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Ratificando o que já foi dito: “o Brasil é o grande problema do Brasil”

Acreditamos que o novo cenário posto pelo governo, que já era deteriorado da economia brasileira, e que agora efetivamente tornou letra morta os anseios mais imediatos de um superávit primário modesto ambicionado, esperado como resultante de um forte ajuste fiscal imposto pela nova equipe gestora da economia, se preste ao menos para deixar muito evidente de que os problemas do Brasil decorrem de seus próprios problemas, e fortalecer este foco desfazendo a habitual teoria errática de que os problemas externos é que afetam o nosso país.

O Brasil não está conseguindo se reposicionar na linha de recuperação econômica, a reação de toda cadeia produtiva foi amplamente negativa às medidas adotadas pelo governo que não conseguiu conquistar credibilidade a ponto de motivar a retomada da atividade econômica, muito pelo contrário, a tendência clara e evidente é de agravamento da recessão e todas as suas costumeiras mazelas.

Como resultante ainda precoce se viu a equipe econômica na absoluta necessidade de rever de forma drástica a meta do superávit primário de 1,1% (R$ 66,3 Bi) para 0,15% (R$ 8,7 Bi)do PIB , inserindo ainda uma cláusula de abatimento de R$ 26,4 Bi em caso de frustração de receitas, o que previamente já deixa autorizado a ocorrência de déficit no ano.

Ora, com tamanha insegurança na formulação da redução em 2015, como se pode atribuir credibilidade as surpreendentes revisões postas para 0,7% em 2016, 1,3% em 2017 e 2,0% em 2018?. Na realidade não podem ser críveis, mas consideradas tão somente anseios desprovidos de fundamentos, que não existem de forma convincente nem para a redução em 2015.

Em nossa abordagem recente havíamos destacado que os analistas formuladores das medianas divulgadas pelo Boletim FOCUS estavam sendo colaborativos com o governo no sentido da busca de melhora das expectativas, mas que com o IPCA deste ano rondando os 10% uma desinflação para o nível de 5,4% seria bastante improvável, embora a recessão pudesse ser mais efetiva do que o aumento do juro SELIC, e ao mesmo tempo, que projetar o dólar para 2016 em R$ 3,30 era desprovido de qualquer fundamento, ignorar mesmo toda a perspectiva ruim para o setor externo com prenuncio de intensa perda de fluxos de recursos para o país.

Os indicadores mais recentes têm revelado números melhores na balança comercial, etc.. mas todos tem origem em performances piores.

A recessão provoca contrações e estas geram números supostamente melhores em situações muito piores para a economia brasileira.

A balança comercial melhora em razão da retração das importações terem sido mais intensa do que a constatada nas exportações, mas ambos repercutem consequências de perda de atividade econômica, que arrecada menos, desemprega mais afetando renda e consumo.

A perspectiva de queda da inflação, não com a grandeza do Boletim FOCUS, encontra respaldo no ambiente recessivo de forma mais intensa do que no juro, já que a retração do consumo causada pelo desemprego efetivo ou pelo receio do mesmo é mais efetiva do que o juro elevado.

Não há nexo numa projeção de dólar a R$ 3,30 para 2016, num ambiente já conhecido de atividade econômica fraca e baixa atratividade do país aos investimentos externos e com a tendência do fluxo cambial, computados todos os dados já conhecidos este ano, se consolidar negativo.

Com os fatores motivadores de ingressos fragilizados e a então já notória incapacidade de atingir o superávit primário, agora tornada evidente, com risco acentuado de perda do grau de investimento que imporia a saída expressiva obrigatória de recursos estrangeiros aplicados em nosso mercado financeiro, e que poderia ser intensificada com a saída motivada por eventual alteração do juro pelo FED americano, é totalmente impensável uma taxa de R$ 3,30 para o dólar em final de 2016.

E além desta incoerência, ainda não considerava o impacto da alta provável da taxa cambial na inflação contrapondo-se aos benefícios advindos da recessão.

A realidade é que se acentua a percepção de que a situação da economia brasileira ainda tem muito que piorar até que possa dar os sinais primários de melhora.

A recessão deve se aprofundar e com ela todas as repercussões negativas como aumento do desemprego, queda da renda e do consumo, achatamento salarial e fragilização dos benefícios sociais, etc…..

E neste ambiente, não haverá pelo contexto lugar para o dólar com preço tão baixo quanto projetado pelo Boletim FOCUS e as reservas cambiais brasileiras poderão ser atingidas desta vez mais diretamente.

Atualmente, em termos líquidos estão de US$ 350,0 Bi já deduzidas as posições vendidas dos bancos que estão sendo utilizadas para financiar a liquidez do mercado a vista em torno de US$ 20,0 Bi, mas se o país perder o investment grade, principalmente, a saída de recursos exigirá divisas efetivas para fazer face e os swaps cambiais perderão eficácia para contornar esta demanda, pois não será demanda de “hedge”.

Resta saber como vão reagir as agências de rating, a alta do preço da moeda americana já sinaliza precificação ainda discreta de uma eventual perda do grau de investimento.

Há neste momento vários fatores que poderão impactar elevando o preço da moeda americana, contudo projeções seriam prematuras, embora o cenário prospectivo o sugira acima do patamar de R$ 3,40 ao final do ano.

 

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