa cambial do seu ponto de equilíbrio ideal.

Os bancos tem até o dia 20 o total de posição vendida de US$ 22,4 Bi e o fluxo cambial em fevereiro está positivo em US$ 2,192 Bi.

Mas estamos somente no inicio do ano em que o Brasil tem US$ 39,0 Bi de empréstimos externos vincendos, tido pelos analistas passiveis de rolagem, salvo as empresas envolvidas em escândalos recentes, mas o fato é que não se sabe efetiva qual é a propensão destas empresas devedoras renovarem estes empréstimos num ambiente em que pelo segundo ano seguido o país pode revelar PIB negativo.

 

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