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Projeções erráticas prevaleceram em 2015 e poderão se repetir em 2016

É imperativo que as análises da situação atual e perspectivas sejam realistas.

 
BASE: BOLETIM FOCUS DO BC, que apresenta as projeções medianas do mercado financeiro.

Mediana – agregado 02/Janeiro/2015 31/Dezembro/2015
IPCA 6,56% 10,72%
TAXA DE CÂMBIO R$. 2,80 R$. 3,90 (*)
TAXA SELIC 12,50% 14,25%
DIV. LIQ. SETOR PÚBLICO 37,30% 35,50%
PIB + 0,50% – 3,71%
PRODUÇÃO INDUSTRIAL + 1,04% – 7,80%
DEFICIT EM C/C – US$ 77,00 Bi – US$ 63,30 Bi
BALANÇA COMERCIAL + US$ 5,00 Bi +US$ 15,00 Bi (**)
IED´s +US$ 60,00 Bi +US$ 63,37 Bi
PREÇOS ADMINISTRADOS + 7,85% 18,00%
(*) atingiu R$ 4,00 e até superou em várias ocasiões.
(**) atingiu US$ 19,0 Bi

Como se depara projeções fundamentais como IPCA (inflação), taxa cambial, PIB, desempenho da atividade industrial e preços administrados tiveram forte afastamento da visão que o mercado financeiro mantinha ao inicio do ano de 2015.

Há inúmeros fatores que podem explicar esta ocorrência, sendo a principal a dimensão da crise fiscal e paralisante da atividade econômica que não era possível ser detectada ao inicio do ano de 2015 e que veio a ganhar transparência logo nos primeiros meses do ano.

Mas o fato é que as principais projeções para tomada de decisões se revelaram extremamente erráticas.

Para 2016 tudo indica que já há projeções absolutamente fora do ponto, além de uma discussão se a crise é política ou econômica, com ênfase a questão fiscal.

Evidente que há os dois fatores, mas o fato concreto é que a não recuperação da atividade econômica, impossível neste momento já que não há como definir um planejamento de desenvolvimento sem estabilizar o quadro caótico e decadente da atividade econômica, coloca em perspectiva o incremento forte do desemprego, perda de renda e potencial de consumo, sem que se consiga um grande feito contra a inflação, praticamente não responsiva a aumento de taxa de juro, pois não há pressão de demanda mas sim perspectiva de agravamento da recessão.

O desgaste da imagem do país no mercado global, já penalizada pelas agências de rating e que poderá ser agravada, é neste ano de 2016 muito mais intenso do que o era ao inicio do ano de 2015.

Downgrade é uma realidade, baixa atratividade para o investidor externo (muito se fala que o pais está barato, mas o risco cambial que no ano passado atingiu quase 50% este ano deve replicar pelo menos mais 25% e a economia não sugere retornos compensadores), ambiente político turbulento de difícil superação, questão fiscal de difícil solução, massa assalariada com queda de renda e propensão ao consumo, etc….

Então, projetar-se uma queda da inflação pelo IPCA de 10,72% para 6,87% não nos parece sustentável, mesmo que a recessão se faça expressiva, o país deverá ter, minimamente, 9% de inflação, já que as pressões não respondem mais a aumento de juro pois não há demanda aquecida e sim tendência a crescimento da inadimplência.

Neste ambiente com perspectivas amplamente desfavoráveis das quais citamos algumas é insustentável imaginar-se uma taxa cambial ao final do ano de R$ 4,21. Muito provavelmente, na melhor hipótese, teremos uma taxa cambial em torno de R$ 5,00, com queda nos IED´s e risco de intensificação de saídas de recursos externos mesmo que o COPOM eleve a taxa SELIC, que no fundo se prestará mais a remunerar os agentes do mercado financeiro e a onerar as contas publicas.

As projeções para o PIB negativo em 2,95% e produção industrial negativa em 3,50% estão em linha com a tendência, podendo ser mais acentuada para a produção industrial e não se espera com esta perspectiva reordenamento da política fiscal, por isso o governo federal vem contando com o restabelecimento do imposto de má qualidade que é a CPMF mas poderá encontrar resistências no Congresso, onde não tem base politica confortável.

É possível que com a economia em recessão o governo venha a sofrer pressões para aumento dos preços administrados que ultrapassem 7,50%, o que se prestará para aniquilar a renda já cadente das classes menos favorecidas.

O incremento do desemprego parece tendência bem consistente, agravada agora pelo aumento do salário mínimo, que imaginamos, contrariamente ao objetivo, estimulará mais ainda o desemprego de mão de obra não qualificada, reduzindo em cada 3 para 2 e dispensando 1.

Na realidade o “status quo” do país e suas perspectivas sugerem projeções mais equânimes com o cenário prospectivo, e não é isto que se observa ao inicio do ano em itens extremamente importantes para tomada de decisões.

É preciso mais realismo na manifestação de projeções, mais ousadia na percepção dos quadros prospectivos.

Dólar ao preço de R$ 4,21 ao final de 2016 é absolutamente improvável, no nosso entender impossível mesmo, e o conjunto de fatores afetando o país no momento e em perspectiva, acreditamos, dão plena sustentabilidade a uma projeção de R$ 5,00.

 

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